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Rio+10: luta por ações concretas e não rediscussão de temas

      
O mundo está com os olhos voltados, desde a última segunda-feira, para a cidade de Johanesburgo, na áfrica do Sul. ? lá que mais de 10.000 representantes de 185 países estão reunidos para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10. Na pauta, temas ligados à ecologia - uso racional da água, agricultura e biodiversidade, entre outros - se juntarão a discussões sociais como o aumento da população mundial, pobreza e desigualdade.

A expectativa para o resultado da reunião não é das melhores. Nos últimos anos, eventos da mesma natureza geraram apenas documentos - muitas vezes esvaziados, como o Protocolo de Kyoto - que não se transformaram em ações concretas. No entanto, os recentes desastres ecológicos e o aumento pobreza acabaram por ampliar a importância do evento. Para a professora do CIDS-EBAPE-FGV (Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável da Escola Brasileira de Administração Pública de Empresas da Fundação Getúlio Vargas), Aspásia Camargo, que participou da redação da Agenda 21 brasileira, o foco das discussões deve ser a relação entre pobreza e meio ambiente.

Dez anos após a realização cúpula anterior, a Eco 92, no Rio de Janeiro, pouca coisa mudou. Embora alguns países tenham demonstrado avanços consideráveis na questão ambiental, em especial ao que se refere à legislação e participação da sociedade, as nações mais ricas do mundo ainda relutam em tomar ações afirmativas. "No ponto de vista global, o que se viu foi um fracasso. As políticas globais dependem muito dos avanços nacionais. E as Nações Unidas estão muito debilitadas", lamenta Aspásia.

Mantendo a posição de não apoiar acordos que, em sua opinião, prejudicam os EUA, o presidente norte-americano George W. Bush não comparecerá a Rio+10. Bush tem sistematicamente se pronunciado contra decisões que aumentem investimentos estatais em meio ambiente e, principalmente, contra a redução dos subsídios agrícolas. "? muito ruim que os EUA estejam fora. Mas eles fizeram há algum tempo a opção pelo isolamento. ? um comportamento grave, que não colabora em nada pra que eles conquistem a simpatia do mundo", diz Aspásia.

Nem tudo que se discutiu na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (nome oficial da Eco 92), porém, se perdeu. A Agenda 21, um dos documentos assinados pelos países presentes, que deu origem a outros posteriores, como o protocolo de Kyoto e de Cartagena, servirá de base para as discussões na Rio+10. No encontro desse ano, ao contrário do que aconteceu em 92, não serão feitas novas propostas, buscando apenas transformar em ações concretas as decisões constantes da Agenda 21.

Para Aspásia, a grande evolução ocorrida nos dez anos que passaram entre a Eco 92 e a Rio+10 está na forma de pensar as necessidades. Segundo ela, a sociedade passou a se engajar mais e os países responsáveis reorganizaram suas prioridades. "O que mudou mesmo foi o processo. A própria Agenda 21 já é esse engajamento em torno de uma maneira de fazer diferente", complementa.
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