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Ensino não-presencial otimiza tempo de aprendizagem

      
Mesmo os mais árduos defensores do ensino a distância sabem que a vivência real do ambiente universitário é imprescindívelÿpara quem está iniciando suaÿ formação acadêmica. Por este motivo, o surgimento de cursos ministrados de longe é mais visível em programas de especialização e de educação continuada. Mas isso não quer dizer que a graduação precise ficar de fora deste avanço. Educadores antenados com as mudanças já estão trabalhando com uma solução que mescla as duas formas de ensinar: o encaixe de aulas não-presenciais em cursos regulares da graduação.

O MEC (Ministério da Educação) já percebeu a tendência e tratou de reconhecê-la. Segundo a Portaria Nº 2.253, qualquer instituição de ensino superior brasileira pode direcionar até 20% da carga horária total do curso em disciplinas não-presenciais. A Portaria é do ano passado, mas ela foi baseada em experiências que já vem sendo realizadas há muito tempo. Um exemplo é o trabalho realizado pelo pró-reitor de Extensão Universitária da UNESP (Universidade Estadual Paulista), Benedito Barraviera. Desde 1997, Barraviera trabalha parte do curso de Doenças Tropicais, que ministra paraÿ alunos de Medicina, de forma não-presencial. "Tudo começou porque um dia, ao entrar para dar aula, percebi que iria repetir pela terceira vez exatamente o que tinha apresentando e explicado para outras duas turmas. Fazer a mesma coisa várias vezes não acrescenta nada a ninguém, além de ser algo enfadonho", conta.

Depois desta constatação, Barravieira se dedicou a descobrir de que forma seu curso poderia ser apresentado sem que ele precisasse repetir seguidas vezes o mesmo conteúdo. Aos poucos chegou ao que considera ideal: hoje, todos seus alunos recebem um kit contendo um livro, um vídeo e um CD-Rom. "Nossa experiência mostrou que o vídeo não pode ser longo, deve ter no máximo 30 minutos para reter o aluno. Então ele funciona como uma boa introdução ao tema", explica Barraviera. Já o CD-Rom traz o assunto em detalhe com uma vantagem: a utilização de recursos de áudio e animação que estimulam e facilitam o aprendizado e links para páginas da Internet que trazem informações atualizadas sobre o assunto. Para o livro, sobrou apenas o texto, tratado de forma seca, sem imagens - funcionando mais como umÿ material de apoio.

Mas os alunos não ficam "abandonados" com este material. Ao contrário, depois de um período previamente determinado, a classe se reúne para um encontro real com o professor. Neste momento é debatido o que se aprendeu com o kit e dúvidas são tiradas. Além disso, o CD-Rom disponibiliza o endereço do e-mail de Barraviera, para que o aluno possa acioná-lo sempre que precisar.

A avaliação é feita da maneira tradicional - o MEC não reconhece provas não-presenciais nem em cursos totalmente feitos a distância - e é através dela que Barraviera confirma o êxito de seu sistema. O professor conta que aplica uma prova antes mesmo do aluno receber o kit. A idéia é avaliar o que os alunos já sabem sobre o assunto. Segundo Barraviera, a média da classe nesta primeira avaliação fica entre 4 e 5. Depois de estudarem com o kit e de terem a aula-debate, é realizada uma segunda avaliação. Neste caso, a média varia entre 8,5 e 9,5 um verdadeiro salto, ainda mais quando comparado com a média histórica do tempo em que Barraviera repetia suas aulas: as notas ficavam entre 5 e 7.

A explicação para esta diferença? Barraviera exemplifica contando que levava 40 minutos para demonstrar para seus alunos como a toxina do tétano chegava no sistema nervoso central da pessoa infectada. "Eu precisava fazer um desenho, rabiscá-lo, fazer a turma perceber a produção da toxina pela bactéria. Era preciso que eles imaginassem tudo e entendessem enquanto eu estava ali, na sala de aula". conta. "No CD-Rom, montamos uma animação de 40 segundos que explica de maneira clara o que acontece. E o que é melhor, o aluno pode ver quantas vezes quiser, hoje, amanhã, daqui a uma semana. ? claro que as chances dele entender são bem maiores".

Para Barraviera, o futuro da graduação passa, necessariamente, pela inclusão cada vez maior das aulas não-presenciais. "Os cursos continuam tendo a mesma duração do que tinham na década de 50. Mas a quantidade de informações a que se tem acesso foi multiplicada por milhares de vezes. Ou aumenta-se o curso de Medicina para 10 anos - o que é inviável - ou usamos novas tecnologias para a transferência rápida de conhecimento com qualidade", defende.

E, ao contrário do que possa parecer, o aluno já está preparado para assistir aulas desta forma. "O aluno de hoje é muito mais ativo, buscador, inquieto. Não quer mais saber de ficar sentado escutando o professor falar, quer interagir. E este é o comportamento correto, pois é impossível ter o domínio absoluto de um assunto. O que é preciso é saber onde buscar a informação, como tratá-la, selecioná-la e utilizá-la. Hoje, o professor é um grande e importante tutor, que irá orientar o aluno a encontrar as respostas e não simplesmente ditá-las.Além disso, a Associação das mídias transfere o conhecimento mais rapidamente", finaliza.
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