text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

A Unemat e o interior de Mato Grosso (final)

      
Ainda a respeito do papel da Universidade Estadual de Mato Grosso Unemat, gostaria de ressaltar um ponto muito significativo. Ao ministrar cursos em municípios do interior, atendendo à demanda local, além de manter os recursos humanos na própria localidade, ainda se aplica os cursos levando em conta os valores e a cultura locais. Num estado onde a sociologia ainda não estratificou a população, o respeito aos valores locais assume importância muito grande na formação da cidadania mato-grossense.

O reitor Arno Rieder disse-me que as exclusões sociais demandam o interesse por uma universidade pluralista, que respeite as diversidades e atente para temas específicos, como as questões indígenas e o povo negro, por exemplo. Ao respeitar as diversidades e as regionalidades locais, a universidade estará respeitando também os atores que são os próprios personagens da realidade, com suas vivências, experiências, aspirações e sua alma.

A formação dos talentos locais acaba se tornando uma função da Unemat na medida em que ela atenta para os personagens locais nos municípios, no seu papel de universidade pública e gratuita. Os talentos locais dão a sustentação ao desenvolvimento econômico, social e para construção das reflexões que, certamente, os fará agentes da transformação. Não se concebe um desenvolvimento sustentável sem o investimento nas pessoas.

No Rio Grande do Sul já se copia o modelo descentralizado de campi e de núcleos adotados pela Unemat, disse-me o reitor Arno Rieder. A razão, diz ele, é justamente a capacidade de se atender às regionalidades que, no Rio Grande do Sul não chegam a ser tão diversas entre si. Mas em Mato Grosso, a distância entre Juína e Vila Rica, ou Alto Araguaia, corta o Rio Grande do Sul várias vezes, sem contar que aqui as diversidades geográficas e humanas são muito maiores.

Outro ponto muito forte a favor da regionalização do ensino superior, é o paradigma clássico brasileiro de que a educação em universidade precisa necessariamente ser um privilégio de poucos. "As universidades estaduais atuam com mais eficiência porque são capazes de detectar e de inovar as regionalidades", diz o reitor.

A Unemat participa de projetos mais amplos, como os 22 cursos de pós-graduação em andamento para mais de mil alunos em seus campi, o projeto Genoma, em parceria com outras universidades, programas de pesquisa sintonizados com as necessidades de Mato Grosso, em colaboração com outras universidades e com a Embrapa, no projeto de captura de carbono, junto com a UFMT, na proteção da bacia do rio Paraguai contra a contaminação por inseticidas, ou no esforço para reduzir o analfabetismo em Mato Grosso.

Nos próximos anos a Unemat ainda vai brigar contra a questão de não poder expandir sua oferta de cursos fora dos atuais e da área de licenciatura, proibida por lei aprovada na Assembléia Legislativa neste ano. O esforço será par quebrar a proibição que, de certo modo, contraria a lei federal de Diretrizes e Bases da Educação, que tem jurisdição maior.

Por fim, o que tem a registrar é, realmente, o comprometimento da Unemat com o interior e com as limitações da educação superior no interior de Mato Grosso. Ela é uma instituição que conseguiu captar o espírito das regionalidades e de acatá-lo como seu papel estratégico.

Fonte: A Gazeta de Cuiabá - Opinião, Onofre Ribeiro


  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.