text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Lygia Pupatto é a nova reitora da UEL

      

Agendada para hoje às 20h, a cerimônia de posse da nova reitoria da UEL (Universidade Estadual de Londrina) marca um momento histórico na universidade. Em 36 anos de existência, essa é a primeira vez que uma mulher assume o comando da instituição. A pioneira é a professora do departamento de biologia da estadual paranãnse, Lygia Lumina Pupatto.

Lygia foi a candidata vitoriosa na consulta à comunidade acadêmica, realizada no mês de maio, e teve seu nome referendado pelo governador do Estado do Paraná, Jaime Lerner (PFL-PR). A professora assume num momento delicado. Depois da exoneração do antigo reitor, Jackson Proença, a universidade vive um período conturbado. "Há um desencantamento muito grande. Nosso maior desafio será resgatar a auto-estima da comunidade acadêmica" explica a nova reitora.

Com uma larga experiência na vida pública - foi vereadora entre os anos de 1992 e 1996 e secretária especial da mulher de Londrina -, Lygia promete arregaçar as mangas para restabelecer a ordem na UEL. "Vamos adotar regras e objetivos claros para todos os procedimentos", afirma. Além de muita força de vontade, a nova reitora trás consigo um corajoso plano de trabalho. "Vamos dar um salto de qualidade nos próximos quatro anos", diz

Conheça os projetos e as idéias da nova reitora da UEL, Lygia Pupatto, na entrevista concedida ao Universia Brasil.

Universia: Qual é a importância de ser a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora da UEL?

Lygia Pupatto: ? uma responsabilidade imensa, mas acredito que o mais importante, num sentido mais amplo, é poder abrir os caminhos para outras mulheres. Mostrar que se você vai atrás dos seus sonhos é possível que eles sejam realizados.

Universia: Como foi a consulta à comunidade acadêmica?

Lygia Pupatto: Aqui o voto é paritário proporcional. Votam os estudantes, os docentes e o pessoal técnico-administrativo. No primeiro turno eram três chapas, duas formadas por professores de física e a minha. Passei para o segundo turno juntamente com o professor Carlos Roberto Appoloni. Fui aprovada no segundo turno e tive o meu nome confirmado pelo governador Jaime Lerner no dia 4 de junho.



Universia: Como é assumir a reitoria depois de uma gestão tão conturbada quanto foi a última?

Lygia Pupatto: ? um momento muito especial. A universidade está enfrentando uma grande crise com várias comissões processantes em andamento e um orçamento extremamente enxuto. Toda a comunidade acadêmica está com uma vontade imensa de virar essa página na universidade. Acredito que todos estarão dispostos a colaborar com a nossa administração. O nosso maior desafio será resgatar a auto-estima da comunidade acadêmica que está muito desgastada. Há um desencantamento muito grande.

Universia: Os candidatos derrotados terão alguma participação na sua gestão?

Lygia Pupatto: Os candidatos diretamente não, mas algumas pessoas que participaram das suas campanhas eleitorais sim. Entendemos que a universidade deve ser uma instituição extremamente plural. Para sairmos desta imensa crise, precisamos de todas as forças que compõem a universidade. Por isso, já estamos procurando o diálogo com algumas destas pessoas que trabalharam ativamente nas campanhas dos outros candidatos.



Universia: Em que sentido a sua experiência na vida pública, como vereadora e secretária especial da mulher, pode ajudar no comando da UEL?

Lygia Pupatto: Acho que essas experiências administrativas e parlamentares serão muito úteis. Principalmente, porque, queiramos ou não, a UEL depende do governo do estado e das suas articulações com a Assembléia Legislativa. Acho que neste sentido, essa experiência será muito importante.


Universia: Quais são as principais dificuldades que a UEL enfrenta hoje?

Lygia Pupatto: Nós ainda estamos tomando conhecimento de todas as dificuldades, mas a primeira delas é a questão orçamentária, que é extremamente crítica. Embora o processo eleitoral tenha movimentado muito a comunidade acadêmica - há oito anos não tínhamos qualquer discussão sobre os problemas da universidade - , a desmotivação e a baixa auto-estima da comunidade acadêmica ainda são outros problemas que enfrentaremos.


Universia: Quais são os projetos da UEL para os próximos quatro anos?

Lygia Pupatto: Elaboramos um plano diretor que vai balizar os nossos projetos a curto, médio e longo prazo. Vamos implantar um projeto político pedagógico institucional que permitirá a discussão de novos currículos. Queremos aumentar a qualidade dos nossos cursos de graduação e pós-graduação. Mas acho que o nosso maior desafio será a moralização da universidade.

