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Professores querem negociar fim da greve

      
Professores dos três departamentos de ciências sociais da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da Universidade de São Paulo convocaram seus alunos para negociar o fim da greve, que já dura 36 dias e foi organizada pelos próprios estudantes. A reunião com os estudantes foi convocada para as 18h de hoje. A decisão de chamá-los para negociar foi tomada anteontem por pelo menos 50% dos professores desses três departamentos.

Os outros cursos da FFLCH -filosofia, letras, história e geografia- não participarão da reunião. O argumento dos docentes das ciência sociais é que, apesar de o número de professores ser reduzido, a equipe consegue ministrar as disciplinas obrigatórias. A oferta das optativas é que está prejudicada, mas isso, dizem, não é motivo para que se perca o semestre. Embora a proporção entre alunos e professores do curso de ciências sociais não seja tão diferente da de letras, por exemplo, o segundo é mais prejudicado.

Há cursos de línguas -caso de japonês, por exemplo- que têm apenas quatro professores. No curso de letras, há um professor para cada 38 estudantes. Na história, há um professor para cada 51 alunos. Nas ciências sociais, há um professor para 34 alunos. A greve atinge os 12.300 alunos (20% de toda a USP) da FFLCH. Para unificar o movimento, apesar das diferenças existentes entre os cursos, os centros acadêmicos fizeram um rol comum de reivindicações, cujo ponto principal é a contratação de professores. O argumento básico é que a média de professores na FFLCH, como um todo, é de um professor para 35,2 alunos. Já a média da USP é de um para 14 estudantes.

O problema é que a greve, além de acadêmica, é política. Esse é o motivo pelo qual os professores que tomaram a iniciativa de negociar o fim da greve entre os alunos de ciências sociais evitam se identificar. Eles temem ser hostilizados pelos centros acadêmicos e pela associação de professores, que tem uma atividade sindical forte na FFLCH. Se os cerca de mil alunos do curso de ciências sociais voltarem às salas de aula, a greve perde unidade e fica enfraquecida.

Também ficará fragilizado o argumento político que sustenta a paralisação: a falta de professores reflete a perda de espaço da FFLCH dentro da USP, que é a maior universidade do país e a terceira maior da América Latina. Após o início da greve, o diretor da faculdade, Francis Henrik Aubert, 54, admitiu à Folha a falta de professores. Um dos motivos foi a aposentadoria de mais de cem docentes no fim dos anos 90. A reitoria já autorizou a contratação de 12 professores que começarão a lecionar em 2003. Os alunos, no entanto, querem 350.

A greve também é motivada pela precariedade da infra-estrutura dos cursos, especialmente letras. Há salas de primeiro ano com até 200 alunos, sem ventilação ou cadeiras em quantidade suficiente. A partir do segundo ano, quando esses alunos optam por uma língua específica (inglês, japonês etc.), as poucas vagas são decididas por meio das notas. Só que muitos dos cursos menos procurados -para onde vão os alunos com as menores médias-estão praticamente sem professor.

Fonte: Folha de São Paulo
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