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400 mil no Provão

      
No colégio Sigma, alunos de nove cursos fizeram as provas que começaram a partir das 13h. Os estudantes que faltaram ao teste não terão direito de receber o diploma este ano
Barrados: muitos chegaram atrasados e perderam o Provão
O Exame Nacional de Cursos, o Provão, que avalia 5.030 cursos superiores do país, registrou um recorde: cerca de 400 mil estudantes que se formam em 24 diferentes áreas de graduação se inscreveram no exame, o que representa 90% dos formandos em todos os cursos brasileiros.

Em 1996, quando o Ministério da Educação (MEC) instituiu o Provão, somente 23% dos alunos que se formavam naquele ano participaram da avaliação. Nenhum incidente grave foi registrado nos 627 municípios onde o teste foi aplicado. Não se sabe ainda quantos alunos faltaram à prova. Mas, em Brasília, não foi difícil encontrar alguém que chegasse depois das 13h de ontem - horário em que os portões se fecharam - ao local de exame.

No Centro Educacional Sigma, na Asa Sul, pelo menos dez pessoas deram de cara com a porta trancada. O sinal tocava e eles vinham longe, correndo, ofegantes. Não adiantou implorar aos seguranças. Para os retardatários, não houve perdão: Provão, agora, só no ano que vem. Quem não fez o exame ficará sem o diploma de conclusão de curso. Isso porque a participação na avaliação do MEC é pré-requisito para o recebimento do diploma. ''Eles têm de levar em consideração que não é fácil estacionar o carro'', reclamou Rômulo de Oliveira, 23 anos, aluno de Ciências Contábeis da União Educacional de Brasília (Uneb).

Morador de Taguatinga, Rômulo saiu de casa às 11h50. No caminho, pegou alguns pequenos engarrafamentos e topou com um acidente que o obrigou a desviar o caminho. Conseguiu chegar ao Sigma às 12h35 e passou 20 minutos procurando uma vaga. ''Deixei meu carro lá na W3 e vim andando até aqui.'' Com um minuto de atraso, o jeito foi se conformar. ''Não vou receber meu diploma. Se passar em um concurso, não poderei assumir'', previu o estudante.

Boicote

Enquanto Rômulo lamentava o atraso involuntário, estudantes de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília, principalmente, festejavam o boicote ao Provão. Todo estudante do curso em questão que chegasse ao Sigma ou ao Centro Educacional Elefante Branco - os dois locais de prova para a área - eram logo abordados pelos manifestantes. ''Cole o adesivo de boicote na prova e apenas assine seu nome'', diziam os organizadores do movimento. Dos 82 alunos da Católica, 65 não fizeram a prova. ''A gente não acredita nessa avaliação'', argumentou Marcelo Aguiar, formando em Jornalismo pela Católica. ''O Provão está em sua sétima edição e funciona como marketing do MEC para mascarar a realidade do ensino superior brasileiro.

? um instrumento ditatorial, porque obriga os alunos a fazerem a prova, e punitivo: quem não faz não recebe diploma.'' Além disso, o Provão, para os alunos manifestantes, não leva em consideração as diferentes realidades brasileiras, uma vez que a mesma prova é aplicada no Brasil inteiro. Entre os estudantes que não boicotaram, muitos só fizeram o teste porque eram obrigados. ''A prova é longa e cansativa'', disse Cinara Martins, 25 anos, aluna de Economia da Uneb. ''Mas, querendo ou não, ela avalia o conhecimento do aluno, aquilo que ele aprendeu durante o curso'', afirmou Carlos Cavalcante, 26 anos, estudante de Administração da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (ãUDF).

Se não dá para avaliar a faculdade, uma vez que o desempenho dos alunos não é uniforme, há formandos que se empenham em fazer a prova para obter uma boa nota individual. Acreditam que, assim, as chances de conquistar uma vaga no mercado de trabalho são maiores. ''Muitas empresas levam o resultado em consideração na hora de contratar'', lembrou Beth Mesquita, 34 anos, formanda de Economia da União Pioneira de Integração Social (Upis). Beth não sabe quanto vai tirar, mas considerou a prova do MEC difícil, já que engloba tudo o que é visto no curso. Seria mais proveitoso, então, se as faculdades revisassem o conteúdo antes de um Provão da vida.

As escolas se viram como podem. Ontem, várias instituições marcaram presença nos locais de provas com camisetas e a distribuição de água, chocolates e biscoitos para seus alunos. Nada comprova se tais incentivos gastronômicos ajudam a fazer uma boa prova. Mas, para o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ''os alunos que se sãm bem no Provão têm boas notas em seu currículo''. Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, o ministro disse que a idéia de incluir a nota no Provão no histórico escolar, em atendimento às exigências de muitas empresas, não deverá ser implantada este ano. A mudança depende de aprovação pelo Congresso. Para o próximo ano, Paulo Renato adianta: o curso de Geografia, o único de licenciatura que ainda está fora do Provão, também será avaliado.

BALAN€O
395.995 estudantes foram inscritos na 7ªedição do Provão 90% dos estudantes que se formam neste ano participaram da avaliação 5 mil cursos de graduação foram avaliados em todo o país 1,3 milhão de estudantes passaram pelo Provão em suas sete edições

Fonte: Correio Braziliense
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