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Pólos de Produção de Alimentos da Amazônia

      

Pólos de produção de alimentos da Amazônia
Contato: Alex Polari de Alverga - Comunidade Céu do Mapiá - Projeto Cachoeira
alexpolari@yahoo.com

O primeiro Pólo de Produção de Alimentos da Amazônia teve sua origem na implantação, em 1994, de um núcleo comunitário no Sítio da Cachoeira, uma área de 400 hectares próxima da Vila Céu do Mapiá. Situada no Igarapé Mapiá, a vila pertence ao Município de Pauini, no Estado do Amazonas, região da Floresta Nacional do Purus. Ligado ao lnstituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra (IDA/Cefluris), o núcleo criou o Instituto do Sítio da Cachoeira - em fase de formalização - e vem se dedicando à construção de um programa de segurança alimentar e nutricional dirigido às comunidades ribeirinhas e à população da Floresta Nacional do Purus.

O programa, que combina o extrativismo com a agricultura ecológica para a obtenção de alimentos nutritivos e sadios, está integrado a uma proposta mais ampla, que inclui capacitação dos agricultores locais, promoção da saúde, inclusão social e cidadania.Atualmente, o trabalho no Sítio da Cachoeira gera trabalho e renda para 20 famílias - cerca de 100 pessoas entre adultos e crianças.A população da Vila Céu do Mapiá é de 600 habitantes e a da Floresta Nacional (Flona) é de cerca de 1.500 pessoas.

Desde o início, o núcleo dedicou-se à agricultura orgânica para a produção de alimentos e ao reflorestamento baseado na permacultura, com o plantio e a adaptação de sementes a partir de exemplares originários de vários lugares do mundo. Começou, também, um trabalho de pesquisa sobre técnicas ecológicas sustentáveis de manejo de solo com base em uma síntese entre os conhecimentos científicos e técnicos do núcleo e o saber das populações tradicionais. Os resultados vêm se traduzindo na sistematização de uma tecnologia de manejo florestal sem utilização de queimadas, com recuperação de solos e formação de agroflorestas em áreas já degradadas, e na utilização das praias do rio Purus, generosamente fertilizadas pelas cheias, para plantar alimentos na vazante. O reconhecimento do trabalho realizado pelo Ministério do Meio Ambiente valeu à Associação dos Moradores da Vila Céu de Mapiá o direito de gerir a utilização dos recursos da Floresta Nacional do Purus - estabelecido em acordo de cooperação técnica com o Ibama, recentemente renovado.

O Pólo de Produção do Sítio da Cachoeira teve seu início efetivo com a implantação da Casa de Alimentos, para a produção, beneficiamento e armazenagem dos produtos agrícolas e das atividades de coleta extrativista.A Casa do Alimento, além de posto de venda e de trocas, mantém um pequeno banco de sementes e se constitui em um centro de difusão de técnicas e de educação alimentar e nutricional para a comunidade e para as famílias ribeirinhas. Sua infra-estrutura inclui galpão, paiol, engenho para a produção de açúcar e melado, secadores de grãos, motores, canoas, tambores, lonas, ferramentas etc.

O Pólo de Produção de Alimentos do Purus começa a ser implantado - dois módulos foram implantados este ano, totalizando um hectare de praias na vazante do rio. O resultado permitirá comparar a produtividade e a relação custo-benefício entre as culturas nas praias, nos roçados de capoeira e na mata bruta. São cultivados arroz, milho, feijão, soja, amaranto, sorgo, trigo de verão, cevada perolada, milho amarelo e branco, feijão-de-corda, feijão azuki e de arranca, banana, abacaxi, coco, gergelim, jerimum, melancia, melão.

Os pólos de produção estão integrados com a Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), que mantém uma unidade de secagem de frutas tropicais e uma usina de extração de óleos vegetais no município vizinho de Boca do Acre. Eles têm capacidade para processar por dia 100 quilos de frutas ou legumes secos e extrair 60 litros de óleo vegetal - de andiroba, cacau, gergelim etc.

