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Ufa, que peso!

      
Para conseguir uma vaga na universidade, os vestibulandos precisam adotar uma rotina de estudos pesada. Passam horas sobre os livros. Só pensam em apostilas, exercícios e simulados. A última coisa de que se lembram é de se manter em uma postura que conserve a coluna vertebral com saúde. Os estudantes passam horas estudando, dobrados sobre mesas e carteiras, esparramados em cadeiras e carregam uma infinidade de materiais. Sem a menor preocupação com a coluna.

Mas ela pode dar sinais de vida. Provocar dores ou mesmo trazer problemas sérios para o jovem. O reumatologista e vice-presidente do Hospital Albert Einsten, José Goldenberg, faz um alerta: 25% dos problemas de dor na coluna estão relacionados aos erros cometidos ao sentar, levantar, carregar muito peso (como mochilas, por exemplo). Para ele, o segredo para evitar problemas futuros é a prevenção e promoção da saúde. O problema é que falta informação, diz.

As reclamações ouvidas no consultório e os 35 anos de vida acadêmica do médico deram origem a um projeto que pretende esclarecer as dúvidas do público leigo: o livro Coluna Ponto e Vírgula. Lançada no início do mês, pela editora Atheneu, a obra traz dicas e orientações para preservar a coluna. E se engana quem pensa que essas dores são sintomas exclusivos dos mais velhos. Nicolas Barros, de 17 anos, é a prova viva disso. Aos 14 anos, o rapaz sentiu as primeiras dores musculares. Logo em seguida, descobriu uma escoliose.

Sempre carreguei coisas inúteis na mochila e não tinha a postura ideal, conta o rapaz. Para tentar corrigir o problema, Nicolas passou um ano e meio usando um colete de acrílico. Apesar dos puxões de orelha dos pais, ele não seguiu à risca o tratamento. Resultado: teve que fazer uma cirurgia na coluna no início deste ano. Passou cinco meses com um gesso no tronco. Não podia me abaixar direito, tinha que me levantar o tempo todo durante a aula, a higiene era ruim. Quando me livrei do gesso, passei uma semana tomando banho de piscina todos os dias, diz.

Nicolas admite que o problema poderia ter sido evitado. Hoje, evita as mochilas, especialmente, as que só possuem uma alça. Prefere usar o armário da escola. Brenda Larissa Barbosa, de 19 anos, também começou a sentir dores nas costas. Além de passar horas sentada, carrega muitas apostilas para o pré-vestibular. Desde que passou a ir de carro para o cursinho, o incômodo diminuiu, mas não acabou. Gosto de esticar as pernas enquanto estudo, fico meio deitada. Mas no fim do dia, sinto aquela dorzinha na coluna, conta.

Vaga lembrança
A vestibulanda Aline Souza Magalhães, de 18 anos, destaca a maior dificuldade dos jovens em manter a postura correta. ? involuntário. A gente nem percebe que está torto. Ninguém fica se policiando, diz. Quando se lembra, se ajeita na cadeira. A jovem é candidata a uma das vagas do curso de Medicina na Universidade de Brasília (UnB). Fica das 8h às 23h, todos os dias, sentada estudando. Ela admite que a coluna reclama. Mas tenho que continuar no ritmo.

Antes de começar a maratona de preparação para o vestibular, Aline estudava deitada de bruços, a posição que mais sobrecarrega a coluna. Hoje, tenta achar uma maneira mais confortável de ficar na cadeira. Para ela, o melhor é sentar em cima de uma perna. Não tem posição adequada para esse tanto de tempo, reflete.

Goldenberg, no entanto, não concorda com a opinião da jovem. O ideal é sentar com a coluna reta, apoiada no encosto da cadeira. Os joelhos devem ficar de 1 a 2 cm acima do quadril e os braços, relaxados junto ao corpo ou sobre os braços da cadeira, aconselha. Mas o reumatologista admite que as carteiras escolares não oferecem essas condições. ? preciso mudar os hábitos, segundo ele.

Receita de saúde
Afinal, existe a posição ideal para se estudar? Segundo Goldenberg, o melhor é permanecer sentado, nas condições corretas. Mas, se o estudante opta por estudar deitado, deve ficar de barriga para cima ou de lado. O médico ressalta que, nessas condições, o risco de lesão na coluna lombar é menor. Bernardo Carvalho Trindade, de 17 anos, só gosta de se preparar para as provas na cama. Sentado, fico desconfortável e perco a concentração, diz.

Mas Bernardo segue à risca os conselhos que os pais, médicos, lhe dão: nunca deita de bruços. Para fazer as tarefas, ele apóia o caderno na perna. O rapaz garante que jamais sentiu uma dorzinha sequer nas costas. Mas também não passa muito tempo em cima dos livros. Tenho facilidade para aprender e consigo tirar notas boas, afirma. Goldenberg lembra que o mais importante é adaptar o ambiente ao corpo humano e não o contrário.

Além da postura, a idade, o tabagismo, o sobrepeso e a falta de exercício físico são fatores que aumentam o risco de lesões na coluna vertebral. Por isso, parar de fumar (ou nem começar!), emagrecer e fazer atividades físicas regularmente são essenciais para a saúde das costas.

Fonte: Correio Braziliense
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