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Agricultura Orgânica

      

Agricultura Orgânicaÿ

Contato: Yara Maria Chagas de Carvalhoÿ - Associação de Agricultura Orgânicaÿ yacarvalho@iea.sp.gov.br
Site: AAO

A Associação de Agricultura Orgânica (AAO) surgiu em 1989, em São Paulo, por iniciativa de um grupo de profissionais liberais, pesquisadores e produtores que já praticavam essa forma de agricultura ou que a propunham como alternativa de produção.A entidade, de âmbito nacional, mas com maior número de sócios na Região Sudeste, dedica-se à promoção e ao fomento da agricultura orgânica, à construção de canais de comercialização para esses produtos, à educação ambiental de produtores e consumidores e à divulgação de que é possível produzir alimentos sadios, preservando o equilíbrio ambiental.

Os produtores associados da AAO obedecem a determinadas normas, como a não utilização de insumos agroquímicos ou de máquinas pesadas para o manejo do solo. Produzem alimentos saudáveis, procurando manter o solo rico em matéria orgânica e em organismos vivos. Dão atenção à preservação dos mananciais e das matas ciliares, da biodiversidade e do equilíbrio da cadeia alimentar.

O primeiro canal de comercialização da AAO foi a Feira do Produtor Orgânico, inaugurada em 1991 e realizada todos os sábados no Parque da água Branca, em São Paulo.Até então, a comercialização de produtos orgânicos ocorria apenas por iniciativa de alguns poucos produtores individuais, que vendiam cestas de produtos. Inicialmente, a feira contou com a participação de oito agricultores e quatro apicultores, todos rigorosamente selecionados.

O sucesso imediato da feira indicou que havia um grande mercado para produtos orgânicos.Aos poucos, mais produtores aproximaram-se da AAO. Feiras de produtos orgânicos surgiram em vários pontos da capital.Algumas se mantiveram, como Alphaville e Ibirapuera, e surgiram novas, como a do Parque Celso Daniel, em Santo André.O comércio de cestas de produtos também foi impulsionado, com a organização de uma feira semanal - o Mercadão -, às terças-feiras, no Parque da água Branca.

A partir de 1995, a AAO passou a certificar a produção orgânica, fornecendo um selo de qualidade aos produtos selecionados. Essa iniciativa abriu as portas das grandes cadeias de supermercado.A demanda por produtos orgânicos cresceu rapidamente. Por muito tempo, e até recentemente, a AAO foi a única agência certificadora dos produtos orgânicos presentes nos supermercados paulistas.

Em 2002, seguindo regulamentações do mercado internacional, a AAO desmembrou suas atividades. Manteve a atuação nas áreas de fomento à agricultura orgânica e de incentivo à comercialização, enquanto a certificação passou a ser realizada por uma entidade independente, a AAOcert.

Resultados

  • Em seus quase 14 anos de atividade, a AAO criou parâmetros teóricos e técnicos para a avaliação de processos produtivos e dos produtos da agricultura orgânica. O resultado está consolidado nas Normas Técnicas de Produção - uma parceria inicial entre a AAO e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).As normas são constantemente atualizadas e servem de base para o processo de certificação realizado pela AAOcert.
  • Desde a primeira Feira do Produtor Orgânico, em 1991, o mercado para produtos orgânicos vem crescendo, segundo a AAO, acima do padrão internacional, que é de 20% ao ano. Em 1996, a AAO possuía 26 produtores certificados associados e as feiras de produtores eram o principal canal de comercialização. Em 2000, a entidade chegou aos 600 produtores certificados e o principal canal de comercialização passou a ser o supermercado.A venda direta para restaurantes e lojas de produtos naturais também cresceu, bem como a distribuição de cestas para os consumidores, diretamente ou por meio de distribuidores.
  • Atualmente, a AAO tem cerca de 2 mil sócios cadastrados, dos quais 300 mantêm suas contribuições financeiras com regularidade.A AAOcert confere o selo de qualidade para 500 agricultores orgânicos que comercializam seus produtos no mercado brasileiro.
  • A AAO mantém um trabalho de fomento junto a agricultores descapitalizados. Desenvolveu projetos de capacitação em agricultura orgânica no Vale do Ribeira, em Amparo e na região de Ibiúna-Piedade, no interior de São Paulo, que têm resultado na incorporação de um número crescente de pequenos agricultores à proposta.