Resultados

  • A Casa do Alimento é utilizada pela comunidade e população do Igarapé para o beneficiamento das safras. São beneficiadas cerca de 25 toneladas de arroz por ano, além das culturas tradicionais de subsistência - milho, feijão, macaxeira - e das culturas experimentais, como cevada perolada, amaranto, sorgo branco, soja negra, gergelim etc. O grupo também vem pesquisando técnicas de desidratação de legumes e hortaliças para a confecção de sopas desidratadas.
  • Houve incremento da produção local de arroz branco e integral, bem como de cevada em grão.A comunidade já processa seus alimentos, produzindo farinha de arroz, fubá de milho, canjiquinha, farinha e farelo de arroz, farinhas de cevada, de macaxeira (comum e panificada), de banana comprida, de frutas secas e farinhas compostas de múltiplos cereais.
  • ? crescente a integração entre o trabalho desenvolvido nos pólos do Sítio da Cachoeira e da Praia do Purus com a unidade de secagem de frutas tropicais e a usina de extração de óleos vegetais.
  • As famílias direta ou indiretamente envolvidas com o projeto têm incorporado alimentos mais nutritivos e saudáveis à sua dieta.As ações de educação alimentar realizadas a partir da Casa do Alimento ou da escola, com as crianças, têm chegado às populações ribeirinhas.
  • O banco de sementes já conseguiu recuperar linhagens tradicionais e rústicas, que se encontravam enfraquecidas pela disseminação colonizadora das sementes híbridas.
  • O Pólo de Produção de Alimentos vem promovendo cursos de extensão e formação para agricultores, utilizando-se de técnicas de regeneração de solo pela decomposição da biomassa, com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Município de Pauini e do Projeto Arboreto, da Universidade Federal do Acre (UFAC).
  • Os moradores da região vêm desenvolvendo formas de organização e de associativismo e estão representados em entidades como a Associação de Produtores e Moradores do Médio Igarapé Mapiá (Apromim) e a Associação dos Produtores da Boca do Igarapé Mapiá (Aprobim), que, junto com o Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra e a Associação de Moradores da Vila Céu do Mapiá (AMVCM), formam a rede de entidades que atuam na Floresta Nacional.

    Fatores de sucesso

    Os pólos tiveram como base a experiência acumulada pela Associação dos Moradores do Sítio da Cachoeira e pelo IDA/Cefleuris, que já estão implantados na região e vêm desenvolvendo atividades em parceria com entidades e instituições locais e regionais.

    O trabalho de difusão e educação ambiental realizado e o desenvolvimento de tecnologia de manejo florestal têm sido reconhecidos pelo governo brasileiro e por organizações não-governamentais nacionais e internacionais, que têm chancelado ou apoiado com recursos materiais e humanos os projetos implantados.

    A Associação dos Moradores do Sítio da Cachoeira e o IDA/Cefleuris vêm firmando e renovando acordos de cooperação técnica com Ibama, Universidade de Viçosa,WWF (World Wide Fundation), Rede CTA (Consultant,Trader and Adviser), Fundação Healing Fource of Forest, Engenheiros sem Fronteiras, Instituto Nawa, entre outras, além de contar com donativos particulares.

    Desafios e possibilidades

    Aprimorar o trabalho desenvolvido para que sirva de referência para a elaboração de um Programa de Segurança Alimentar adaptado às condições em que vivem as populações das vilas e das florestas da Amazônia é o grande desafio.

    ? preciso transformar a Cozinha Comunitária na Vila Céu do Mapiá em um ponto de pesquisas sobre o aproveitamento dos produtos da região e de difusão de técnicas de preparação de alimentos para a comunidade. Faz parte desse projeto a construção de uma creche que ajude a liberar a mão-de-obra feminina.

    Pretende-se utilizar a Casa do Alimento como um núcleo para a criação de uma rede de pequenos produtores cada vez mais auto-suficientes, potencializando-os nas tarefas de comercialização da produção, bem como contribuir para a construção de um mercado de produtos extrativistas da Amazônia que garanta a auto-suficiência das populações da floresta.

    Um dos grandes desafios do trabalho numa área abandonada por muitos anos pelo poder público é obter recursos para suprir necessidades básicas do cidadão, como acesso à educação e atenção à saúde. A única escola do Igarapé fechou por falta de professor e de um barco para o transporte das crianças. ? alta a incidência de moléstias tropicais, como malária, hepatite B e C, leishmaniose.


    Ações de segurança alimentar na esfera da produção
    Assentamento e exploração coletiva da terra - Paranaciti (PR)
    Pólos de produção de alimentos da Amazônia - Pauini (AM)
    Processamento artesanal de pescado - Barra do Furado (RJ)
    Centro ecológico - Rio Grande do Sul

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