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O triste retrato do ensino superior

      
Ao avaliar o desenvolvimento do ensino superior brasileiro nos últimos cinco anos, o Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) chegou a uma constatação surpreendente. Entre 1998 e 2002, as instituições universitárias criaram, em média, seis novos cursos por dia. E, nesse ritmo, os estabelecimentos privados cresceram mais que os do setor público, concentrando hoje 70% dos 3,5 milhões de matrículas de graduação. Enquanto nas universidades privadas a expansão do número de alunos foi de 84%, nas públicas ela ficou em apenas 31%.

Segundo o Inep, as instituições particulares conseguiram esse avanço justamente onde o ensino público se revelou incapaz de cumprir sua função social. Ou seja, nos cursos noturnos, que são freqüentados pelos alunos que precisam trabalhar durante o dia. Nas universidades federais, 25% dos cursos são noturnos, contra 67% nas universidades privadas. Deste modo, em vez de contribuir para desconcentrar renda e dar formação de qualidade a quem não tem como custear os estudos, as instituições públicas fazem o oposto.

Embora o governo, a exemplo do anterior, pressione as universidades públicas a expandirem os cursos noturnos, os reitores alegam não ter recursos suficientes. Trata-se de um círculo vicioso, pois o Ministério da Educação, que já gasta 75% de seu orçamento com as universidades federais, se nega, com razão, a ampliar os repasses a esses estabelecimentos. E estes, com orçamento apertado e as restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, não têm condições de contratar mais professores e pagar hora extra dos servidores.

Por causa desse impasse e beneficiado pela expansão do ensino médio, o setor privado encontrou o caminho livre para crescer, a ponto de ter hoje uma ociosidade de 300 mil vagas. Mas, além do excesso de oferta e da alta inadimplência, que chegam a 35%, as particulares também enfrentam o problema da má qualidade do ensino. Como apenas 12% de seu corpo docente tem o título de doutor, a maioria de seus cursos sempre obtém os piores conceitos no Provão.

Essas distorções só tendem a prejudicar a formação das novas elites intelectuais e gerenciais de que o País necessita. Enquanto no setor público o alunado se destaca por seu caráter elitista, em termos socioeconômicos, nas privadas ocorre o contrário. Quando os estudantes têm condições de pagar mensalidade, a má educação recebida não os habilita a disputar um lugar na economia formal. Não é por acaso que, nos vestibulares, a média é de 9,5 candidatos por vaga nas universidades públicas, contra apenas 1,6 nas privadas.

O levantamento do Inep é o retrato mais fidedigno da tragédia de nosso ensino superior. E essa triste realidade não será mudada tão cedo, pois o ministro da Educação, longe de ser um técnico competente e capaz de alterá-la, está mostrando ser um dirigente inepto e loquaz, destacando-se mais pela frase feita e pelo anúncio diário de medidas inconsistentes do que pela formulação de políticas competentes e realistas.

Fonte: Jornal da Tarde
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