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Capacitar é dar autonomia e autoconfiança - Percepção e motivação

      
Trata-se, na verdade, da aplicação de conceitos ao mesmo tempo clássicos e modernos de educação. Basta lembrar a insistência de Paulo Freire com relação à contextualização no ensino. Só aprendemos aquilo que faz sentido para nós e com o que conseguimos estabelecer vínculo afetivo.

Educação corporativa não trabalha com treinamento, e sim com capacitação. Capacitar significa preparar a pessoa para enfrentar as situações inerentes à sua função, através da aplicação e conhecimentos, mas com possibilidade de criar, resolver adversidades, sugerir alternativas de progresso e criar ambiente adequado. Capacitar quer dizer fornecer autonomia, criar autoconfiança e promover progresso. Capacitar é mais do que treinar, pois isso significa desenvolver uma habilidade específica, com pouca liberdade para expressão da personalidade própria do indivíduo. A capacitação pressupõe o uso das faculdades humanas de desejo e auto-governo, sem as quais a pessoa passa a assumir comportamento autômato e não autônomo.

Capacitação desenvolve competência. Entende-se por competência a capacidade efetiva de um indivíduo para resolver problemas, realizar atos definidos e alcançar os resultados propostos. A competência é o pressuposto da competitividade. ? fundamental também lembrar que Competência é o produto resultante de Conhecimento, Habilidade e Atitude. Jamais devemos confundir gerar competência apenas com transmitir informações. Muito mais do que isso, uma pessoa competente coloca em ação suas qualidades humanas que, quando aliadas a uma base teórica consistente, conseguem atingir os resultados propostos, no tempo hábil e com o esforço compatível.

Assim como conhecimento, competência não se transmite. Não há ninguém capaz de transferir sua competência para outrem. Sabemos, no entanto, que é perfeitamente possível ajudar a pessoa a construir sua própria competência, da mesma forma que se constrói conhecimento.

Torna-se necessária, para que essa construção conjunta chegue a termo na organização, a criação dos ambientes físicos e psicológicos necessários e suficientes para que ocorra o progresso pessoal e profissional desejados. Chamamos a atenção para a palavra "ambiência", que tem sido utilizada para designar a criação colaborativa dos dois tipos de ambientes, o físico e o psicológico. Ambientes físicos inadequados podem ser compensados com ambientes psicológicos muito adequados. O que não se pode é oferecer dados e esperar em troca conhecimento e competência. Isso não existe. O que existe é construção conjunta. Nesse capítulo, conhecimentos básicos de psicopedagogia, capacidade de motivação e boa qualidade de comunicação são imprescindíveis.

Dois elementos fundamentais na educação corporativa são a percepção e a motivação. A percepção é a primeira das qualidades a se trabalhar em um processo educacional. Após a mesma podemos criar compreensão, construir conhecimento e promover ações adaptativas a um novo mundo, aquele que agora tem esta pessoa dotada de novos conhecimentos e competências. Motivar significa mostrar o motivo para que a ação seja realizada. ? clássico que o ser humano só se sente motivado para atender às suas necessidades, e que no processo de aprendizado e desenvolvimento, a motivação é prima do prazer e do sentido.

Os desejos nucleares de qualquer pessoa estão ligados primariamente com seus instintos de sobrevivência, que passam pelas necessidades nutritivas, de preservação de energia (repouso) e reprodutivas. Em segunda instância comparecem os impulsos emocionais, especialmente os ligados ao prazer. O racional termina por ser relegado ao terceiro plano na ordem de prioridades, no momento de decidir quais atividades devem ser desenvolvidas. O aporte intelectual, ao não se constituir em ato de sobrevivência, se não for atividade prazerosa, passa a ser encarado como esforço desagradável.

O diferencial pode ser a motivação para o desenvolvimento. Podemos definir motivação como "uma vontade que se gera intelectualmente". Portanto, gerar motivação é ensinar a privilegiar o pensamento como condutor dos atos da vida. Para tanto, um conjunto de pequenas informações de como funciona o cérebro e sua função, a mente, podem ser de grande valia para aumentar a capacidade de controlar o processo global de ensinar através do prazer e da motivação. Muda-se o padrão de comportamento através de ingerências no padrão de pensamento. Utilizando-se ferramentas intelectuais aliadas a elementos emocionais controlados, obtém-se a combinação necessária para melhorar a percepção, a compreensão, o aprendizado, e a mudança comportamental.

Educação corporativa passa por tudo isso e muito mais. E é claro, não podemos esquecer da base. A empresa está interessada em aproximar as competências humanas de seus colaboradores, de suas próprias competências essenciais à sua competitividade e sucesso. Para isso é necessário que a própria empresa conheça suas competências, aquelas através das quais deseja ser reconhecida no mercado.

Eugenio Mussak é consultor nas áreas de Educação Corporativa, Desenvolvimento Humano, Treinamento e Educação

Fonte: O Estado de S. Paulo - Eugenio Mussak
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