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Notícias

Centro Ecológico

      

Programa um milhão de cisternas ÿ

Contato: Ana Meirelles - Centro Ecológico do Rio Grande do Sulÿ centro.litoral@terra.com.br

O trabalho que deu origem ao Centro Ecológico remonta a meados da década de 1980, um período de intensa mobilização dos ambientalistas gaúchos contra o uso de agrotóxicos. Na época, o desafio era construir experiências concretas que demonstrassem a viabilidade da agricultura ecológica enquanto alternativa de produção no Brasil. Com esse objetivo, um grupo de técnicos vinculados ao movimento ecológico gaúcho criou, em 1985, o Projeto Vacaria: um centro de produção, demonstração e experimentação de práticas agrícolas alternativas instalado numa propriedade rural de 70 hectares na Serra Gaúcha.

Agricultura ecológica - Conjunto de técnicas e de sistemas de manejo voltado para a produção de alimentos diversificados, sadios, de alto valor biológico e que causem o menor impacto possível sobre o meio ambiente.

Caracteriza-se por pouco ou nenhum uso de máquinas pesadas e de combustíveis fósseis, condenando o uso de agroquímicos pelos danos causados ao ambiente e à vida, mantendo a diversidade biológica como fator de incremento da fertilidade dos solos e respeitando a integridade cultural dos agricultores.

A partir do final dos anos de 1980, surgem as primeiras Associações de Agricultores Ecologistas (Aãs) nos municípios de Ipê e Antônio Prado, organizadas com o apoio dos técnicos do Projeto Vacaria, da Pastoral Rural de Antônio Prado e do recém-implantado escritório municipal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Ipê.

Nesse mesmo período, a organização dos agricultores ecologistas e a construção de canais alternativos de comercialização começaram a tomar corpo no estado.A primeira Feira Ecológica organizada em Porto Alegre, em 1989, em parceria com a Cooperativa Coolméia e com o apoio do poder público municipal, estimulou o surgimento de outras feiras em vários pontos do Rio Grande do Sul.

Na safra 1990/1991, foi implantada também a primeira agroindústria de produtos ecológicos da região da Serra vinculada à Associação dos Agricultores Ecologistas de Ipê e Antônio Prado.

A disseminação de práticas e tecnologias baseadas em princípios ecológicos de manejo dos agroecossistemas mantém-se como o eixo fundamental de intervenção do Centro Ecológico. No entanto, seu trabalho se diversificou e, atualmente, concentra-se em sete programas: manejo ecológico dos sistemas produtivos, sistemas agroflorestais, resgate e manejo da biodiversidade agrícola e alimentar, agroindústria familiar, redes alternativas de circulação de produtos ecológicos, processos de aprendizagem e construção do conhecimento em agricultura ecológica.

O Centro Ecológico atua em duas regiões distintas do Estado do Rio Grande do Sul: a Serra e o Litoral Norte, desenvolvendo assessoria a grupos de agricultores em 12 municípios.A comercialização dos produtos é feita em diferentes cidades gaúchas - Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, entre outras - e em outras capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis.

