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Estação compacta de tratamento de esgoto da Universidade Federal do Espírito Santo ganha prêmios

      
Uma nova tecnologia brasileira no tratamento do esgoto das cidades, desenvolvida no Laboratório de Saneamento da Universidade Federal do Espírito Santo, vira produto de exportação. A invenção da "estação compacta para áreas densamente urbanizadas", criada pelo professor Ricardo Franci Gonçalves e sua equipe, apresenta uma solução mais simples, mais barata, com a vantagem de produzir menos odor e ocupar um espaço muito menor em relação ao modelo convencional. A experiência, que recebeu o apoio da Prefeitura de Vitória ao lado de outras instituições de fomento, conquistou neste mês o Prêmio Mercocidade de Ciência e Tecnologia deste ano, promovido por 79 cidades pertencentes aos países do Mercosul, incluindo Chile e Bolívia.

A estação de tratamento de esgoto (ETE) planejada por Gonçalves já funciona em 40 comunidades, espalhadas pelo Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul. Em Santa Catarina, o projeto deverá entrar em atividade até o final deste ano. Com isso, a expectativa do cientista, com 42 anos de idade, é a de atender a 200 mil de pessoas.

Sucesso no exterior

O tecnologia, porém, já faz sucesso fora do Brasil. Na cidade de San José, na Costa Rica, o projeto, com o objetivo de tratar os esgotos de 2,4 milhões de habitantes, foi apresentado, há três anos, numa iniciativa que conta com parte do capital do Banco Mundial. Já em Ajman, nos Emirados árabes, a meta é atender a 300 mil pessoas, que vivem em pleno deserto do Saara. "Todo efluente será utilizado como fonte de água doce, para fins produtivos na região", explicou o professor. Fora isso, outros projetos financiados pelo Banco Mundial estão, conforme Gonçalves, no Cambodja, no Vietnã e na Tailândia.

O sistema de funcionamento da ETE Ufes é feito por via biológica, com a atuação de bactérias anãróbicas (ambiente livre de oxigênio), que removem em média 70% da matéria orgânica presente no esgoto. Numa segunda etapa, bactérias na presença de oxigênio complementam o tratamento, elevando a eficiência de todo processo para 95% de remoção da matéria orgânica.

Menos espaço

Uma das vantagens da estação compacta é a economia de espaço. Para tratar, por exemplo, o esgoto produzido por 1000 habitantes, a nova tecnologia exige uma área sete vezes menor que a necessária por uma convencional. Enquanto a alternativa ocupa 70 metros quadrados (m2), a saída tradicional precisa de 500 m2. "Nossa planta pode até ser enterrada no subsolo de uma praça ou ser instalada dentro de um galpão coberto, pois um dispositivo remove 90% dos compostos que causam o forte odor característico no processo". A unidade pode ser implantada em etapas, ajustando-se ao crescimento populacional e à demanda do volume de esgoto. O custo da unidade, criada na Ufes, sai quase pela metade das soluções mais antigas. A relação é de R$ 50,00 por habitante, enquanto a mais tradicional oscila entre R$ 80,00 a R$ 100,00.

Menos energia

Ao combinar uma etapa ãróbica e outra anãróbica, o consumo de energia é menor que em outras opções. "Utilizamos poucos equipamentos eletromecânicos, como as bombas submersas - responsáveis pelo bombeamento do esgoto - e o soprador na ãração nos dois tanques. A maior parte funciona de forma hidráulica".

A simplicidade operacional é outra característica. No município de Linhares, a 127 quilômetros de Vitória, onde foi construída a primeira planta fora do Campus Universitário, no bairro Canivete, em 1998, o especialista informou que um única pessoa opera as cinco unidades que hoje funcionam, deslocando-se numa motocicleta. A manutenção gira em torno de R$ 0,09 por metro cúbico de esgoto tratado, custo 35% inferior ao de uma estação convencional.

Também para indústrias

Para a tornar viável a reutilização do esgoto tratado para diversas opções, a Ufes desenvolveu uma terceira etapa do tratamento, na qual são removidos até nutrientes e microorganismos patogênicos (causadores de doença). Neste caso, o custo por habitante sobe de R$ 50,00 para de R$ 60,00.

Do jeito que foi concebida, a planta criada, no meio acadêmico, trata esgoto sanitário, mas o pesquisador disse que pequenas adaptações ao projeto permite o tratamento de águas residuárias industriais, com elevado teor de matéria orgânica. Laticínios e abatedouros também podem contar com esse tipo de estação, conforme o especialista, que recebeu em 2001 o prêmio de "produto de maior inovação tecnológica da Região Sudeste do Brasil", conferido pela Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep) e o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Fonte: Gazeta Mercantil


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