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Pré-vestibular para deficientes visuais

      

O "Projeto Universidade à Vista - Enxergando o futuro com outros olhos" está aproximando deficientes visuais do sonho de fazer um curso superior. Diante do desafio de atender às necessidades específicas desses alunos, a Associação Pré-UFMG criou uma turma especial, pioneira em Belo Horizonte. "A gente percebeu que o pré-vestibular é muito visual e precisava de um espaço diferente para esses alunos", disse Carolina Akemi Sueto, professora de Português e coordenadora do curso, que foi criado em 2000. "Os alunos são muito participativos e gostam de estudar. São mais interessados, valorizam mais. Mas o professor deve usar a criatividade", avaliou Carolina.

São vinte alunos que assistem às aulas de todas as disciplinas, de segunda a sexta-feira, das 13 às 18 horas. Para participar, o estudante responde um questionário socioeconômico e faz um teste para avaliar o nível de estudo. Eles pagam uma taxa mensal de R$ 10.

Uma das alunas da turma especial é Deanne Silva de Almeida, 21 anos, que vai fazer vestibular para o curso de Direito. A estudante tem aulas no pré-vestibular das 13 às 22h30. · tarde, Deanne assiste às aulas na turma especial para deficientes visuais e à noite, na tur ma regular. "As aulas nas turmas 'normais' são muito visuais, todas as explicações são baseadas no que está no quadro. Aqui a aula é toda falada, usando a imaginação da gente. Os professores montam gráficos e tabelas em alto-relevo e têm mais tempo para tirar as dúvidas individuais", disse.

"Os professores são bem objetivos e dedicados. ? uma turma que rende porque o objetivo é um só", acrescentou Rômulo Rossi Lourenço Lagem, 35 anos, que está concluindo o Ensino Médio no Instituto São Rafãl e vai fazer vestibular para o curso de Fisioterapia.

A estudante Ariana Márcia Gonçalves, 34 anos, defende que o primeiro passo para a inserção do portador de deficiência no mercado de trabalho e na sociedade de um modo geral é trabalhar sua auto-estima. "Se você já trabalha a auto-estima, o restante está ganho, porque você vai se relacionar bem e buscar seus objetivos como cidadãos e seres humanos", disse.

Ariana presta vestibular há cinco anos e, apesar das dificuldades, não se importa em assistir às aulas em turmas regulares. "Preciso de um pouco de apoio, mas ninguém precisa carregar água na peneira para mim. Peço apenas para poder mostrar as minhas qualidades, a minha capacidade e que me dêem o espaço que é meu de direito", concluiu.

Custo alto impede uso do braile

A atleta profissional Juliana Ribeiro, 21 anos, vai fazer vestibular para Psicologia. "A sociedade vê o deficiente visual como o mais coitado dos deficientes. Não gosto de ter que provar para os outros que sou capaz, mas não desanimo de forma alguma", disse a atleta, que está procurando emprego na área de Telemarketing e pretende fazer outros cursos profissionalizantes nos próximos meses.

Assim como a maioria de seus colegas, Juliana sempre estudou em turmas regulares e gosta de freqüentar um curso que atende às suas necessidades específicas. "As escolas não têm preparo nenhum para trabalhar com os deficientes", lamentou. Para Juliana, uma vantagem da turma especial é o fato de o professor conhecer o braile, o que faz do portador de deficiência um aluno mais independente.

A estudante acrescenta, no entanto, que ainda falta o material didático em braile no cursinho, para que os alunos possam acompanhar melhor as aulas e estudar em casa. Juliana acredita que o material deixará as aulas mais ágeis. Felipe Silva Neto, 22 anos, também reclama da falta de material didático. "Sou a favor da turma, desde que se tenha um compromisso mais sério. Do jeito que está, o pré-vestibular está usando o deficiente para se promover", disse.

A professora de Português e coordenadora do curso para deficientes visuais, Carolina Akemi Sueto disse que a idéia inicial do pré-vestibular era construir um material novo, em tópicos, para a turma de portadores de deficiência visual. "Mas falta patrocínio. O braile é muito caro, o material ficaria em cerca de R$ 600 por aluno", alegou a professora. Outra forma de ajudar é fazer leituras de módulos e revistas para os alunos. Carolina ressalta que não se trata de aulas de reforço, apenas leitura, o que já ajudaria muito os alunos.

Os interessados em ajudar, podem procurar a Coordenação Pedagógica da Associação Pré-UFMG, na Avenida Amazonas, 491, Centro de Belo Horizonte. Mais informações podem ser conseguidas através dos telefones (31) 3212-4223/6807.

Fonte: Hoje em Dia
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