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Extensão da Funesa em União dos Palmares poderá fechar

      
A extensão da Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca (FFPA) da Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa), em União dos Palmares, pode ser extinta. Aliás, a faculdade, em si, não foi constituída. Por se tratar apenas de uma extensão e não possuir prédio próprio ? um campus universitário - foi proibida pelo Ministério da Educação (MEC) de realizar concurso vestibular. Por causa disso, não mais existe o primeiro ano do único curso: o de Letras. Quem ficou, resiste e tenta alcançar o diploma a duras penas, enfrentando problemas estruturais. Os estudantes preparam um abaixo-assinado para entregar ao governador do Estado, Ronaldo Lessa, cobrando e apontando soluções para salvar a única extensão da Funesa na região Serrana dos Quilombos.

Os professores também padecem. Segundo José Aristan de Melo, professor de Inglês, a maioria dos docentes presta serviço à Funesa e nunca assinou qualquer tipo de contrato. "Não recebemos nossos vencimentos durante o recesso, tampouco 13º salário e férias. Nem haveria condições para isso, pois o contrato que temos é de boca", denuncia Aristan. Ele confessa que resiste há cinco anos porque o dinheiro que recebe ? R$ 10,00 por hora/ aula - é um incremento a mais no minguado salário de professor municipal de União. Segundo ele, há cinco anos não há reajuste e os vencimentos são pagos com atraso pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Superior.

A história contada por Aristan ecoa na sala de aula vazia. ? sexta-feira e nenhum aluno aparece. Estão desmotivados. "Eles preferem ficar em casa, já que muitos moram em municípios vizinhos e não vêm assistir a uma aula apenas", explicou. ? que há 15 dias os professores de Maceió não se deslocam para União dos Palmares por falta de combustível para abastecer o veículo que os transporta. Certamente, o ano letivo ficará comprometido.

Curso de Letras da Funesa repete conceito E no Provão

A turma pioneira da Funesa em União enfrentou adversidades ainda maiores. Os alunos peregrinaram por duas escolas do município até aportarem no Colégio Santa Maria Madalena, enquanto os professores sofriam com atraso salarial. O ano letivo teve de ser prorrogado por mais seis meses e os estudantes tiveram de enfrentar o Provão do MEC sem estudar todo o conteúdo programático, uma vez que as aulas ainda não tinham sido encerradas.

Para a estudante Luciene Soares, 25, os problemas estruturais verificados na extensão da Funesa em União foram responsáveis pelo fraco desempenho do curso de Letras na avaliação do MEC.
"Já obtivemos duas notas E no Provão. Na terceira, o MEC pode até fechar o curso", alerta a estudante. A extensão da Funesa em União segue, inexoravelmente, para o fim. Em 2003, não mais haverá o segundo ano e assim sucessivamente. Quem acaba perdendo em alguma disciplina, não tem como revê-la a não ser que se desloque para outras cidades onde exista núcleo da entidade.

"Uma colega minha ficou numa disciplina do primeiro ano, mas como vai pagar se o primeiro ano não existe mais", indaga o estudante Luiz Gonzaga de Lima, 37. Ele reclama a falta de uma biblioteca. "O que existe é uma estante com alguns livros e revistas, a maioria doada", acrescenta o também universitário Sérgio Pontes. Dois decrépitos computadores estão à disposição dos alunos e apenas um é ligado à Internet. Televisor, videocassete, projetor, tudo foi comprado pelos próprios alunos, através de campanhas e movimentos.

Os estudantes alertam para a importância da manutenção do curso. "A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) exige que até 2007, os professores que atuam na rede pública tenham nível superior", alerta Gonzaga, cobrando maior empenho do governo do Estado e das prefeituras do Vale do Mundaú. Além de União, outros seis municípios são beneficiados com a extensão da Funesa, naquela cidade. Para Sérgio Pontes, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, ao invés de gastar com o aluguel do prédio do Colégio Santa Maria Madalena, fora dos padrões para uma faculdade, deveria ocupar o antigo prédio do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), na Avenida Monsenhor Clóvis, e assim construir o campus universitário.

Diretor nega denúncia sobre contratos

O diretor-presidente da Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa), José Guedes, garantiu que todos os professores que ensinam na entidade possuem contrato de trabalho firmado. Segundo ele, o governo do Estado paga os vencimentos rigorosamente em dia. "Vamos apurar todas as denúncias, que, a princípio, não procedem", disse o diretor. "Os salários pagos pela Funesa estão no patamar de qualquer outra faculdade de Alagoas", garante. Guedes comentou que o único problema da Funesa em União é justamente legalizar a extensão do curso de formação de professores que continua atrelado à unidade de Arapiraca, além do prédio próprio.

A coordenadora pedagógica da Funesa, em União, Maria de Brito, esclarece que esta semana houve um problema no repasse da verba destinada ao combustível, o que inviabilizou a vinda de professores de Maceió. Já os docentes de Correntes, município pernambucano, não conseguem se deslocar até União durante o período de chuvas, por causa da péssima situação da estrada de barro.
Ela esclarece, ainda, que os dois conceitos E no Provão do MEC representa a nota de todos os cursos de Letras da Funesa e não somente o da extensão de União dos Palmares.

Fonte: Gazeta de Alagoas - Maceió
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