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USP precisa de corpos para estudos

      

A falta de cadáveres de mulheres e crianças é um dos problemas com que a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) convive há anos para fazer pesquisas. Desde 1993, o Serviço de Verificação de àbito (SVO) da cidade de São Paulo mandou para estudo 232 corpos, dos quais 24 (10,34%) são de mulheres e 18 (7,75%) de crianças.

O envio de cadáveres para estudos é regulamentado pela lei 8.501, de 1992. Pela legislação, podem ser encaminhados apenas os corpos não reclamados em 30 dias. Na maioria das vezes são corpos masculinos. O patologista Carlos Augusto Pasqualuccia, vice-diretor do SVO, acredita que a preponderância de corpos de homens está ligada à migração. "Geralmente quem vem de outras cidades para São Paulo é homem e vem sozinho. Se morre, não há ninguém para reclamar o corpo", diz o professor, acrescentando que as mulheres dificilmente migram sozinhas.

O déficit de corpos femininos e de crianças, segundo a patologista Consuelo Junqueira Rodrigues, professora de Topografia Estrutural Humana da Faculdade de Medicina da USP, pode trazer dificuldades para a formação de alunos em áreas como pediatria e ginecologia. "Os alunos deixam de manusear a pelve, as mamas e toda a estrutura genital feminina. Já o corpo da criança requer manuseio diferenciado, pois os órgãos são menores e mais delicados", explica.

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Pediatria, Cleide Enoir Petean, a falta de cadáveres de crianças não compromete a formação dos pediatras. "Há como suprir essa deficiência. Se houvesse o corpo seria mais fácil, mas a formação é complementada com outras aulas", afirma. Entre essas aulas estão as sessões clínico-patológicas, que consistem no acompanhamento de necropsias por alunos e de discussões clínicas a partir do que está sendo observado. "Há também a propedêutica, quando são comparados o corpo da criança e do adulto", diz Cleide.

Segundo Consuelo, os cadáveres são utilizados para que os alunos possam praticar o que aprendem na teoria. "No curso de anatomia aplicada, observam as estruturas de todo o corpo humano e aprendem a trabalhar com os órgãos para depois aplicar, por exemplo, em práticas cirúrgicas", explica.

A professora salienta que os alunos têm pouco tempo para a prática dos estudos usando cadáveres. "Iniciam os trabalhos práticos no 2º semestre do 3º ano, estendendo-se por todo o 4º ano de medicina. Acho que essa experiência de um ano e meio deveria ser maior", diz.

Outros cursos que utilizam cadáveres em aulas são: odontologia, enfermagem, farmácia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição, educação física e esporte. Mas apenas em medicina é feita a dissecação.

Fonte: Diário de S. Paulo

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