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Não basta falar a língua

      
Quem se entusiasma com a experiência enriquecedora de estudar no exterior por vezes deixa em segundo plano a preparação para atingir tal objetivo. ? um erro comum, que pode comprometer o empreendimento. Os que chegam lá sabem que as exigências são maiores do que a fluência no idioma estrangeiro.

Uma pesquisa do Datafolha, realizada no início deste ano com moradores da cidade de São Paulo que já cursaram ou estavam cursando pós-graduação, registrou que 38% dos entrevistados pretendiam fazer pós-graduação no exterior, mas apenas 10% tinham conseguido. Os interessados costumam se surpreender com a burocracia exigida: documentação, certificados e testes desconhecidos no Brasil.

Para as universidades norte-americanas, a maioria dos candidatos descobre, na hora de fazer a "application" -inscrição-, que tem de passar por outros exames além daqueles de proficiência na língua, como GRE, Gmat, USMLE, SAT, entre outros.

O que significam essas siglas? Todas elas são testes usados pelas universidades norte-americanas para avaliar os conhecimentos lógico, verbal e analítico dos candidatos a cursos de graduação ou pós-graduação.

Testes como GRE, o Gmat e o Toefl (proficiência em inglês) podem ser feitos várias vezes. Mas a coordenadora do Departamento de Consultas Educacionais da Alumni em São Paulo, Kathleen Harrington, aconselha os alunos a realizar o teste uma vez só, pois as universidades têm acesso ao número de vezes que a prova foi feita. Harrington recomenda que os candidatos olhem testes antigos, disponíveis nos sites oficiais dos exames, para saber em que nível estão e o quanto precisam estudar.

Uma pontuação alta nesses exames pode significar, além da possibilidade de entrar na universidade escolhida, ajuda financeira ou mesmo uma bolsa integral. O "score" necessário para ser aceito varia de uma universidade para outra, pois os critérios de admissão são diferentes. Enquanto algumas privilegiam os resultados dos exames -em geral, essas são as universidades onde a concorrência por vagas é maior-, outras dão prioridade a um sólido histórico escolar, um bom plano de estudos ou ainda, nos cursos da área de administração e direito, uma excelente posição no mercado de trabalho. A pontuação nos testes também pode ser critério de desempate entre dois candidatos.

Dominar a língua não é vantagem, é um pré-requisito indispensável, diz uma das consultoras da Alumni. O essencial, segundo ela, é ter um histórico escolar bom e um plano de estudos estruturado.

Em universidades da França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, em geral, o certificado de fluência no idioma basta, mas mesmo nesses países, o candidato a um diploma internacional de MBA ("Master of Business Administration") tem de fazer o Gmat.

A representante da EduFrance no Brasil, Helia Lissak, afirma que o mais importante é o candidato falar francês fluentemente. "O valor do diploma se faz pelo aluno", diz a representante da agência governamental francesa de divulgação e orientação a estudantes estrangeiros.

Os exames de proficiência, em geral, têm de ter sido feitos no máximo dois anos antes de sua apresentação. Na França, Itália, Alemanha e Espanha, nem sempre é obrigatório um certificado oficial. Algumas universidades nesses países costumam aplicar seu próprio teste de conhecimento da língua.

Não são apenas os exames que variam. De país para país, o sistema de ensino muda e pode confundir os brasileiros menos familiarizados com a língua.

Na Alemanha, a estrutura dos estudos superiores divide-se em duas instituições: a universidade e a "fahochschule". O alemão demora de 5 a 7 anos, em média, para concluir a universidade, por isso o diploma de graduação brasileiro poucas vezes é aceito. A "fahochschule" é uma instituição de ensino superior focada nos conhecimentos práticos. Quando o aluno brasileiro quer fazer uma especialização, geralmente é aceito por elas sem problemas.

Na Espanha, o "bachilleratto" corresponde ao ensino médio no Brasil. Há dois tipos de graduação, em que os cursos dividem-se em "carreras" de primeiro ou segundo ciclo. As de segundo ciclo correspondem ao bacharelado brasileiro. Após a "licenciatura", pode-se fazer o doutorado. O mestrado só existe como especialização, não é um título acadêmico.

Na França, desde abril deste ano, começou-se a adotar o sistema de créditos e um novo diploma foi criado: o mestrado passa a existir como grau acadêmico. Após concluir o ensino médio, o estudante faz o "baccalauréat", uma prova semelhante ao vestibular, que dá acesso à universidade. Após três anos, o aluno recebe a "licence" -uma licença para exercer a profissão- e depois pode optar entre um diploma de mestrado em pesquisa, que o conduzirá a uma tese de doutorado, ou um certificado de mestrado profissional.

Na Inglaterra há dois tipos de mestrado: por curso ou por pesquisa. O primeiro dura um ano e é concluído com a apresentação de uma dissertação. O segundo dura dois anos e resulta numa defesa de tese. O título recebido, mestre, tem o mesmo valor acadêmico nos dois casos. O doutorado pode ser feito logo após a graduação, sem mestrado.

Na Itália, o ensino médio dura cinco anos, ao fim dos quais faz-se uma prova final. Passar nessa prova garante um certificado que dá livre acesso às universidades. Na universidade italiana, o mestrado acadêmico faz parte do último ano da graduação. Para ser "laureado" -graduado-, o aluno defende uma tese. O doutorado pode ser feito em seguida. O título de mestrado só existe em cursos de especialização.

Os Estados Unidos têm um modelo mais parecido com o brasileiro. O "college" corresponde à graduação brasileira. Em média, em quatro anos consegue-se o diploma de bacharel. A pós-graduação nos EUA é chamada de "graduation".

Fonte: Folha de S.Paulo


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