text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Estudantes reagem ao Provão com protesto

      
O Exame Nacional de Cursos, o Provão do Mec, foi realizado sob muita confusão, muitos zeros e cerca de 50% de boicote entre os estudantes universitários parãnses. Para os estudantes, o Provão traz uma série de equívocos que tornam o processo inadequado para avaliar a qualidade dos cursos porque não leva em conta diferenças sociais e regionais entre instituições de ensino de Estados e regiões diferentes do Brasil.

"A mesma prova que nós, de Belém, fazemos, os estudantes da PUC fazem em São Paulo, sem levar em consideração os currículos, as diferenças sócio-culturais, as especificidades regionais. Essa prova não avalia nada, visa apenas discriminar ainda mais as universidades e alunos. A universidade que tiver a melhor nota ganha investimento e a que tiver menor nota, fica ainda mais sucateada", condenou o estudante de Pegadogia da Uepa, Rodrigo Ferreira de Morãs, que zerou a prova e foi o primeiro a sair, deixando a sala de aula antes mesmo de completar o período mínimo de uma hora e meia para realização da prova. Rodrigo fez teste no Colégio Deodoro de Mendonça, o local que registrou o maior protesto por parte dos estudantes contrários ao Provão.

Estudantes de centros acadêmicos de vários cursos da Universidade de Estado do Pará (Uepa) começaram cedo o protesto com carro-som, teatro e faixas que traziam dizeres como "Zero a FHC, zero a Paulo Renato e zero ao Provão" para tentar persuadir os estudantes a apenas assinar a lista de presença e não completar as questões, zerando a prova. Os estudantes soltavam fogos de artifício, gritavam palavras de ordem e aplaudiam quem saía da sala cedo, apenas assinando a lista de presença. O tumulto foi tanto que três viaturas da Polícia Militar foram chamadas para conter qualquer excesso.

Um aluno rasgou a prova dentro de sala e jogou o papel picado pela janela, o que inflamou ainda mais o protesto do lado de fora. Visivelmente perturbada com o tumulto, a co-ordenadora da Cesgranrio (empresa que realizou a prova para o Mec), de prenome Ivone, se escondeu dos estudantes e não permitou nem mesmo a entrada da imprensa, que estava previamente autorizada pelo MEC a ingressar nas escolas a partir de 14 horas. Os alunos criticaram também a obrigatoriedade da realização do Provão. A participação no exame é compulsória por lei para que o estudante receba o diploma e tenha o documento reconhecido pelo MEC. Segundo o vice-coordenador da União Nacional dos Estudantes -regional Norte, Maílson Nazaré, uma pesquisa realizada no início do ano mostrou que 87,5% dos estudantes não concordam com o modelo de avaliação proposto pelo MEC.

A pesquisa foi feita em 62 universidades de 20 Estados, inclusive o Pará, e mostrou ainda que 96,3% desaprovam as ações do Mec e 92,6% não concordam que o recebimento do diploma esteja vinculado ao comparecimento à prova. "Existe uma campanha dizendo que o estudante que tirar boas notas vão ganhar carros, bolsa de mestrado, mas tudo isso é feito para confundir os estudantes. Em Belém, ninguém da organização da prova estava autorizado a dar entrevistas, mas segundo um dos coordenadores, os protestos são habituais e já fazem parte da realização do provão. "Há alguns anos, houve até tiros na porta do Orlando Bittar.

Cada ano que passa, os alunos estão aderindo mais ao teste", disse um dos coordenadores. Em Belém, as provas foram realizadas nos colégios Augusto Meira, Justo Chermont e Deodoro de Mendonça. Foram avaliados, em todo o Brasil, estudantes concluintes dos cursos de Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Biologia, Ciências Contábeis, Direito, Economia, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Farmácia, Física, História, Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Pedagogia, Psicologia e Química.

Leia mais: Quem perdeu a hora da prova deve ficar um ano sem o diploma

Fonte: O Liberal
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.