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Depois da greve na USP, aulas só na 2.ª-feira

      
A greve acabou, mas ainda não há aulas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Ontem, mesmo com a decisão da assembléia dos alunos de encerrar a paralisação de 104 dias, a maioria dos professores optou por somente discutir como será o novo calendário do ano letivo com os alunos que compareceram. A expectativa é de que a rotina seja retomada apenas na segunda-feira.

"Mesmo conseguindo vitórias, acho que a greve vai afetar muito o curso", diz a aluna de Letras Alessandra Vidotti, de 23 anos. Ele já estudava na Universidade de São Paulo (USP) em 2000, quando houve mais de 50 dias de paralisação de professores e funcionários. Segundo Alessandra, muito do conteúdo ficou perdido. "Na reposição, acabamos fazendo mais trabalhos do que tendo aulas."

O reinício das atividades acadêmicas já havia sido marcado para o dia 12 pela direção da FFLCH. Mesmo com a recusa dos alunos à proposta da reitoria de contratar 92 professores para a unidade, os docentes decidiram voltar às salas de aula. Mas, durante toda a semana, apenas nos cursos de Ciências Sociais e Filosofia eles efetivamente cumpriram o prometido. Os grevistas acabaram convencendo a maioria deles de apenas organizar discussões sobre a paralisação.

Segundo o diretor da unidade, Sedi Hirano, as aulas agora devem durar até o início do próximo ano letivo, ou seja, meados de fevereiro. Só deve haver intervalos no Natal e no ano-novo. Cada curso vai elaborar seu próprio calendário de reposição, já que cada um deles começou a greve em um dia diferente. O primeiro a parar foi Letras, em 2 de maio. "Todas as aulas serão repostas para garantir a qualidade do curso", afirmou Hirano.

"Quem participou da greve teve um incremento na sua formação", diz Julia Anacleto, estudante de Ciências Sociais. Para ela, mesmo sem aulas, a paralisação serviu para que os alunos aprendessem mais sobre a universidade pública e sobre educação. "As perdas são um custo que a gente sabia que teria de pagar."

Ela e a colega Paola Gambarotto foram ontem à FFLCH, mas a unidade vivia ainda uma clima de ressaca. Os professores que entraram nas classes apenas conversaram com os alunos que apareceram. Em algumas aulas como a do professor Glauco Arbix, de Sociologia Política, a sala estava quase completa. Embora os alunos garantissem que discutiam ali a retomada do curso, Arbix assegurava que estava dando aula.

Deliberação - A decisão de acabar com a paralisação foi tomada no fim da noite de quarta-feira, em assembléia com mais de 1.100 alunos. O resultado foi apertado - 637 contra 511. Durante a greve, os estudantes reivindicavam 259 novas contratações para tentar resolver problemas de lotação de salas de aula e cancelamento de disciplinas. A FFLCH é a maior unidade da USP, tem mais de 12 mil estudantes. Pela proposta da reitoria, devem ser feitos ainda este ano concursos públicos para contratar 68 docentes e, em 2003, outros 24.

Fonte: O Estado de S. Paulo
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