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Líder sem liderança

      

Por João Ricardo Cozac*
A seleção brasileira encerrou a primeira fase da Copa do Mundo em primeiro lugar no seu grupo. Com a melhor campanha entre todas as outras seleções, o Brasil parte com maior confiança para a fase final do torneio. Porém, algumas providências parecem emergentes após o jogo contra a Costa Rica,ÿ
Em primeiro lugar, estamos com uma defesa desencontrada e profundamente insegura. A filosofia de levar 6 gols e fazer 9 era útil na época de Pelé, Tostão, Gérson e cia. A partir da próxima fase, um gol pode representar o bilhete de volta para casa. Não podemos ficar tão vulneráveis na defesa. Os zagueiros Lucio, Anderson Polga e Edmilson demonstram um perigoso desentrosamento. Basta apenas uma boa jogada do time adversário para desarticular psicologicamente e taticamente toda a nossa zaga.ÿ
No meio de campo e ataque, todos os elogios possíveis. Ronaldinho ( fenômeno) parece reencontrar as pazes com o gol e com as belas arrancadas. Rivaldo, apesar de ainda oscilar durante as partidas, é peça fundamental no ótimo desempenho do ataque brasileiro. Volto a frisar que Ricardinho é uma peça fundamental no esquema da seleção. O meia corinthiano demonstrou uma incrível capacidade de pensar e abrir caminhos dentro de campo. Durante a partida contra Costa Rica, quando o jogo ainda estava 3 a 2 para o Brasil, Ricardinho entrou no segundo tempo e conseguiu uniformizar o meio de campo e articular as principais jogadas e linhas de passe da seleção. Parece-me a peça que completa o quebra-cabeças de Felipão.ÿ

Por que então temer a próxima fase? ? simples. Não temos uma liderança dentro de campo. Todo o paternalismo, voz ativa e comando que o técnico Luis Felipe Scolari procura exercer fora de campo, falta sempre no momento em que mais precisamos. A impressão que esta seleção transmite é a de uma equipe com muito poder individual, capaz de fazer 11 gols em 3 partidas e levar apenas 3. Entretanto, a insegurança dentro de campo pode ser o pior adversário que o Brasil enfrentará até a final da Copa.ÿ
Nem as eliminações precoces de Argentina e França foram tão relevantes quanto a fragilidade de grupo evidenciada por nossa seleção. O perigo para o Brasil está dentro da própria equipe. Até a final da Copa, poderemos cruzar com Bélgica, Rússia, Dinamarca, Senegal e/ou Inglaterra, adversários que, historicamente, nunca representaram um grande perigo a nosso esquadrão.ÿ
Falta-nos um atleta que fale dentro de campo. Que peça raça. Que chame a responsabilidade do jogo para si e para o grupo. Um "Dunga" de 94 cairia como uma luva nesta equipe. Falta uma liderança que seja capaz de tranqüilizar e organizar uma defesa vulnerável psicológica e taticamente. O Brasil carece de um líder nato dentro de campo. Esperamos que, para a fase final da Copa, algum atleta com tais características possa emergir das profundezas deste desentrosamento psicológico da seleção. Seguramente os testes psicológicos aplicados na fase de preparação evidenciaram os traços de liderança de alguns jogadores. O que será que o Felipão fez com os resultados?
Os próximos jogos irão mostrar. Haja coração!

* João Ricardo Cozac é Presidente do CEPPE (Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte)

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