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Faculdade à vista e pagamento a prazo

      

Imagine a cena: você estuda numa faculdade particular e, apesar de estar indo superbem no curso, corre o risco de ter que trancar a matrícula por falta de grana para a mensalidade. O fim dessa história tem boas chances de ser feliz se você conseguir o Financiamento Estudantil (Fies) do Ministério da Educação (MEC). As próximas inscrições estarão abertas de 2 a 27 de setembro, pela internet. Serão oferecidas 40 mil vagas. Mas que fique bem claro: este é um benefício para estudantes que não podem mesmo pagar pelo curso.

- Nossa filosofia é beneficiar estudantes carentes. Ao se inscrever o candidato preenche um formulário e dá informações sobre renda familiar e tipo de moradia, por exemplo. Os dados são processados num programa de computador que classifica os estudantes conforme a necessidade - explica Aurélio Hauschild, diretor do Fies.

Ao todo, 90% dos estudantes beneficiados têm renda familiar per capita (a renda da família dividida pelo número de membros) de até cinco salários mínimos (ou seja, mil reais), sendo que 72% deste total têm renda familiar per capita de até três salários mínimos (R$ 600). Criado no segundo semestre de 1999, o financiamento atende hoje a 183 mil alunos, bem mais do que há três anos e meio, quando o sistema em vigor era o Crédito Educativo (Creduc). Naquela época, havia cerca de 73 mil beneficiados:

- Muitos estudantes não pagavam o Creduc. Ainda temos R$ 1 bilhão para receber. Como o dinheiro emprestado não retornava, o MEC ficava sem condições de abrir novas vagas. Com o Fies fica mais fácil receber este dinheiro e reinvestir - diz Hauschild.

Para garantir o pagamento, o MEC pede agora que os candidatos apresentem um fiador. A tarefa, segundo Jonatas Dias Ladeira, aluno do 5 período de enfermagem da Universidade Gama Filho, não é nada fácil.

- ? difícil encontrar alguém com renda suficiente para ser fiador. Ainda bem que o MEC permite reunir até três pessoas para serem avalistas - diz Jonatas, que apesar da trabalheira, não se arrepende de ter batalhado pelo Fies. - Consegui o financiamento no segundo período com três amigos da família como fiadores. Se não fosse isso, teria parado de estudar.

Quem consegue o financiamento, que pode chegar a 70% da mensalidade, paga juros anuais de 9%. A taxa - segundo Roberto Zentgraf, coordenador do MBA em finanças do Ibmec - não é alta se comparada a outros índices:

- Isso significa que o estudante vai pagar menos de 1% de juros ao mês. Na compra de um eletrodoméstico, por exemplo, esses juros podem chegar a 6% ao mês. ? claro que se a pessoa tem dinheiro para pagar o curso não vale a pena pedir financiamento.

Marcelo Veloso e Manoela Guimarães Telles, que estudam no colégio Ponto de Ensino e vão fazer vestibular este ano, já estão fazendo as contas. Eles acham que, se não passarem para uma faculdade pública, o jeito será recorrer ao Fies.

- Quero fazer relações internacionais e a Universidade de Brasília é a única pública que oferece o curso. Também estou tentando as PUCs do Rio e de Minas. Se passar, só vou poder cursar se conseguir o Fies - diz Marcelo.

Com Manuela a história não é diferente:

- Estou me preparando para as provas das faculdades públicas, mas queria fazer comunicação na PUC. Só que tenho um irmão que estuda em escola particular e aí complica.

Na hora do sufoco, quem precisa pedir o financiamento só pensa em concluir o curso, mas é bom lembrar que depois de formado a dívida continua por alguns anos. Quem não paga o financiamento em dia - além de deixar o fiador na mão - corre o risco de ter o nome enviado para o SPC (Serviço de Proteção Crédito). Christiane Proença Aires formou-se em odontologia há um ano pela Gama Filho e sempre se preocupou com o pagamento do Fies. Nunca imaginou que teria de atrasar, contra a sua vontade, a quitação das parcelas.

- Soube na Caixa Econômica Federal que perderam o meu contrato. E, mesmo assim, querem que eu pague as mensalidades atrasadas com juros. Vou entrar com um pedido de regularização do contrato para saber como ficará a dívida - diz Christiane, que trabalha num consultório.

O MEC encerrou na sexta-feira o credenciamento das faculdades que aderiram ao Fies neste semestre. De acordo com Aurélio, diretor do programa, no segundo semestre de 1999 havia 760 instituições de ensino superior cadastradas. No primeiro semestre deste ano participaram 1.267 instituições. As faculdades inscritas no Fies não recebem dinheiro vivo do MEC e sim títulos do Governo federal que podem ser usados para pagar ao INSS as contribuições de seus funcionários.

- O ideal seria que as próprias universidades particulares criassem sistemas de financiamento. Isso facilitaria ainda mais o acesso ao nível superior - diz Aurélio.

Fonte: O Globo

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