text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Estudantes reclamam da reitoria

      
A queixa dos estudantes da FFLCH de superlotação das salas de aula e falta de professores não é um problema restrito à graduação. As condições precárias de funcionamento dos cursos já atingiu também os programas de mestrado e doutorado. A FFLCH forma a maioria dos pós-graduandos da USP. "O prazo para concluir a pós-graduação vem diminuindo sistematicamente, mas não há condições de terminar o curso em tempo hábil. Não há professores suficientes", afirma José Menezes, 39, doutorando em história econômica e professor da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

Segundo o aluno do terceiro ano de letras Gustavo Garcia, 28, faltam docentes até para disciplinas obrigatórias. "Muitos não podem se formar pois alguns cursos não são oferecidos por causa da ausência de professores. Do jeito que está, a faculdade vai fechar." Os estudantes apresentaram à reitoria um estudo no qual defendem a contratação de 259 professores. "Queremos uma política clara de contratação de professores na mesma proporção dos que se aposentam", afirmou Garcia. "A estratégia da reitoria é de não negociar com os alunos. Ela não deixa claro os critérios de contratação de professores para algumas unidades e não para outras. Os estudantes da USP podem até entrar na Assembléia Legislativa de São Paulo, mas não têm direito de participar da Comissão de Claros da universidade."

Há crise de identidade, diz professor

Especialistas em políticas educacionais afirmam que a FFLCH vive a pior crise da sua história e corre o risco de perder sua identidade se não passar por uma reestruturação. Para o professor Roberto Romano, 56, professor titular do Departamento de Filosofia Política da Unicamp, a FFLCH está "no seus últimos e ingloriosos dias". Segundo ele, a partir de 1968 a unidade sofreu uma mudança, saindo de uma estrutura baseada no prestígio do catedrático, que defendia os interesses de sua área, para adotar um modelo inspirado nos departamentos acadêmicos americanos, mas sem a agilidade deles.

"A FFLCH vive uma crise de identidade em relação ao seu passado", afirma. Para Romano, a unidade se transformou ao longo dos últimos 30 anos em uma instituição "monstruosa e híbrida", sem uma integração entre os departamentos. "Não existe instituição. Tudo está na lógica do cada um por si." Para Romano, a área de humanas, de uma forma geral, tem dificuldades de demonstrar a importância das suas disciplinas e de se relacionar com a opinião pública.
"A visão imediatista dos nossos governantes acaba julgando tudo pela utilidade aparente", afirma. O consultor José Carlos de Almeida Azevedo, 69, ex-reitor da UNB e doutor em física pelo MIT, afirma que a crise na FFLCH reflete a atual situação da educação brasileira. "Há muitos professores com pouca qualificação.

A maioria finge que ensina, e os estudantes fingem que aprendem." Na opinião de Azevedo, a questão não é discutir a quantidade de professores necessária para a FFLCH, mas sim de onde virão e qual a qualificação de cada de um. "Há um movimento de abastardamento na universidade com o conluio de várias pessoas." Para ele, todo sistema educacional brasileiro deveria ser reformulado, com o estabelecimento de critérios de mérito para os melhores professores e alunos.

Segundo deputado estadual Cesar Callegari (PSB), formado em sociologia pela PUC-SP, o problema da FFLCH é resultado de uma progressiva diminuição de recursos para a manutenção e o desenvolvimento de ensino e de uma ampliação de verbas para a área previdenciária para o pagamento dos professores inativos. "Eles querem enfiar dois pés dentro de um mesmo sapato."

Fonte: Folha de São Paulo
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.