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Falta de professores prejudica as federais

      
O primeiro semestre nas universidades federais gaúchas começou com atraso de aulas e falta de professores. O desarranjo do calendário, por causa da greve de 2001, tumultuou, também, as contratações de professores substitutos que complementam o quadro docente das quatro instituições no Estado. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem um déficit de 250 professores de carreira. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), faltam 185 educadores efetivos.

Parte dessas lacunas é preenchida por professores substitutos recrutados por meio de contratos de emergência que podem se estender por até dois anos, renováveis ao final dos semestres. ? comum haver demora nas contratações, mas a mais recente greve determinou um descompasso entre a vigência dos contratos e o período de aulas. Um exemplo desse problema ocorre na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. As aulas, iniciadas em 3 de junho, são mantidas com improvisos até que se contratem os professores substitutos. Para não deixar sem aula os alunos da disciplina de Projeto Arquitetônico 5, dois professores atendem 55 alunos, média de 27 estudantes por professor, quase o dobro do considerado ideal, que é de 15 alunos por educador, em razão da disciplina exigir acompanhamento individual.

Sem autorização para promover concursos, as universidades têm dificuldades de atrair substitutos. O candidato não precisa ter título de mestre ou de doutor e, por isso, o salário ofertado é baixo (em alguns casos, um terço do recebido por um professor efetivo. Isso, por vezes, desmotiva o educador a continuar trabalhando. Um desses casos aconteceu na UFSM há poucos dias. As aulas começaram em 20 de maio e até o começo da semana, pelo menos uma turma do quarto semestre não tinha professor de espanhol.

? Tínhamos um professor, mas ele assumiu um compromisso em Porto Alegre e se desligou. Estamos distribuindo a carga horária entre outros professores até chegar um novo, que deve assumir em até duas semanas ? explicou, na quarta-feira, Rosani Umbach, chefe do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFSM. Além precariedade do vínculo com o professor substituto, há o inconveniente de, por força do contrato temporário, o educador estar excluído de projetos de pesquisas e de extensão. ? Por mais qualificado que seja, o substituto não consegue se integrar à vida acadêmica.

·s vezes, é inexperiente e, quando atinge conhecimento, tem de ir embora, e o problema se repete no ano seguinte. Isso é problemático, e entendo que traz prejuízos didáticos. Não deveria existir substituição ? avalia Ilmo Wentz, presidente da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) da UFSM. A UFRGS convive ainda com um outro problema para manter temporários. A universidade tem 380 deles, 80 além da cota estabelecida pelo governo federal. Em razão disso, a instituição paga os salários dos excedentes com recursos próprios. ? Somos obrigados a deixar de investir em novas tecnologias ou reformar um prédio para pagar professor. ? uma escolha estratégica para os alunos não ficarem sem aula ? diz Norberto Hoppen, pró-reitor adjunto de Graduação.

Segundo a reitora da universidade, Wrana Panizzi, na última década a UFRGS teve um aumento de 10,7% de matrículas na graduação, em descompasso com a redução de 9,7% no quadro de professores e de 25% no quadro de técnicos. Só nos meses de março, abril e maio se aposentaram 11 docentes e 16 técnicos. Estão em tramitação mais de uma dezena de processos de aposentadoria.

Fonte: Zero hora
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