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Deficientes visuais vencem mais uma batalha

      
Pela primeira vez deficientes visuais foram aprovados no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O ingresso de três estudantes nos cursos de Filosofia, Ciências Sociais e Economia marcam uma das maiores vitórias dos cegos na luta pelo direito à educação no Estado. Enquanto alunos com deficiência visual no ensino superior continuam sendo raros, no ensino fundamental e médio cada vez eles ganham mais espaço e oportunidades.

"O que nós precisamos é ter as mesmas chances de aprender que as pessoas de visão normal", afirma o presidente do Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte, Marcos Aurélio. Segundo ele, a inclusão dos alunos cegos nas escolas normais é uma realidade. A rejeição e o preconceito vêm diminuindo, porém muito ainda pode ser feito para facilitar esse ensino. "Nossa maior dificuldade é mesmo com livros em Braille", afirma o presidente. O Braille é a escrita dos cegos, baseada em pontos com auto-relevo. O número de programas de computador que proporciona a leitura dos textos para os cegos vem crescendo, porém, de acordo com Marcos Aurélio, os livros facilitam o manuseio e o transporte. Fatores importantíssimos no desenvolvimento do gosto pela leitura.

O presidente do Instituto aponta a falta de apoio dos familiares como um dos principais motivos do afastamento dos cegos das escolas. "Muitos pais acham que o filho não têm condições de estudar e os cegos mesmos acabam se acomodando". Outra necessidade dos deficientes visuais é de uma melhor preparação dos professores. "Tem professor que diz, estão vendo? Esse número é maior que aquele. E o cego fica perdido sem entender". O Instituto de Reabilitação mantém uma escola de 1ª a 4ª séries com cerca de 40 alunos.

Outros cem deficientes freqüentam aulas onde aprendem o método Braille, novas profissões e como se locomover nas ruas, além da utilização de aparelhos como a reglette, especialmente desenvolvida para a escrita em Braille. A Secretaria Estadual de Educação, através da Subcoordenadoria de Educação Especial (Suesp), acompanha 140 alunos com deficiência visual inclusos em escolas normais no Rio Grande do Norte. O número é ainda muito pequeno em relação aos 27 mil deficientes visuais existentes no Rio Grande do Norte, de acordo com estimativas do presidente do Instituto de Cegos.

A Suesp realiza ainda trabalho de tradução do Braille para a escrita e vice-versa. "Professores se deslocam até as escolas públicas para recolher o material, como provas e textos de estudo, traduzem para o Braille e, depois dos alunos responderem, passam novamente para a escrita", diz a subcoordenadora de Educação Especial, Patrícia Pinheiro Queiroz. Já as escolas particulares levam os textos e provas até à Secretaria. A maior dificuldade são com gráficos e mapas.

Os cegos só conseguem visualizar esses tipos de desenhos quando podem senti-lo em relevo. Para isso os professores da Secretaria e do Instituto de Cegos utilizam fios em que desenham sobre isopor, dando ao cego a possibilidade de imaginar o gráfico ou o mapa em sua totalidade. Nem todos os deficientes visuais, porém, têm a visão totalmente comprometida. Alguns deles, com visão subnormal, possuem pequena capacidade de enxergar. Para eles, o trabalho ideal a ser feito é a ampliação da escrita. Com letras maiores os deficientes com visão subnormal podem acompanhar os textos e as aulas normalmente.

Comissão da UFRN tenta facilitar ensino

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte criou a Comissão de Ações Acadêmicas para o Atendimento aos Portadores de Necessidades Especiais. O objetivo é orientar ações que facilitem o estudo desses alunos. "O trabalho é centrado principalmente nos deficientes visuais, mas também abrange todos os tipos de deficiência", explica o professor Markus Figueira, presidente da Comissão. Professores dos departamentos de psicologia, fisioterapia, filosofia e educação participam da Comissão. Nos dias 9 e 10 de abril realizaram o 1º Seminário de Educação Inclusiva da UFRN. Na oportunidade discutiram formas de melhorar a educação dos deficientes físicos na Universidade.

Dentro de um mês os professores participantes da comissão deverão apresentar um relatório com todas as orientações do que será necessário para igualar as condições de estudos dos estudantes com necessidades especiais.
· princípio a Universidade deverá adquirir programas de computador como o Dosvox e o Virtual Vision que lêem os textos para os cegos e ainda uma impressora em Braille. Outro trabalho que deverá ser desenvolvido é a montagem de um acervo de textos gravados em fitas cassete. Markus Figueira já está realizando esse trabalho com Chico Araújo e considera o resultado muito positivo.

"Ele pode acompanhar os textos em qualquer aparelho de som e estudar como qualquer outro aluno." Os textos são interpretados com entonação, o que dá melhor resultado que a "leitura mecânica" do computador. Já a dificuldade de traduzir os livros para Braille, segundo o professor, é o volume que eles passariam a ocupar. O papel utilizado teria de ser o de peso 40, bem mais grosso que o papel ofício normalmente utilizado. Além disso, a escrita em Braille só pode ocupar um dos lados do papel. Isso acaba transformando pequenos livros em verdadeiros calhamaços. O custo também é considerado muito alto. www.tribunadonorte.com.br/

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Fonte:
Tribuna do Norte
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