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Professor corre atrás do diploma

      
Professores do ensino fundamental de todo o país estão de volta às aulas -mas dessa vez do outro lado da sala, como alunos. Eles não têm muito tempo a perder. A partir de 2007, os docentes das quatro primeiras séries escolares serão obrigados, por lei, a ter diploma de ensino superior. Por enquanto, basta o certificado do curso normal, que corresponde ao ensino médio.

A grande maioria ainda precisa se enquadrar na nova regra, estabelecida em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394). Na rede pública, cerca de dois terços dos 800 mil professores de ensino fundamental não têm o superior completo, segundo o Ministério de Educação e Cultura.

Nas escolas públicas, o problema não é só dos professores. Os que não se qualificarem serão impedidos de lecionar, mas nem por isso poderão ser demitidos, já que foram contratados por meio de concurso público. Encostados num limbo administrativo, continuarão a receber os salários pagos pelo contribuinte.

? para tentar evitar esse cenário que governos estaduais estão arcando com os custos para a formação de seus professores. A situação na cidade de São Paulo é ilustrativa. Dos 9.400 professores da rede pública estadual, 7.000 participam de um curso gratuito oferecido pela Secretaria da Educação em parceria com a USP, a Unesp e a PUC.

Em que pese a participação de tradicionais instituições de ensino, é natural que a formação de nível superior em massa levante dúvidas sobre a qualidade do resultado. A professora Angélica Saudo, 33, se queixa de uma certa confusão. "Eu tenho atividades para desenvolver que correspondem ao ensino da 1ª à 4ª série, mas me colocaram numa escola de ensino médio", afirma a professora.

Em outros Estados, o esforço do setor público revela um quadro cujos resultados são ainda mais incertos. Em Minas Gerais, por exemplo, o governo optou por implementar um curso gratuito à distância. O curso, batizado Projeto Veredas, começou em janeiro deste ano e, já em setembro, vai formar 14.700 professores de uma só vez.

Os tutores e coordenadores do curso -sempre ligados a uma universidade parceira do projeto- acompanham seus alunos de longe. Mensalmente, eles se reúnem em ginásios poliesportivos para tirar dúvidas e fazer provas. Essas "aulas" chegam a reunir 1.700 professores-alunos.

O ensino por atacado, porém, não desperta apenas críticas. Para a professora Benígna Geralda Fonseca Rodrigues, 33, de Curvelo (MG), predominam as vantagens. "Não é simplesmente a realização do sonho de entrar em um curso superior. Agora tenho maior segurança e estou mudando minha prática pedagógica", diz.

O governo da Bahia escolheu a mesma alternativa: o ensino à distância. O curso, de um ano, tem turmas de cerca de 400 alunos que se reúnem a cada três meses. "Estamos tendo a oportunidade de uma excelente formação pedagógica. Mas ainda bem que acabou, é muito puxado", afirma o professor Humberto Costa, 52.

Ao obrigar os professores a obter diploma de nível superior, o governo federal pretendeu elevar a qualidade do ensino fundamental. O diagnóstico é que, apesar do aumento do número de alunos matriculados, a educação pública ainda deixa a desejar.

Se o objetivo será alcançado, é ainda uma questão em aberto. Para o educador João Batista Araújo e Oliveira, 55, a equação não é assim tão simples. "Como o currículo desses cursos é feito por profissionais de universidades, que não dão aula em escolas e estão longe de sua realidade, eles não sabem o que é preciso para formar um professor. ? tudo um formalismo", afirma.

Maria Inês Laranjeiras, 52, coordenadora de formação dos professores do MEC, defende a iniciativa do governo. Ela acredita que não é o currículo específico que garante a formação de um bom professor. "O que vale não é mais o acúmulo de conhecimento. Tudo depende do desenvolvimento das competências necessárias.

Fonte: Folha de S.Paulo


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