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Formandos boicotam Provão

      
Cerca de dois mil estudantes que concluem graduação em 24 cursos participaram ontem do Exame Nacional de Cursos de Graduação, o chamado Provão. No Amazonas, seguindo uma estratégia nacional, os formandos do curso de jornalismo boicotaram o exame, comparecendo ao local da prova, assinando a presença, mas sem responder as questões. No Brasil, foram 400 mil alunos que submeteram à avaliação do MEC. Todos os alunos de jornalismo deixaram a prova em branco.

"? a nossa maneira de chamar a atenção da sociedade contra esse tipo de avaliação, cujos resultados não têm sido benéficos para a universidade pública, mesmo aquelas faculdades que tiram classificação ótima", disse o estudante de jornalismo Gerson Toller, 23, aluno da Universidade do Amazonas (UA). A União Nacional dos Estudantes (UNE) também fazia campanha para os alunos deixarem a prova em branco. Por ser obrigatória a participação no exame para se obter o diploma reconhecido pelo MEC, os 20 estudantes de jornalismo comparecerem ao Instituto de Educação do Amazonas (IEA) vestidos com roupas pretas, entraram em sala, assinaram presença, mas entregaram a prova em branco ou escreveram um texto justificando a iniciativa de não responder os quesitos.

Gerson disse que nos exames realizados em 1988, 1989 e 1990, o curso de jornalismo tirou, respectivamente, notas C, B e A na avaliação. Isso, no entanto, não representou nenhum ganho para o curso, carente de equipamentos, professores e infra-estrutura. Na verdade, na avaliação dele, o exame só está servindo para denegrir a imagem da universidade pública, que vem sofrendo cortes de verbas no orçamento do Governo Federal. "O que entendemos é que o Governo quer justificar a falta de investimentos na educação pública superior e usa artifícios como o Provão para isso", assegurou ele, lamentando a objetivo claro deste Governo de inviabilizar o ensino público superior.

Com faixas e cartazes, eles manifestavam as contestações ao Provão. "Prove que o Provão não prova nada", dizia um cartaz e adesivos usados pelos estudantes de jornalismo. O estudante também considerou sem utilidade a proposta do MEC de incluir a nota do Provão no histórico escolar dos formandos. "Esse exame é tão criticado que não é determinante para influenciar o mercado de trabalho", garantiu. Paralelamente, membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE) fizeram um plebiscito para avaliar a qualidade do ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. O resultado da votação, da qual participaram os alunos que fizeram o Provão, foi uma nota 0,47 para o ministro.

Perguntados sobre o motivo que os levava a fazer a prova, 24 alunos responderam que consideram a avaliação importante e 87 disseram que só estavam ali porque o provão é obrigatório. O método usado pelo Ministério da educação foi aprovado por apenas 14 alunos. Os outros 104 ouvidos na enquete acreditam que o provão deve ser substituído por outro tipo de avaliação. Um documento distribuído pela União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgava dez motivos para os alunos deixarem as provas em branco. O primeiro motivo, apontava que uma avaliação de verdade deveria apontar os pontos fracos de cada instituição e apresentar propostas e condições para que elas melhorassem, coisa que, na avaliação deles, uma prova com duração de quatro horas não conseguiria fazer.

Outro ponto citado pela UNE é que alguns instituições já estão adaptando seu currículo ao Provão, o que significa que muitas delas acabam preparando os estudantes não para serem bons profissionais, mas para se saírem bem no exame.

Fonte: A Critica
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