Resultados

  • Ampliação do número de agricultores envolvidos na produção, processamento e comercialização de produtos ecológicos. No início dos anos de 1990, o Centro Ecológico assessorava cerca de 20 famílias de Ipê e Antônio Prado. No final de 2002, já eram 260 famílias de agricultores ecologistas, organizadas em 26 grupos informais e associações e em duas cooperativas de produção. O Centro também assessora quatro cooperativas de consumidores, com 317 associados, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
  • O manejo ecológico dos diferentes sistemas de cultivo e criação integra-se à constituição de sistemas produtivos integrados, ricos em biodiversidade e com uma baixa dependência em relação a insumos externos.
  • Qualificação da produção ecológica artesanal caseira e estruturação de agroindústrias familiares de pequeno porte localizadas nas propriedades dos agricultores.A linha de processados ecológicos inclui mais de 50 produtos registrados: sucos, néctar de frutas diversas, derivados de tomate, doces e geléias, passas de banana, massas e biscoitos, entre outros.
  • Foram construídos canais abrangentes de comercialização para cerca de 112 produtos. O contato direto entre produtores e consumidores minimiza a presença de atravessadores, com vantagens para agricultores e consumidores. Os preços, em geral mais baixos do que os praticados pelos supermercados para os produtos orgânicos, permitem que o produto ecológico seja uma alternativa viável de abastecimento para um amplo segmento da população.
  • Hoje existem quatro feiras semanais em Porto Alegre e Caxias do Sul e diversas pequenas feiras em localidades menores, atingindo em torno de 21 mil consumidores. Os produtos ecológicos também são comercializados diretamente ao consumidor, em diferentes pontos de oferta em Porto Alegre e Caxias do Sul.
  • Fornecimento de produtos da agroindústria familiar ecológica à merenda escolar, atendendo cerca de 358 mil alunos de escolas estaduais, em 56 municípios gaúchos (dados de 2002).
  • Construção da Rede Ecovida de Agroecologia, junto com outras ONGs.A rede articula grupos, associações, cooperativas de produção, cooperativas de consumo, entidades de assessoria e profissionais autônomos envolvidos na produção, processamento e comercialização de produtos ecológicos. Está presente no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e mantém 18 núcleos regionais.

    Fatores de sucesso

    A articulação estabelecida entre a produção, o processamento e a comercialização de produtos ecológicos têm impacto positivo sobre a renda dos agricultores.

    A organização dos produtores em rede e demonstra a capacidade de produzir de forma solidária.

    Há um leque de parcerias estabelecidas: Pastoral da Terra, órgãos públicos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), agências de cooperação internacional e outras ONGs que trabalham com agricultura ecológica etc.

    O respeito e a valorização da cultura dos agricultores são princípios-chave para a estruturação do trabalho.

    O Centro aposta na construção de canais alternativos de circulação de mercadorias e na parceria produtor-consumidor.

    A forma gradual com que os agricultores vêm investindo em suas propriedades permite ajustes contínuos entre a produção e o mercado.

    Desafios e possibilidades

    Desafios e possibilidades A proeminência no Brasil de um modelo tecnológico de agricultura altamente dependente de combustíveis fósseis e insumos químicos, respaldado pelas políticas de Estado, é um fator que atua de forma contrária à expansão da agricultura ecológica.

    A expansão da agricultura ecológica depende de políticas produtivas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e ecológica, bem como de políticas de abastecimento e de segurança alimentar que fortaleçam os mercados locais e a proximidade entre produtores e consumidores.

    A baixa disponibilidade de mão-de-obra nos estabelecimentos agrícolas de base familiar é um fator de limitação.Além das tarefas da produção, os agricultores ficam sobrecarregados pelas atividades de gerenciamento da comercialização.A solução seria a construção de centrais de comercialização que possam assumir desde a compra de embalagens até a distribuição dos produtos. Políticas específicas visando estimular a permanência dos jovens no meio rural poderiam contribuir, também, no sentido de ampliar a força de trabalho hoje existente em nível dos estabelecimentos agrícolas.

    ? crescente no Brasil a demanda por "produtos limpos". No entanto, a grande maioria das Associações de Agricultores Ecologistas trabalha com o mercado das feiras e pontos de oferta e com volumes relativamente pequenos.A entrada em novos mercados exigiria uma capacidade muito maior de agregação da produção, tanto em quantidade como em diversidade, e um formato organizacional capaz de viabilizar esse processo, garantindo ao mesmo tempo o controle dos produtores sobre as condições de comercialização de seu produto.

    A ampliação e o aprofundamento dessas experiências requerem mecanismos de financiamento para novos projetos, tanto para investimentos em infra-estrutura quanto para o fortalecimento técnico e institucional das organizações.

    O Centro Ecológico foi premiado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, juntamente com outras ONGs, em 1999, pelo trabalho desenvolvido no campo da agroecologia.


    Ações de segurança alimentar na esfera da produção
    Assentamento e exploração coletiva da terra - Paranaciti (PR)
    Pólos de produção de alimentos da Amazônia - Pauini (AM)
    Processamento artesanal de pescado - Barra do Furado (RJ)
    Centro ecológico - Rio Grande do Sul

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