text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Universidades limitam acesso à pós-graduação

      
"Hoje em dia, não basta apenas um diploma universitário". Quem nunca ouviu essa expressão nos meios acadêmico ou profissional? Mesmo que cursos de pós-graduação sejam cada vez mais exigidos pelo mercado, o acesso a especializações, doutorados e mestrados continua restrito. Ainda mais quando as condições financeiras do estudante não o permitam pagar por mensalidades ou pelo deslocamento até os centros onde são oferecidos os cursos. No Paraná, por exemplo, não existem cursos de especialização gratuitos. Em todos são cobradas mensalidades, mesmo nas universidades públicas, como é o caso da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e nas estaduais. Na UFPR, as mensalidades custam a partir de R$ 150. Muitos professores acreditam que a cobrança é uma forma de "privatização branca" do ensino público.

A gratuidade dos cursos de especialização foi uma das reivindicações da greve realizada pelas universidades federais no ano passado. O Conselho Universitário (Coun) da UFPR vem sendo pressionado a acabar com a cobrança. Quanto aos professores, "muitos perdem o interesse nas coordenações ou nas aulas que ministram porque a remuneração das especializações é muito maior", condena um coordenador de mestrado da UFPR que prefere não se identificar.

Ele critica o fato de alguns departamentos de graduação, como o de Ciências Sociais, por exemplo, terem um orçamento reduzido a R$ 900 ao mês, enquanto "professores utilizam a estrutura e o conceito da Universidade em benefício próprio".

Entre as instituições estaduais, são 239 cursos de especialização oferecidos, somando ao todo 7169 vagas. Todas elas com a cobrança de mensalidades. Na UFPR, são outros 102 cursos, com 5415 vagas. Outras 227 são relativas à Residência Médica.

Posições

O Ministério da Educação (MEC) afirma que, em tese, os cursos deveriam ser gratuitos nas federais. Por outro lado, aponta para parcerias com outras instituições, mesmo que com professores do corpo dessas universidades públicas, que utilizem apenas o espaço físico das federais. Na prática, geralmente isso não acontece. Além de utilizar toda a estrutura da UFPR, grande parte dos cursos não conta com parcerias.

A pró-reitora de Pesquisa e pós-Graduação da UFPR, Jaísa Soares de Souza, foi procurada por várias vezes para comentar o assunto, mas a reportagem da Gazeta do Paraná não conseguiu ouvi-la.

Em relação a cursos dentro das universidades estaduais, a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Seti) defende a cobrança de mensalidades, porque os cursos de especialização seriam voltados ao mercado, enquanto o de mestrado e doutorado para pesquisa e formação de professores.

As especializações têm carga horária de 360 horas/aula e duram geralmente um período entre um e dois anos. Estão incluídos, por exemplo, os MBA's (Master Business Administration).

A Resolução número 1, de abril de 2001, dispensa o reconhecimento ou autorização do MEC para cursos de especialização. Basta que uma faculdade tenha autorização para ministrar cursos de graduação para oferecer especializações. O MEC não faz o acompanhamento desses cursos e não tem dados sobre o número de vagas ou instituições que oferecem tais cursos.

Pesquisa e formação Acadêmica

O mesmo não acontece com os mestrados e doutorados. Nesse caso, o aluno tem que defender sua dissertação ou tese e, se aprovado pela banca examinadora, recebe o título com o reconhecimento do MEC e pontuação no seu currículo acadêmico.

No Paraná, entre as seis universidades estaduais, apenas a de Maringá (UEM) e a de Londrina (UELoferecem doutorados. Atualmente, de acordo com números da Seti, são três cursos com 50 alunos na UEL e sete cursos com 203 alunos na UEM. Na UFPR, são outros 24 cursos com 689 alunos. Portanto, 942 futuros doutores. Acrescenta-se aí aqueles que cursam o único doutorado no Centro de Ensino Federal de Tecnologia (Cefet-PR).

Já o mestrado é oferecido em todas as estaduais e em duas faculdades mantidas pelo Estado. Ao todo, 46 cursos com 1492 vagas oferecidas por instituições estaduais. Na UFPR, outros 43 com 1694 vagas e no Cefet outros três cursos.

Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) dão conta que, até 1999, apenas três instituições de ensino privado do Paraná tinham cursos de mestrado reconhecidos. A Universidade Tuiuti do Paraná, com três cursos, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e a Faculdade Evangélica de Medicina, com um curso cada. Nenhuma instituição privada contava, até então, com o reconhecimento de cursos de doutorado.

A Capes chama a atenção de interessados em cursos de mestrado ou doutorado "stricto sensu". Os interessados devem verificar se ele é reconhecido pela Ministério da Educação. Não são considerados válidos, por exemplo, os certificados de alunos matriculados, após 3 de abril de 2001, em cursos oferecidos por universidades estrangeiras, ainda que estas tenham convênio com instituições brasileiras.

Fonte: Gazeta do Paraná - Cascavel



  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.