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Assentamento e exploração coletiva da terra

      

Pouca terra para dividir e muita gente para alimentar. Esse foi o grande desafio das 25 famílias do assentamento Santa Maria, que ocupam uma área de 230 hectares, próximo da região urbana de Paranaciti, município de 10 mil habitantes do interior do Paraná. A experiência teve início em 1993, com a ocupação do terreno. No ano seguinte foi criada a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), que, como as demais cooperativas de projetos de reforma agrária, filia individualmente os homens, as mulheres e os jovens dos assentamentos.

Como a área era pequena e comportaria apenas 12 famílias se fosse dividida em lotes individuais, a cooperativa optou pela exploração coletiva da terra e dos demais recursos produtivos e de parte da infra-estrutura necessária ao cotidiano das famílias.A implantação de um restaurante coletivo liberou as famílias de tarefas domésticas que, em geral, recãm sobre as mulheres, permitindo sua integração de forma mais igualitária no projeto.

O gerenciamento das atividades é feito pela diretoria da cooperativa, mas todos os associados, sejam homens, mulheres, jovens, adultos ou velhos, participam ativamente das discussões e dos encaminhamentos definidos. Um agrônomo e um veterinário prestam serviços ao assentamento.

Todos os participantes recebem um salário mensal correspondente às horas trabalhadas, pago com uma percentagem do valor obtido com a venda dos produtos - outra parte é destinada a investimentos e a saldar outros compromissos financeiros. Parte dos recursos financeiros necessários para implantar e manter o projeto foi obtida a fundo perdido; outra parcela veio de um fundo rotativo mantido pelo Assessorar - ONG que atua no interior do Paraná, apoiando pequenos produtores.A Copavi contou, também, com recursos do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera).A ONG espanhola Grupo de Cooperação Campos de Terraço apoiou a implantação da agroindústria de processamento de banana.

Resultados

  • O assentamento mantém atividades produtivas bem diversificadas, orientadas para a agroecologia, com a utilização de adubação verde e orgânica.
  • São desenvolvidas a pecuária leiteira, com a produção de 750 litros de leite por dia com a utilização de ordenha mecânica; a suinocultura e a avicultura com abatedouro de frangos e de suínos e uma câmara fria; horticultura; bananicultura; produção de mandioca e de cana.
  • Uma pequena agroindústria processa boa parte da produção. Os principais produtos são os laticínios e doce de leite; derivados de cana, como açúcar mascavo, melado, rapadura e aguardente; banana passa e doces de banana.A produção de bananas passa, projeto desenvolvido em convênio com a ONG espanhola Grupo de Cooperação Campos de Terraço, utiliza energia solar.
  • Os produtos são comercializados em lojas de produtos naturais em grandes cidades, como São Paulo, Curitiba, Londrina e Maringá, entre outras.

    Fatores de sucesso

    Considerando a total descapitalização das famílias que participam dos assentamentos do MST, os créditos a fundo perdido ou subsidiados com juros baixos e de fácil acesso foram vitais para viabilizar o projeto, tanto nos investimentos iniciais como para o custeio da safra.

    A organização interna da comunidade também deve ser ressaltada, pois é um fator que garante unidade na condução do projeto e disciplina na realização das tarefas.

    A implantação de um refeitório coletivo foi determinante para a integração das mulheres em condições de igualdade nos processos decisórios e também nas tarefas da produção.

    A instalação de uma agroindústria local para o processamento de parte da produção permitiu agregar valor aos produtos do assentamento e ampliar as oportunidades de comercialização.

    Desafios e possibilidades

    O acesso ao crédito para o financiamento da produção é difícil e instável. Não existem canais de comercialização para as cooperativas de assentados que mantenham empreendimentos agrícolas ou agroindustriais. Esses pequenos empreendimentos têm de trilhar os mesmos caminhos e precisam disputar espaço com grandes produtores nacionais e até internacionais. O processamento de cana-de-açúcar precisa de novos equipamentos para melhorar a qualidade e ampliar o leque de produtos.


    Ações de segurança alimentar na esfera da produção
    Assentamento e exploração coletiva da terra - Paranaciti (PR)
    Pólos de produção de alimentos da Amazônia - Pauini (AM)
    Processamento artesanal de pescado - Barra do Furado (RJ)
    Centro ecológico - Rio Grande do Sul

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