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Produtor rural pode ter assessoria de alto nível de estudantes

      
Estudantes de agronomia interessados em pôr em prática o que aprendem na faculdade e agricultores que precisam de ajuda para iniciar ou melhorar sua atividade. Está dada a fórmula de atuação das empresas juniores, formadas por alunos de universidades públicas com o objetivo de, além de melhorar seu aprendizado, auxiliar produtores e interessados em ingressar no agronegócio a investirem com mais segurança. Com a vantagem de ser uma consultoria a preços acessíveis. As empresas juniores cobram, em média, R$ 30,00, pela hora de consultoria.

Os alunos-consultores auxiliam o produtor desde a compra da terra até o que produzir, baseado em estudos de mercado, e também como vender a produção. Os alunos fazem tudo com a assessoria dos professores da faculdade. Para o professor Everaldo Zonta, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a empresa júnior é uma forma de o aluno começar a ter contato prático com a profissão e estreitar relações com a universidade e com o produtor. O aluno tem uma formação muito melhor do que o que não participa, diz. E o produtor também sai ganhando. O cliente da empresa júnior recebe uma assistência técnica de altíssimo nível a um custo muito baixo.

Realidade - O professor de agronomia da Universidade Federal da Viçosa (MG), Ernani Agnes, concorda. ? o primeiro contato do aluno com a realidade, mas num momento em que ainda não tem efetivamente uma habilitação para tanto, por isso conta com o respaldo dos professores para desenvolver o projeto.

A procura por este tipo de consultoria vem crescendo. Nos últimos anos, o número de consultas triplicou, diz Zonta. O motivo, para ele, é simples: pessoas à procura de qualidade de vida. Vejo muitos casos de pessoas migrando da cidade para o campo em busca de uma vida menos estressante.

O presidente da Terra Jr., empresa júnior de agronomia da Universidade Federal de Lavras (MG), André Arnofti, que está no quinto ano de agronomia, acrescenta que a formação acadêmica das universidades está estritamente voltada para a parte técnica e teórica, o que não corresponde às necessidades do mercado. Antes da Terra Jr. o aluno não tinha tanta oportunidade de contato com a realidade profissional. As opções eram os estágios, algumas bolsas e cursos e visitas técnicas, mas nada constante.

Hoje, acredita, o aluno pode ter uma visão ampla da profissão, porque tem contato direto com o produtor.

Viabilidade - Várias universidades públicas formaram este serviço, por iniciativa dos próprios alunos. Uma delas é a Esalq Júnior Consultoria, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), criada há 12 anos. O atual presidente, Lucas Ricardo Pollon Pelissari, que está no segundo ano de agronomia, esclarece que a maior parte das consultas é sobre viabilidade econômica de determinada cultura ou criação, sendo a maioria dos clientes iniciantes no ramo agrícola. Temos muitos casos de pessoas que trabalham em outra área, não entendem nada de agricultura, e nos procuram para decidir o que fazer, diz. Podemos orientar desde a compra da área, fazer estudo de solo, clima, qual a cultura adequada para a região e se há mercado para vender o que será plantado ou criado.

O vice-presidente da Empresa Júnior de Viçosa, Leandro Bombachi, destaca ainda mais vantagens. O agricultor encontra mão-de-obra qualificada, com universitários que já têm alguma experiência, e por um custo bem mais baixo. A sistemática e a capacidade das empresas juniores na área agrícola são praticamente iguais. O que muda é a peculiaridade da cultura e interesses dos investidores de cada região. Temos muita procura para desenvolver projetos nas áreas de alimentos, horta comunitária e cultivos orgânico e hidropônico, diz a aluna de agronomia da UFRRJ Mirella Guida, integrante da AgroJr. da universidade.

Em Viçosa, os principais projetos foram os ligados aos programas Pró-Café, Pró-Milho e Pró-Goiaba. Bombachi, de Viçosa, detalha o mais recente, o da goiaba. Ele conta que alguns produtores do município de Paula Cândido, a 20 quilômetros de Viçosa, formaram uma cooperativa, mas precisavam de assistência porque não estavam conseguindo tornar viável e coordenar a lavoura. Alguns produtores já tinham plantação de goiaba. Outros queriam investir e parte queria desistir do negócio porque estava com dificuldades financeiras na entressafra, conta. Mas eles não estavam fazendo o manejo correto para colher a fruta o ano inteiro. Os alunos detectaram os problemas e estão desenvolvendo, agora, um projeto para a cooperativa.

A região de Piracicaba, onde fica a Esalq, é grande produtoras de cana-de-açúcar. Temos clientes produtores de cana, mas estes nos procuram porque querem investir em outros mercados, sem deixar a cana de lado, destaca Felipe Marques Bazzo, da Esalq Júnior e estudante do quarto ano de agronomia. Antes de investir em uma cultura diferente, o produtor prefere nos procurar.

Nesses casos, o mais indicado pelos consultores da Esalq é investir em uma cultura de maior valor agregado, ou seja, uma atividade simples, mas mais refinada e com melhor preço de mercado. Por exemplo, você consegue agregar valor no leite transformando-o em queijo ou iogurte. Outra dica, quando o produtor tem um espaço de pasto pequeno disponível, é investir em ovinocultura. Você não precisa de muito espaço e a carne tem mais valor no mercado, diz Bazzo.

Café - Experiência semelhante vivem os consultores da Terra Jr., de Lavras. A cultura mais tradicional na região é a de café, mas esta é a área menos procurada pelos produtores. A área mais procurada para darmos assessoria é a de citros. O perfil dos clientes em Lavras é de médios produtores que já têm alguma plantação e querem obter mais ganhos com ela ou diversificar. Atendemos recentemente a um produtor de citros. Ele tem 10 mil pés e quer aumentar para 35 mil pés. Vamos instalar um sistema de irrigação, fazer o manejo, análise de custos e orientá-lo sobre como aumentar a produtividade.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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