    Fatores de sucesso

    Alimentos saudáveis, produzidos sem agressões ao meio ambiente, têm encontrado grande receptividade junto à população - esse é o principal fator de sucesso da agricultura orgânica e de sua demanda crescente.

    A garantia da qualidade por meio do processo de certificação tem expandido os canais de comercialização e criado novos desafios, como o de manter os ideais do movimento orgânico dentro do mercado impessoal.

    O apoio da Secretaria do Abastecimento de São Paulo foi determinante para viabilizar a organização da AAO e a implantação da primeira Feira do Produtor Orgânico.A Secretaria cedeu espaço no Parque da água Branca para a sede da entidade e para a realização da feira, sem cobrar taxas. O mesmo vem ocorrendo no Município de Santo André.

    O encontro semanal entre produtores orgânicos para a venda de seus produtos foi um marco para o fortalecimento dos laços de solidariedade entre eles e do próprio movimento de agricultura orgânica, permitindo sua sobrevivência enquanto opção de produção.

    A parceria e o apoio de técnicos e de centros de pesquisa e de extensão rural do setor público nas esferas estaduais e federal têm sido fundamental para os avanços da agricultura orgânica e para a existência da AAO. Atividades são desenvolvidas em parceria com instituições ligadas à Secretaria do Abastecimento, como Instituto de Economia Agrícola; Instituto Biológico; Coordenadoria de Assistência Técnica Integral; Instituto Agronômico de Campinas, particularmente a estação de São Roque; Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, particularmente Escola Técnica Estadual Martinho Di Ciero, de Itu; além de Embrapa e Instituto de Terras do Estado de São Paulo.

    Desafios e possibilidades

    O preço mais elevado dos produtos orgânicos é a forma de remunerar dignamente os produtores e suas famílias, tornando a atividade compensadora. No entanto, ampliar a oferta de produtos orgânicos, com preços acessíveis aos segmentos sociais de baixa renda, é um desafio constante para a AAO. Para isso, a entidade procura manter programas específicos de fomento à agricultura urbana, para implementação de hortas e pomares comunitários que, além de contribuírem para a subsistência, possam gerar renda pela venda do excedente.

    Um dos desafios permanentes da AAO é ampliar suas atividades de fomento da produção orgânica junto a agricultores descapitalizados. Entre esses, a prioridade atual da entidade é o trabalho envolvendo produtores de áreas de mananciais. No entanto, a pouca divulgação das práticas entre os pequenos agricultores e a falta de uma assessoria técnica para a implantação de projetos são fatores limitantes para a expansão dessa forma de agricultura. O desafio aqui é encontrar novas parcerias que viabilizem projetos de divulgação, de educação ambiental e de capacitação de um corpo técnico capaz de assessorar esses agricultores.

    O desenvolvimento de projetos de agricultura orgânica em parceria com movimentos sociais locais e prefeituras tem encontrado grande dificuldade de expansão em função da falta de recursos para o desenvolvimento de projetos.

    Para que os produtos orgânicos possam ser certificados precisam adequar seus processos produtivos aos padrões estabelecidos pelas certificadoras.A AAOcert se propõe a atender e a orientar esse público, buscando formas de subsídio que possam cobrir os altos custos desse processo.

    Embora a AAO tenha participado do processo pioneiro de elaborar normas técnicas para a avaliação da produção orgânica no País, esse trabalho ainda precisa ser aprofundado. Faltam estudos que permitam elaborar normas específicas que contemplem a diversidade dos ecossistemas brasileiros, em particular o da Mata Atlântica e o da Floresta Amazônica, e também a diversidade cultural, como a produção indígena e dos quilombolas.

    Outro grande desafio da AAO é criar canais mais permanentes de contato entre consumidores e produtores. Numa proposta de agricultura orgânica, os consumidores têm o papel de regular o mercado e controlar a qualidade. Para que isso ocorra, caberia às entidades como a AAO e a AAOcert construir canais de participação dos consumidores e divulgá-los.

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