Temos de ser extremamente transparentes, abrir as portas da universidade para a comunidade externa. Nós vivemos momentos muito difíceis onde não havia critérios e regras para o estabelecimento de vários procedimentos. O que valia muito mais era a amizade, a subserviência. Precisamos recuperar a auto-estima e resgatar o valor da UEL. Ela é uma universidade de extrema importância em nível estadual - é a maior do Estado do Paraná - e é reconhecida em todo país. Nós queremos reafirmar isso e dar um salto de qualidade


Universia: Qual a sua opinião sobre a idéia de obrigar o pagamento de mensalidades nas universidades públicas ?

Lygia Pupatto: Sou radicalmente contra. Entendo que a universidade é uma instituição social com um caráter eminentemente público e um compromisso fundamental com a produção e disseminação de conhecimento, viabilizando a inclusão e a construção da cidadania. Sob esta concepção, a gratuidade do ensino é um imperativo.


Universia: Qual é a sua posição sobre a reserva de vagas para negros e pardos nas universidades?

Lygia Pupatto: Eu não tenho uma posição formada, acho que esta proposta tem os seus prós e contras. Se pensarmos a longo prazo, poderíamos ser contra. Porque acreditamos que o Estado tem o dever de aumentar a qualidade das escolas públicas para que todos tenham o acesso e as mesmas oportunidades de entrar no ensino superior. No entanto, se considerarmos que isso pode durar muito pouco, poderemos achar que essa questão de cota é importante. Sem ela nós iríamos prorrogar por muito mais tempo essa exclusão.

Agora, eu acho que nós devemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Nós não podemos nos acomodar e dizer: agora nós temos cota e tudo bem. No momento, eu acho que ela é um mal necessário.

Universia: Qual a sua opinião sobre o provão?

Lygia Pupatto: Pessoalmente, acredito que há problemas. Toda avaliação de ensino é extremamente complexa e o que se divulga com o Provão são apenas as notas dos alunos. Não são divulgados os resultados das avaliações das instituições, que analisa a estrutura da universidade, a qualificação do corpo docente, os laboratórios entre outros itens. O fato é que as notas dos alunos são decorrentes da estrutura que a universidade proporciona. Eu não sou contra a avaliação, mas acredito que ela deveria ser elaborada de outra maneira.



Universia:A evasão escolar é um problema latente em todas as instituições de ensino. Como evitar e combater a evasão escolar?

Lygia Pupatto:
Certamente a UEL também enfrenta este problema de evasão. Como ainda não assumi não tenho os números concretos, mas sei de alguns casos pontuais. Acredito que existem várias motivos para este problema. Hoje, os alunos entram muito imaturos nas universidades, muitas vezes sem saber ao certo o que é o curso que eles escolheram e daí é uma decepção no momento em que tomam conhecimento da realidade. Outros sofrem a pressão da família para fazer um determinado curso com o qual ele não tem nenhuma identificação. E também tem o problema financeiro.

Acho que um vestibular segmentado, com questões específicas para cada área, seria uma medida para minimizar este problema. Não acredito que a solução deste problema esteja muito próxima.

ÿ

Universia: Quais foram os efeitos da greve para UEL?

Lygia Pupatto: Toda e qualquer greve sempre traz prejuízos. Ainda mais uma tão longa quanto esta (foram 169 dias de paralisação). O primeiro deles é o calendário escolar. Nós vamos demorar muito tempo para regularizar esta situação. Por exemplo, hoje nós estamos finalizando o segundo semestre do ano passado. Vamos começar o primeiro semestre de 2002 agora. Isso traz todo um desarranjo não só para a nossa universidade, mas também para os formandos que perdem a oportunidade de trabalho, de cursos de pós-graduação etc.

Outro problema é o do orçamento. Principalmente, porque parte deste dinheiro que entrou nas negociações com os grevistas era parte da verba de custeio da universidade. Esse ano nós teremos R$ 3,5 milhões a menos no orçamento e isso certamente fará muita falta. O terceiro problema, é o resgate da auto-estima e da motivação das pessoas, uma vez que esse processo foi muito desgastante.


Universia: A senhora acredita houve omissão do governo?

Lygia Pupatto: Acredito que ele demorou muito. As negociações realizadas nos últimos seis meses poderiam ter sido feitas logo no início da greve. Acho que o governo não esperava que essa greve durasse tanto tempo e foi deixando as coisas acontecerem.


Universia: O que a comunidade acadêmica da UEL pode esperar da reitora Lygia Pupatto?

Lygia Pupatto: Muita vontade de trabalhar, muita honestidade, muita participação, muito diálogo, muita democracia e principalmente muito respeito com toda a comunidade.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.