text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Projeto Axé quer viabilizar universidade para jovens

      
Andercícero Paulo, Maria da Conceição, Lindomar, Leandro, Carlos Alberto, Cristiane Santana, Veronildes, Leonardo e Lídio têm idade entre 17 e 27 anos e experimentam o sucesso, após anos de convívio com o perigo das ruas e a marginalização da sociedade. A história destes garotos começou a mudar com o ingresso no Projeto Axé, premiada organização de assistência a crianças e adolescentes de Salvador que comemora 12 anos esta semana com novos planos. Além das oficinas profissionalizantes e lúdicas e da reinserção da meninada na escola e na família, a instituição pretende incluir os "educandos" no rol dos estudantes universitários. Segundo o diretor presidente do Axé, Cesare de la Rocca, a entidade deve criar, no próximo ano, um fundo de apoio a partir de doações de pessoas físicas. A verba será utilizada para pagamento das mensalidades de quem for aprovado nas faculdades particulares. Também há negociações para ingresso em cursos gratuitos ou que ofereçam bolsas de estudo. Quatro pessoas já concluíram o ensino médio (2º grau) e se preparam para enfrentar o vestibular. O quarteto, entretanto, não tem acesso a aulas preparatórias que supram as carências dos ensino básico e vive a angústia de não poder bancar a educação.

Entre os possíveis beneficiários do fundo está a dançarina Maria da Conceição do Amor Divino, garota de 20 anos que atua profissionalmente na Companhia de Dança Gicá do Axé. Há quatro anos na organização, ela já levou a sua arte para os Estados Unidos e para a Europa, mas planeja aprofundar os conhecimentos num curso superior de dança ou educação física. O ex-carregador da Feira das Sete Portas Leonardo de Jesus, 17, e o auxiliar de cabeleireiro Lídio Sena, 18, também consideram a academia como uma alternativa eficaz para assegurar o futuro profissional nas áreas de moda e artes cênicas. Ambos arriscavam a vida nas ruas, desde a infância, para complementar a renda familiar e abandonaram a rotina para se dedicar a escola e às oficinas profissionalizantes do Axé.

Com quatro irmãos, Lídio, por exemplo, começou a vender amendoim dia e noite, aos 5 anos. Morador do bairro de Paripe, no subúrbio ferroviário, hoje ele já concluiu o ensino médio, faz curso de cabeleireiro profissional e trabalha na franquia do centro de beleza Jacques Janine, depois de aprendizado num curso sobre a profissão realizado em parceria com o Projeto Axé.

Modelo para outras entidades

Premiado por instituições nacionais e internacionais, o Projeto Axé faz escola até para os seus educandos. O garoto Andercícero Paulo Silva, 17 anos, multiplica os efeitos da instituição no Projeto águia Dourada. Setenta crianças vizinhas do garoto no bairro de Pituaçu fazem aulas de futebol, dança e capoeira, além de reforço escolar, no programa voluntário criado pelo "educando" do Axé. O modelo é similar, com promoção de visitas às famílias e às escolas da meninada e cobrança de rendimento e freqüência no colégio regular.

Mantida por doações de pessoas físicas (telefone 71- 3481-5278), a entidade é vencedora do Prêmio Voluntário do Ano, de cunho nacional, e atualmente faz o registro como organização não-governamental para facilitar o acesso a patrocínios. Segundo Silva, tudo que ele empreende no Axé, como educando da Oficina de Papel Reciclado (Opaxé), é aplicado na comunidade de Pituaçu, com apoio de funcionários da instituição administrada pelo italiano Cesare de la Rocca. O projeto foi idealizado e fundado pelo garoto. História - Hoje, 1.547 pessoas são beneficiadas pelo Axé. Em 12 anos de atuação, cerca de 12,7 mil adolescentes e crianças passaram pelas oficinas profissionalizantes e lúdicas, de áreas como música, dança, capoeira e reciclagem.

Os garotos entram no sistema a partir da abordagem na rua, feita por 18 educadores capacitados especificamente para a tarefa, levados por parentes, encaminhados por conselhos tutelares, Juizado da Infância e Juventude e outras organizações, ou indicados por outros educandos. O tempo de permanência mínimo é de quatro anos, período para reconstrução dos vínculos com a família, comunidade e colégio. Ao todo, há 109 funcionários remunerados e 12 voluntários na rede. A Escola Municipal Barbosa Romeu, no bairro de São Cristóvão, é administrada pelo Axé e ministra cursos de ensino fundamental (1ª à 4ª série).

Fonte: Correio da Bahia
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.