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Uemg sobrevive com manobra

      
Fundações privadas de ensino superior arrecadam até R$ 47 milhões ao ano, suprindo uma função que deveria ser do Estado. Baseadas em Campanha, Carangola, Diamantina, Divinópolis, Ituiutaba, Lavras, Passos, Patos de Minas e Varginha, as fundações, que há 12 anos aguardam para ser absorvidas pela Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e já assumem a chancela de universidade pública, funcionam como instituições privadas, cobrando mensalidades que chegam a R$ 800.

Os professores não são contratados por concurso público, nem fazem parte do quadro de servidores. Apesar de o sistema ser todo privado, o diploma é expedido em nome da universidade estadual. A situação é conveniente tanto para o Estado quanto para a maioria das fundações. Afinal, às custas da iniciativa privada, o governo pode se gabar de ter uma universidade com cerca de 17,3 mil alunos, presente em todas as regiões do Estado. Entre 1996 e 2000, segundo o Censo do Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), o número de alunos da universidade cresceu 137,5%.

As 70 opções de cursos ampliaram-se para 95. O desempenho é, de longe, superior à média de crescimento de outras universidades estaduais, que gira em torno de 25% no mesmo período. Deixa para trás as poderosas universidades estaduais de São Paulo que, apesar de receberem R$ 2 bilhões do governo paulista, contra os míseros R$ 16,8 milhões que anualmente cãm nos cofres da Uemg, não registraram um crescimento tão grandioso. Entretanto, se o número de cursos e alunos das unidades do interior for excluído das estastísticas, o desempenho da Uemg altera-se drasticamente.

São apenas 11 cursos no campus de Belo Horizonte, com 2.939 alunos. Desde 1998, quando eram 2.743 alunos em oito cursos, o crescimento foi de apenas 7,1%. Se a situação é cômoda para o Estado, também não é de todo ruim para as fundações. Se não foi com investimentos do Estado, foi com o status de universidade pública que as entidades angariaram fundos, investiram na qualidade, conquistaram alunos, atraíram professores melhor capacitados e se tornaram respeitadas no cenário nacional do ensino superior.

Nem os dirigentes escondem a situação. A Uemg é a marca de uma universidade forte. ? um condão que abre as portas do Ministério da Educação e dos órgãos de fomento de pesquisas. Sou muito mais respeitado apresentando-me como dirigente da Uemg, do que como diretor de uma fundação do Triângulo Mineiro , explica Rubens Jorge, diretor-executivo da Fundação Educacional de Ituiutaba. Claramente, as fundações mais desenvolvidas caminham para a independência. Oficialmente, seus dirigentes não admitem que pretendem cortar os laços com a universidade, assumindo de vez a faceta de instituição privada.

Mas, pessoalmente, eu preferiria deixar a universidade. Eu e os membros do conselho curador fomos contra a agregação desde o início, porque sabíamos que o Estado não nos assumiria. Mas os alunos pressionaram e acabamos nos associando à Uemg , afirma o presidente da Fundação Educacional de Patos de Minas, Dirceu Deocleciano. O desmantelamento de uma universidade estadual não é novidade no cenário mineiro. Na década de 30, a Universidade Estadual Rural de Minas Gerais foi cedida ao governo federal e se transformou na Universidade Federal de Viçosa. Dessa vez, a abdicação é em favor da iniciativa privada.

O QUE DIZ O GOVERNO

O prejuízo é da sociedade. Abrindo mão da universidade, o Estado abdica de ter uma agência de desenvolvimento para superar os problemas de Minas. O desajuste é reconhecido pelo secretário de Estado da Educação, Murílio Hingel. Ter uma universidade sólida é uma questão estratégica. A Universidade de São Paulo (USP) é a responsável pelo desenvolvimento daquele estado. Quase todos os intelectuais, pesquisadores, cientistas e políticos de renome nacional, passaram por ela , compara o secretário. Mas ele assume: O Estado não tem condições financeiras de absorver as unidades. ? preciso encontrar um novo modelo .

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Fonte: Estado de Minas
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