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Cientistas piauienses fazem isolamento inédito de gene

      
Pela primeira vez na história da ciência no Piauí, cientistas isolaram gene humano, já conhecido, em pessoas residentes em Teresina. No caso é o gene de uma proteína presente em macrófagos que se liga à manana, um açúcar da superfície da proteína da Leishmania chagasi, microrganismo do calazar, doença endêmica no Estado.

A presença desta proteína é crucial para a entrada do microrganismo no interior da célula, onde ele se multiplica e, portanto, é muito importante para que a infecção atinja a pessoa.

O isolamento inédito foi realizado pela professora Maria José dos Santos,, de 38 anos, professora de Microbiologia da Universidade Federal do Piauí, Carlos Henrique Nery Costa, de 50 anos, professor da Doenças Infecto-Contagiosas e Parasitárias do Departamento de Medicina Comunitária da Universidade Federal, Fernando Carvalho, de 38 anos, professor adjunto de Bioquímica e Biologia Nuclear da Universidade Federal, e pelo biólogo Afonso Flávio Ferreira, de 24 anos, pesquisadores do Grupo de Pesquisa Patógenos Emergentes e Endêmicos do Sertão e do Laboratório de Leishmanioses do Hospital de Doenças Tropicais de Teresina.

O isolamento dos gens faz parte de uma ampla investigação sobre a contaminação de humanos pelo calazar. Os cientistas com o isolamento dos genes vão investigar o porque algumas pessoas têm mais disponibilidade de ser contaminadas pela doença e adoecerem e se existe uma relação com a sua herança genética.

Carlos Henrique Nery Costa disse que poucas pessoas que são contaminadas de fato adoecem de calazar. Ele calcula que 30% a 50% das pessoas que moram em Teresina já se contaminaram com o microrganismo do calazar, que é leishmania chagasi, mas só uma minoria adoeceu.

"Esse é um mistério que tem que ser esclarecido. Se a gente solucionar esse mistério, nós podemos selecionar essas pessoas e agir preventivamente em um grupo selecionado", afirma Carlos Henrique Nery Costa.

Ao isolarem os genes, os pesquisadores piauienses continuarão estudando quais os fatores genéticos que são capazes de determinar a suceptibilidade às doenças.

O gene BCG/SLH já teve demonstrado por cientistas que está associado com infecções por leishmania e por tuberculose em camundongos, mas não foi comprovado que estivesse relacionado com doenças humanas, mas o gene ligante do açúcar manana já teve demonstrada que possibilita algumas doenças, entre elas a tuberculose.

Como existe uma similaridade muito grande entre leihsmaniose do calazar e tuberculose, do ponto de vista biológico, Maria José, Fernando Carvalho, Carlos Henrique e Afonso Flávio passaram a pesquisar se o gene também desempenha um papel no calazar e que as pessoas que estão adoecendo têm ou não determinadas variedades desses gens.

Desde 1998, financiados pelo CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas) no valor de R$ 50 mil, os pesquisadores estão estudando as pessoas que tiveram calazar e as que não foram contaminadas. O próximo passado após o isolamento do gene é saber se as pessoas doentes com calazar têm qual variedade.

"Vamos contar quantas pessoas têm essa variedade de gens. Se as pessoas doentes com calazar têm mais essa variedade do gene do que as pessoas que não foram contaminadas , vamos concluir que o gene está associado com uma suceptibilidade de leihsmaniose viceral (a do calazar). Aí nós vamos ter um marcador genético de doença, podemos programar o futuro para talvez trabalhar com essas pessoas e promover sua proteção especial", afirmou Carlos Henrique Nery Costa.

Estudo pode chegar a vacina contra calazar

Os pesquisadores piauienses pela primeira vez identificaram no Estado um gene humano. O ineditismo do trabalho científico foi o de amplificar um segmento, um pedaço, do gene que se expressa, um exon do gene da proteína ligante da manana.

A resposta final da pesquisa vai informar se o gene isolado confere ou não com a suceptibilidade com a leishmania viceral (leia mais sobre o calazar na página 8).

A professora Maria José dos Santos afirma que o grupo trabalha com o material obtido do sangue das pessoas que tiveram calazar e de seus vizinhos laterais e de fundo de suas residências. "A gente quer saber se as pessoas vizinhas do doente têm diferença na expressão desse gene, saber porque a pessoa que tem uma variedade que produz a proteína que liga a manana em grande quantidade são mais suceptível ou não à doença. Por que os vizinhos não adoeceram?", diz a pesquisadora do Grupo de Pesquisa Patógenos Emergentes e Endêmicos do Sertão.

Após a amplificação do gene, os pesquisadores irão fazer análise através do sequenciamento do DNA. "Queremos saber exatamente a sequência de DNA que determinou se a pessoa que adoeceu é mais ou menos suceptível do que as outras que não adoeceram", declarou Maria José dos Santos.

O avanço da pesquisa, não é exagero dizer, pode chegar a uma vacina contra o calazar, o que mostra como esse grupo de pesquisadores piauienses está trabalhando em uma escala de ponta da ciência mundial.

Os pesquisadores já sabem que as pessoas com maior proteína no sangue têm mais disposição para adoecer de calazar, resta saber agora se isso está escrito em seu gene.

O que os vizinhos têm de diferente do doente é a resposta que os pesquisadores perseguem.

O gene é polimorfo, isto é, tem quatro variedades. Resta saber qual dessa variedade com a presença do calazar e com os níveis de proteína do sangue.

O biólogo Fernando Carvalho afirmou que a pesquisa foi feita com 360 pessoas, deste total 67 eram pacientes que deram entrada no Hospital de Doenças Tropicais. Ele foi na casa desses pacientes e coletou sangue de dois vizinhos, um do lado da casa do doente e outro do fundo da residência. Para cada um dos casos positivos de calazar, Fernando Carvalho coletou sangue de duas pessoas escolhidas aleatoriamente.

Para cada paciente, foram coletados sangue de quatro pessoas. Os pesquisadores analisam a sequência de DNA nas pessoas que tiveram calazar e nas que não tiveram calazar. (E.R.)

Pesquisador explica o que é um gene

O professor Fernando Carvalho, professor adjunto de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Piauí, explica que gene é "um pedacinho do DNA que está contido no interior do núcleo das células". "Esse pedacinho é responsável por uma determinada proteína, que é um composto orgânico que ser ve para montar o corpo, funcionar como defesa ou como transporte. Toda proteína que existe no corpo humano é fruto de um pedacinho de DNA que nos chamamos de gens", afirmou o pesquisador.

Esse gene pode se expressar de várias maneiras. Fernando Carvalho diz que hoje a ciência sabe que um gene não determina apenas uma proteína, como se pensava anteriormente. A proteína, depois de formada e traduzida, que pode sofrer várias transformações. O gene se traduz em uma proteína, são elas que fazem o organismo funcionar.

Fonte: Jornal do Meio Norte - Teresina


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