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A idéia que virou uma ONG atuante

      
De uma sala adaptada dentro de uma IES e apenas cinco alunos para, três anos depois, dez unidades espalhadas pela maior metrópole do país e cerca de 700 estudantes. Este foi o crescimento do "Informática na Comunidade", um projeto despretensioso dos alunos do DA (Diretório Acadêmico) da FGV-EãSP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), que se transformou em uma ONG (Organização Não-Governamental) com estatuto, parcerias firmadas e professores contratados.

"Começamos o projeto em março de 99, sem metodologia e planejamento. Era bem aquela coisa de `vamos ajudar o próximo e ser solidáriosï. Só que a idéia cresceu tanto que foi necessário transformá-la em um instituto, o que aconteceu em julho do ano seguinte", explica um dos diretores do projeto, Ricardo Augusto Kadouaki. E toda essa evolução não deve parar por aí: até o final de setembro, quatro novos núcleos serão inaugurados.

O projeto, que já atendeu 2.500 pessoas, começou por sugestão da dona de um bar freqüentado por alunos e professores da IES que, em entrevista dada ao jornal da faculdade, disse que faltava aos graduandos da FGV-EãSP uma integração maior com os moradores da região. "Ela mesma foi quem sugeriu que déssemos um curso de informática", diz Kadouaki. Depois de lerem a matéria, um grupo de alunos, quase todos ligados ao DA, e funcionários do laboratório de informática da instituição gostaram da idéia e resolveram colocá-la em prática.

Segundo a co-diretora do projeto, Susy Yoshimura, é importante destacar que, além de aulas de computação, o principal objetivo do "Informática" é incentivar as discussões de temas voltados à cidadania. "Não queremos ser mais um curso de informática. Queremos que os estudantes reflitam sobre a realidade; usamos a computação como ferramenta", explica. Os professores de cada unidade se valem dos exemplos dados em aula como, por exemplo, explicar o uso de um editor de texto, para discutir a inclusão social. "Inclusive, procuramos fazer com que os professores sejam pessoas que morem na região da comunidade atendida, para que ele conheça a realidade dos alunos", diz Susy.

No começo, quando o instituto era apenas um projeto ligado ao DA, todo o trabalho era feito por voluntários, a maioria alunos da própria FGV-EãSP. Entretanto, como começou a ser muito procurado, tanto por graduandos interessados em dar aulas como por pessoas que queriam aprender, foi preciso separá-lo do diretório, tornando-o uma ONG independente, com pessoas que pudessem se dedicar à sua administração e metodologia pedagógica. Os dirigentes do "Informática" perceberam que não seria possível manter o instituto dependendo apenas de voluntários, principalmente porque a maioria deles era formada por alunos da FGV-EãSP. "Em semana de provas, os estudantes acabavam deixando a ONG em segundo plano, o que era um problema. Resolvemos então, pelo menos contratar professores para dar as aulas", diz o diretor. Para isso, a partir deste ano começaram a cobrar uma pequena taxa dos alunos pelo curso que, até então, era gratuito. São R$ 15 por mês e R$ 5 pela apostila, que é desenvolvida pelos voluntários e segue a metodologia do projeto.

"Hoje, estamos muito voltados à captação de recursos para o instituto. Temos ajuda da FGV-EãSP, que cede local, computadores e material de escritório. Mas dinheiro vivo não recebemos de ninguém; os voluntários, por exemplo, arcam com suas próprias despesas de transporte e comida", afirma Kadouaki. Ele conta que, em um programa de arrecadação de computadores, o projeto já conseguiu uma doação de 360 computadores, sendo 320 deles da empresa de cosméticos Natura, o que ajudou na abertura de novas unidades na periferia de São Paulo, como no Jardim Cabo Sul e na Vila Albertina.ÿ

Em todas as unidades, o "Informática" ministra o mesmo curso, que tem 80 horas de aula. A duração varia de um mês a um semestre, dependendo do tempo dedicado às aulas. O curso é de nível básico e não existe ainda uma continuação mais avançada. "Mas isso já está em fase de implementação", diz Susy.

O número de trabalhadores e estudantes por núcleo varia muito. Enquanto alguns possuem quinze pessoas trabalhando ativamente, outras contam apenas com o professor - que, mesmo quando tem ajuda de voluntários, costuma ser o responsável pela unidade onde atua. Quanto ao número de alunos, enquanto as menores atendem cerca de 50 alunos, as maiores chegam a pouco mais de 100. As filiais são mantidas por meio de parcerias com organizações sociais que fazem outro tipo de trabalho e possuem uma sala com computador disponível.

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