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Executivos buscam cursos para lapidar o lado empreendedor

      
Depois de ter ocupado o cargo de presidente da Fotoptica, Michel Brull decidiu experimentar o gosto de ser franqueado

O executivo paulistano Michel Brull, de 46 anos, nunca imaginou a complexidade existente no processo de fazer ligações interurbanas. Muito menos a quantidade de informações necessárias para se realizar cadastros bancários. Registrar funcionários no sindicato, gastar preciosas horas na fila de uma agência dos correios e outras tantas tarefas operacionais, jamais estiveram na lista de preocupações desse administrador de empresas ao longo de sua vida corporativa. Mas a rotina de Brull mudou por completo em junho deste ano, quando decidiu sair do cargo de presidente e trocar longas reuniões de conselho, balanços financeiros e tomadas de decisões estratégicas pelas incertezas do próprio negócio. Ele montou três franquias da empresa que antes dirigia, a Fotoptica, uma das maiores redes de foto e óptica do país. Agora, comanda suas lojas próprias em Campinas e no interior de São Paulo.

Estou absolutamente feliz. Nem os sete quilos perdidos em menos de dois meses me fariam optar pelo caminho de volta, diz ele. · frente da presidência da Fotoptica desde 2001, Michel Brull deu um passo definitivo em sua vida profissional ao enveredar de vez pela veia empreendedora. O desejo, segundo ele, sempre existiu. A partir do momento em que literalmente buscou estudar o assunto, fez um curso sobre empreendedorismo e inovação, não hesitou em investir no vôo solo. A instabilidade e os desafios só aumentam a minha dedicação e a vontade de acertar, diz.

Brull não é o único executivo a apostar no empreendedorismo. Em face a um cenário econômico com poucas alternativas, o sonho da liberdade pode ser a escolha certeira. E também uma solução eficaz. Prova disso está no comportamento dos executivos que buscam, por exemplo, pensar suas respectivas carreiras. Karin Parodi, sócia do Career Center, voltada ao aconselhamento profissional, diariamente, atende profissionais que ocupam posições de destaque para detectar - ou não - afinidades com o mundo empreendedor. Para a psicóloga, independência, vontade de correr riscos calculados, dedicação total, paciência para esperar o negócio alavancar, habilidade para vendas e um sócio ideal podem ser considerados itens fundamentais para fazer alguém migrar do mundo corporativo para o empreendedor. Abrir um negócio no mercado em que o profissional tenha conhecimento é outro ponto fundamental, diz.

Foi exatamente o que decidiu fazer o mineiro Helder Santos. Aos 35 anos, o executivo, de fato, percorreu todas as etapas sugeridas por Karin. O resultado pode ser comprovado com a Ventura Intelligence, sua start up que há quatro meses ganhou vida. Empresa de inteligência de mercado com proposta de auxiliar diretores de marketing ou vendas na identificação de novas oportunidades, produtos e serviços, a Ventura é fruto da experiência adquirida por esse engenheiro nos anos em que trabalhou na Ericsson.

Tive a chance de criar uma área dentro da companhia e essa experiência despertou em mim a vontade de empreender, diz. Para transformar o aprendizado numa real oportunidade, Santos buscou maturar - e muito - a idéia. E mais: ao voltar para a sala de aula sentiu-se pronto para assumir o desafio. Ter a visão de que o negócio tem chance de dar certo por intuição é bem diferente de traçar um plano estratégico e executá-lo passo a passo, de maneira a minimizar as chances de erros, diz. Essa metodologia eu aprendi não apenas com a prática corporativa, mas no curso voltado para o empreendedorismo.

Helder Santos tem razão. Os cursos oferecidos pelas escolas especializadas em educação executiva sinalizam o interesse (e a carência) do público pelo tema. A grade com ênfase no universo empreendedor comprova essa percepção, uma vez que está presente em boa parte delas. No projeto de educação continuada da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), por exemplo, há algumas versões, como Empreendedorismo corporativo, com duração de um ano, e o semestral Empreendedorismo e criação de novos negócios. A Business School São Paulo (BSP) também elaborou três cursos de pequena duração: Empreendedorismo e inovação, Marketing para empreendedores e Finanças para empreendedores - duram aproximadamente dois meses. Além desses, os MBAs da escola já oferecem aos alunos a disciplina empreendedorismo. Segundo Marcos Gregório, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Inovação (CEI) da BSP, a procura por esse tipo de saber cresce gradativamente desde a criação do instituto, em 2001.

Para atender a comunidade executiva, Gregório lançou juntamente com Heitor Peixoto, fundador da escola, uma série de eventos mensais que discutem os principais percalços no caminho de um empreendedor. Trata-se de fóruns gratuitos que acontecem sempre na última terça-feira do mês, na sede da BSP - o próximo está marcado para o dia 25 de novembro. Dicas jurídicas, comentários de investidores, a elaboração de um plano de negócios, do plano de marketing. Eis alguns dos itens que já estiveram em pauta nos workshops. A intenção é mostrar os passos a serem seguidos quando se decide montar o próprio negócio, diz Gregório. Para Peixoto, além da conjuntura econômica, a falta de planejamento, a inabilidade de gerir o caixa e a falta de dedicação em tempo integral são, sem dúvida, são os inimigos do sucesso.

Quem também está preocupado com o preparo dos futuros empreendedores é o Instituto Empreender Endeavor, cuja missão consiste em gerar emprego e renda por meio do fomento à cultura empreendedora baseada em oportunidade e inovação. Para isso, essa organização não governamental, no Brasil desde 2000, realiza uma série de eventos para estimular a reflexão. Semanalmente, em São Paulo, são realizados workshops com objetivo de mudar as estatísticas brasileiras no que diz respeito ao empreendedorismo: pelo menos 30% das firmas abertas no país fecham suas portas antes de completar seis anos de vida, de acordo com os dados do Sebrã-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas empresas de São Paulo). Sucessão em empresas familiares, plano de negócios, capital de risco e financiamento são temas da lista de debates, que conta com a presença de renomados executivos.

Outra forma de a Endeavor preencher a lacuna empreendedora no país se dá por meio de parcerias corporativas. Muitas são as empresas-parceiras - Grupo Pão de Açúcar, Natura, China in Box, IBM, NET Serviços e Oracle, só para citar algumas. A missão dos profissionais-voluntários transcende a participação nos eventos, como CEO Summit e a Conferência Endeavor Anprote, que acontecem ainda este ano na capital paulista. Eles também atuam como legítimos consultores daqueles que têm projetos acolhidos pela ONG. A formação de novos empreendedores está diretamente ligada à geração de empregos e cabe às empresas socialmente responsáveis contribuir para o fomento do empreendedorismo no país, diz Ciro Kawamurar, diretor de marketing e produtos da NET, parceiro da Endeavor.

Fonte: Valor Econômico
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