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Brasil e China: Vencemos, mas não convencemos

      

Por João Ricardo Cozac*

O Brasil entrou em campo hoje cedo para jogar contra uma equipe que, na visão de todos os comentaristas esportivos, classificou-se para a Copa pelo fato de que Coréia e Japão estiveram fora das eliminatórias asiáticas por serem os países anfitriões.

Esqueçamos o 4 a 0 (resultado que pode parecer perigosamente enganoso) e vamos aos fatos. A Seleção brasileira repete erros antigos e freqüentes. Os atletas não se comunicam durante as partidas. Parece que há um certo receio no contato entre os jogadores. Um grupo que não se comunica, perde a chance de se conhecer melhor e, principalmente de poder formar um "bloco pensante" dentro de campo. Se existe mesmo a tal da "família Scolari" , já é hora dos atletas ficarem mais à vontade dentro desta casa. Talvez o anfitrião esteja gerando uma certa cerimônia em seus convidados.

A irregularidade na atuação de alguns dos jogadores também é um sintoma perigoso pois, a partir das oitavas-de-final, irão enfrentar equipes mais fortes e melhor estruturadas. Denílson não conseguiu repetir os minutos de criação e inspiração que vinha desenvolvendo nos jogos anteriores. Ronaldinho gaucho, após perder um gol feito contra a Turquia, parece estar amedrontado em arriscar seus dribles e jogadas geniais. Juninho Paulista esteve irreconhecível durante toda a partida. A defesa da Seleção , a meu ver, é o setor mais preocupante. A falta de um esquema tático mais claro e definido está dificultando o posicionamento dos atletas dentro de campo e gerando uma insegurança no restante da equipe.

Os pontos positivos da equipe foram as ótimas apresentações de Rivaldo e a entrada de Ricardinho no segundo tempo. O meia do Corinthians deu um toque de responsabilidade, consciência e equilíbrio para o meio de campo. Nada diferente do que costuma fazer no time paulista. Vamos torcer para que o Felipão tenha percebido da mesma forma.

Outro atleta que vem arrancando suspiros da imprensa é Cafu. O lateral direito e capitão da equipe tem sido o responsável pelas principais jogadas da Seleção. Cafu consegue apoiar o ataque e reforçar a defesa. Algo bem semelhante do que Sorin, jogador da Argentina, vem fazendo em sua equipe. Ambos contam com um excelente preparo físico e determinação.
O resultado de hoje praticamente classificou o Brasil para a fase final do torneio. Vamos esperar que o jogo contra a frágil Costa Rica (último jogo da primeira fase) permita que os acertos finais possam ser feitos.

O Brasil teve muita sorte no sorteio dos grupos. Imagine você se tivéssemos caído no tal "grupo da morte", ao lado de Argentina, Inglaterra e Suécia. ? melhor nem pensar. Mas também não podemos esquecer que, dentro de um curto espaço de tempo, poderemos enfrentá-los e, se jogarmos com tanta insegurança e medo, com tanta dificuldade de comunicação e entrosamento e pior: achando que tudo está maravilhoso, certamente não teremos bons momentos futuros dentro desta Copa.
Já está na hora do comandante Scolari deixar seus atletas mais à vontade dentro do grupo. Contamos com jogadores geniais, se comandados com sabedoria, sensibilidade e flexibilidade. Não clamo por uma Democracia aberta ou até a anarquia. Alerto apenas para os perigos que uma "Ditadura esportiva" possa causar em artistas que, com um pouco mais de liberdade e espontaneidade, teriam a chance de produzir verdadeiras obras de arte.
Ainda é tempo. Ainda.

* João Ricardo Cozac é Presidente do CEPPE (Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte)

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