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Descobertos fósseis que remontam a fauna do Nortão em 10 mil anos

      
A compreensão dos eventos que se registraram no passado de uma região é essencial para a compreensão dos que se processam na atualidade.

Com desenvolvimento do projeto caracterização da paleomegafauna da região norte do Estado de Mato Grosso e suas aplicações paleoambientais o professor Jesus da Silva Paixão, que é mestre em Geoquímica Ambiental pela Universidade Federal do Pará (UFPA), vem desenvolvendo, no campus da Universidade do Estado de Mato Grosso, Unemat, em Alta Floresta, estudos com esse objetivo.

Além do professor, fazem parte do projeto três bolsistas: Maria Lúcia Santos, Paulo Henrique Correia e Francisco Forte Stuchi. Cada acadêmico é responsável por um dos módulos do projeto denominado palinologia/paleoecologia, cultura material e arte rupestre.

Segundo o professor a identificação da fauna pretérita da região norte de Mato Grosso, juntamente com outros elementos como a flora e o processo de ocupação patenteado pela cultura material restante permite compreender, de alguma forma, as condições paleoecológicas registradas na região, podendo propiciar a seqüência de seu desenvolvimento natural.

Descobertas

A caracterização da paleo-fauna é feita com base em princípios de anatomia comparada, a partir de restos fossilizados obtidos junto à comunidade e depositados sob os cuidados do Museu Estadual de Paleontologia e Arqueologia de Alta Floresta.

"A partir da identificação destes elementos da fauna, busca-se inferir a tipologia ecológica reinante à época de vida dos animais, por intermédio de elementos característicos, especialmente morfologia dentária e pela simples presença da fauna", fala Jesus.

Para apoiar esta reconstituição recorre-se a outros parâmetros, especialmente paleo-florísticos, mediante análises de perfís paleo-palinológicos e geo-estratigráficos. A cultura material, restos cerâmicos, instrumentos líticos e arte rupestre buscam estabelecer relações de contemporaneidade entre a fauna, as condições ecológicas e os primeiros habitantes da região.

Os trabalhos do projetos tem sido executados há cerca de dois anos, em suas várias vertentes. "Pela análise osteológica de alguns espécimes disponíveis no acervo de trabalho conseguimos identificar elementos clássicos como mastodontes, megatérios e camelídeos", diz o pesquisador .

Com o estudo de cultura material herdada foi possível identificar traços de uma cultura ceramista horticultora-caçadora, pré-qualificada como pertencente à tradição cultural Uru. "Por meio destes elementos podemos sugerir a existência em um tempo que deve remontar à cerca de 10 mil anos passados, de um padrão ecológico significativamente distinto daquele que reina hoje na região", avalia o professor.

A continuidade das pesquisas, especialmente no tocante ao detalhamento dos estudos osteológicos, dificultado pelo padrão fragmentário dos materiais, apoiado por estudos palinológicos e datação radiométrica deve propiciar conhecimento acerca do processo de evolução ecológica da região.

Pesquisa revertida em cultura

A partir dos estudos e montagem de acervo de trabalho foi viabilizado recurso financeiro junto ao Conselho Estadual de Cultura para construção das instalações do Museu Estadual de Paleontologia e Arqueologia de Alta Floresta, cujas obras encontram-se em pleno andamento. Além das salas de exposição, será possível encontrar no museu biblioteca, reserva técnica, laboratório, administração, loja de souvenir e sala de memória histórica.

"Temos como objetivo final do trabalho permitir a reconstituição das condições ecológicas reinantes na região há cerca de 10 mil anos. E até como aconteceu a mudança daquele padrão ecológico até atingir as condições atuais", explica o pesquisador.

Além disso, é esperado que se tenha conhecimento a respeito das primeiras ocupações humanas da região. E ainda, levar a comunidade local e regional à valorização do seu patrimônio natural e cultural.

Com o projeto o pesquisador pretende difundir na comunidade conhecimentos da ocorrência da modificações relativamente drásticas no seu ambiente natural em intervalo de tempo relativamente curto." Esses estudos podem servir como alerta a intervenções humanas no ambiente atual", afirma.

As investigações também dão suporte a estudos e atividades da rede pública e particular de ensino, especialmente no tocante a áreas de ciências, geografia e história.

São inúmeras as tentativas de compreensão da evolução paleoecológica da região amazônica levadas a cabo ao longo de décadas. Este conhecimento sistematizado pode servir como parâmetro técnico para previsões em termos futuros para as ações do homem neste ambiente tão complexo e, ao mesmo tempo, sensível.

O projeto conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Alta Floresta que desde o seu início tem subsidiado algumas despesas como água, luz e a cessão de um imóvel para atuar como sede. "Além disto, também é parceira no processo de implantação do Museu, fornecendo o terreno e a mão-de-obra", conta Jesus.

O outro financiador é a Secretaria de Estado da Cultura que, pela Lei de incentivo a cultura, Hermes de Abreu, possibilitou a aquisição dos recursos e materiais necessários à construção do Museu.

Fonte: Só Notícias - Sinop (MT)
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