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Universidade sem armadilhas

      

Mais de 1,8 milhão estudantes estão sendo esperados, no próximo domingo, durante a realização do quinto Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os testes serão aplicados em 600 municípios de todo o País, e somente no Distrito Federal cerca de 16,6 mil estudantes devem submeter-se à avaliação. A seleção, que não é obrigatória, é oferecida aos alunos que concluem o Ensino Médio este ano e àqueles que já terminaram o 2º grau anteriormente.

O teste é gratuito para os estudantes da rede pública de ensino e aos alunos carentes da rede privada. Um dos principais objetivos do exame é saber se o aluno que finaliza o Ensino Médio consegue aplicar na prática do dia-a-dia os conhecimentos teóricos que recebeu. Além disso, os coordenadores da avaliação esperam que sirva como alternativa ou complemento para os processos seletivos de ingresso em faculdades e universidades.

Em cinco anos de existência, o perfil do Enem mudou significativamente. O número de inscritos subiu de 157 mil, em 1998, para mais de 1,8 milhão este ano. O número de faculdades que aceitam os resultados do teste também cresceu. Eram apenas duas quando a prova foi criada; atualmente, são mais de 330. Cerca de 30 são públicas (estaduais e federais), como a Universidade de Campinas (Unicamp).

Cada instituição de ensino tem autonomia para definir como aproveitará os resultados da prova. O mais comum é que os pontos do aluno sejam somados à pontuação dele no vestibular. Algumas universidades, como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), reservam uma porcentagem das vagas para os melhores do Enem.

O desempenho individual é sigiloso. Empresas, faculdades e universidades interessadas só têm acesso aos dados se receberem autorização. Não existe lista de classificação com os resultados dos avaliados. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), esse cuidado evita que os estudantes sintam-se desestimulados com um desempenho ruim.

A informação e o conhecimento

O Ministério da Educação (MEC) espera que a prova seja um novo modelo de vestibular mais democrático do que outros tipos de avaliação. Só o fato de não ter que eliminar candidatos por causa de vagas já faz do Enem uma avaliação mais justa, de acordo com a coordenadora do exame, Maria Inês Fini. "Queremos medir a capacidade do estudante de transformar informação em conhecimento. Nosso interesse é que todos tirem a melhor nota", diz a coordenadora, enfatizando a diferença entre a avaliação e o vestibular tradicional.

Para ela, a diferença prática na hora da prova é que, no Enem, o aluno não encontrará sentidos ocultos e pegadinhas nas questões. "? um exame que não preza o decoreba, mas sim a leitura compreensiva e a interpretação", afirma Fini. Essa não é a maior vantagem apontada pelos defensores do exame. Para eles, o ponto forte da avaliação é que, como não há um conteúdo rígido pré-estabelecido, haveria uma maior liberdade na elaboração dos currículos das escolas de Ensino Médio.

Outros vestibulares, como o Programa de Avaliação Seriada (PAS), ao contrário, estariam sempre obrigando as escolas a ensinar determinados conteúdos e seguir um currículo rígido, pouco adaptado às realidades de cada região. Segundo o vice-diretor do Centro Educacional da Asa Norte (Cean), Donizete Valadão, apesar de a proposta ser boa, o Enem só deve constituir-se em uma possibilidade real quando universidades e faculdades utilizarem mais os resultados.

Para os alunos, entretanto, o fato de o Enem ser pouco utilizado pelas instituições de Ensino Superior do Distrito Federal não tira a importância da avaliação. A oportunidade de testar os próprios conhecimentos já vale, para muitos, o esforço de fazer uma prova no domingo. Estudantes da rede pública, Camila Fonseca, Thales Gaspar e Shirley Viana aproveitarão a prova para conhecer melhor a própria capacidade. Mas lamentam o fato de a maior universidade da região, a UnB, não levar em conta o Enem. Outro entrave para uma maior aceitação do exame na cidade são os locais de prova. A avaliação será aplicada em apenas três lugares ? dois na Asa Sul e o terceiro em Taguatinga ?, o que pode fazer com que muitos dos inscritos desistam, em função da distância.

Fonte: Jornal de Brasília
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