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Professores preparam projeto para garantir permanência de negros na UFMG

      
Se a desigualdade racial no ensino superior brasileiro é hoje comprovada por dados oficiais, professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) deram o primeiro passo para ajudar a combatê-la com a realização do seminário nacional Ações afirmativas na UFMG: acesso e permanência da população negra na educação superior. O evento ocorreu no dia 20 de agosto na Faculdade de Educação e contou com a participação de pesquisadores e professores de diversas universidades, além de alunos, funcionários e representantes de movimentos sociais e ONGs.

Os principais objetivos do Seminário, que reuniu quase 500 pessoas, foram apresentar o projeto Ações afirmativas na UFMG e abrir o debate sobre o tema dentro da Universidade. "Percebemos que há grande interesse no assunto pela intensa participação do público com intervenções e debates", conta Nilma Lino Gomes, professora da Fã e coordenadora do projeto.

O projeto Ações afirmativas na UFMG foi um dos 37 vencedores do concurso Cor no ensino superior, promovido pelo Laboratório de políticas públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) com o financiamento da Fundação Ford. O concurso previa as categorias de acesso e permanência no ensino superior, sendo que o projeto dos professores da UFMG está incluído na última modalidade. Com orçamento de R$ 60 mil, o projeto com execução prevista para dois anos, a partir de setembro, promoverá debates e cursos orientados para alunos negros de baixa renda regularmente matriculados na graduação. São cursos nas áreas em que esses alunos costumam enfrentar maiores dificuldades, como informática, produção de textos acadêmicos e elaboração de projetos de pesquisa, e que visam a fortalecer a trajetória acadêmica dos graduandos. "O projeto pretende contribuir para a permanência bem-sucedida de alunos negros na Universidade", afirma a coordenadora.

Colaborar na construção de referências positivas de identidade negra e realizar censo étnico-racial na UFMG também são objetivos do projeto. Hoje não há informações quanto ao número de discentes negros na Universidade, cursos em que estão matriculados e seu perfil socioeconômico. "Precisamos desses dados para detectar lacunas e demandas, direcionar políticas públicas e também para que sirvam a pesquisas aprofundadas em diversas áreas, como ciências sociais e estatística", argumenta a professora.

Seminário

O Seminário contou com a participação de várias instituições que estão discutindo ou implantando ações afirmativas. Organizado em três turnos, cada mesa foi orientada para um aspecto da discussão. Na parte da manhã, foi apresentado o projeto Ações afirmativas na UFMG e houve conferência sobre ações afirmativas proferida pelo professor Kabengele Munanga, da UFMG. À tarde, houve a apresentação de experiências realizadas pela PUC/Minas e pela ONG paulista Geledés. À noite, foi a vez do polêmico debate sobre cotas. Entre os presentes na mesa, estavam a reitora da UERJ Nilcéia Freire, instituição que está implantando o sistema de cotas para o próximo vestibular - 40% das vagas estão reservadas para negros e pardos, e o professor e antropólogo José Jorge de Carvalho, cuja proposta de cotas está em discussão na UNB.

A participação institucional no Ações afirmativas na UFMG ainda está em discussão. No dia 8 de setembro, os dez professores que participam do projeto reúnem-se com representantes da Reitoria, da Fump, da Proex e da Prograd para definir aspectos da implementação do projeto.

Antídoto contra a desigualdade

As ações afirmativas inserem-se num conjunto de políticas públicas que atuam na correção de desigualdades ao orientar iniciativas para segmentos específicos da população. Os negros e pardos que, de acordo com o último censo constituem 45% da população, estão em histórica desvantagem social em relação aos brancos. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que apenas 2% desse segmento populacional chega às universidades. "Esse dado reforçou o que movimentos sociais e pesquisadores negros vinham denunciando há muito tempo e comprovou a necessidade de desenvolver políticas públicas para reverter essas estatísticas", diz a professora Nilma Lino Gomes.

Para implementar ações afirmativas é preciso enfrentar a resistência de muitas pessoas e instituições. Segundo a professora, essa resistência possui três origens principais: desconhecimento, distorção de dados por quem é contrário a elas e, especialmente, o racismo ambíguo e velado existente no Brasil. "As ações afirmativas incomodam, pois põem às claras o racismo que existe, mas é negado pelo brasileiro". Quanto ao desconhecimento, a professora afirma que é preciso esclarecer que ações são essas, por quê existem e como funcionam. "É importante entender que são ações para grupos com histórico de exclusão, que têm caráter temporário e que devem passar por constante reavaliação a partir dos resultados obtidos".

Fonte: UFMG
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