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Especialistas criticam faculdade que quer proibir aluno fumante

      
A iniciativa do Centro Universitário da Cidade (Univercidade) de publicar propaganda nos jornais do Rio informando que alunos fumantes não serão admitidos em seu vestibular foi criticada por juristas, estudantes e especialistas no combate ao tabagismo. A medida é considerada inconstitucional e também ineficaz contra o cigarro. O anúncio, veiculado na última quarta-feira, diz que tabagistas não poderão fazer matrícula e ainda que fumar causa câncer. O advogado Lauro Shuch, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ), disse que, pela lei, a Univercidade pode proibir que os alunos fumem dentro de seus prédios - segundo a Constituição, é proibido o uso de cigarros em recintos fechados, públicos ou privados -, mas não que eles se matriculem.

"? uma ilegalidade, um constragimento. A universidade não tem poder para isso. Não há lei que obrigue as pessoas a parar de fumar", afirmou Shuch. Apesar de a propaganda afirmar que os fumantes não serão aceitos, o reitor de desenvolvimento da instituição, Paulo Alonso, informou ontem que "os alunos que não puderem controlar o vício deverão procurar uma outra instituição de ensino para nela estudar."

"Sabemos que isso, contudo, não acontecerá porque os nossos alunos, conscientes, sabem que fumar traz prejuízos irremediáveis à saúde". De acordo com Alonso, sempre foi proibido fumar dentro das salas de aula, nos corredores, laboratórios e bibliotecas. A partir de agora, a restrição estendeu-se a todas as dependências. O reitor disse que o aluno tem o direito de escolher se fuma ou não. Mas ressalvou: "Nas dependências da Univercidade, no entanto, ele precisa entender que não poderá fumar, para preservar não somente a sua própria vida, mas a de seus colegas".

Segundo Paulo Alonso, 90% de seus universitários não fumam e não gostam do cheiro de cigarro. Eles teriam reivindicado a proibição. Mesmo antitabagista, a estudante Manuela Leitão, de 24 anos, que cursa Jornalismo na Univercidade, condenou a medida. "Impedir de fumar dentro da faculdade, tudo bem, mas não admitir alunos fumantes é preconceito, radical demais". Manuela defende que aqueles que fumam o façam na rua, durante os intervalos. Aluna do curso de Turismo, Alessia Nemechini, de 21 anos, também não-fumante, não se incomoda que os colegas fumem no câmpus. "Ninguém fuma nas salas de aula, só fora. Essa história é ridícula. Por que fazer isso só agora? Vão expulsar os fumantes?", disse.

Especialistas

Para Silvana Turci, gerente da Divisão de Estudos do Tabaco do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a decisão da Univercidade não vai levar à diminuição do número de tabagistas. "? preciso ter bom senso. Temos que combater o fumo, não o fumante, que não deve ser discriminado. O tabagismo é uma doença", defendeu a médica, que classificou a medida de "medieval". Silvana é favorável à criação de fumódromos, como os que existem no Inca, para aqueles que desejam fumar possam fazê-lo sem incomodar os outro.

Fonte: Tribuna da Impresa
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