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Projeto prepara carente para vestibular

      
Ao perceberem que alguns alunos ficavam desmotivados ao final do 3º ano do Ensino Médio, sem perspectiva de seguir em frente com os estudos, professores da Escola Estadual Cristiano de Souza, da periferia de Lavras, no Sul de Minas, tiveram a idéia de montar na própria instituição um curso pré-vestibular, que batizaram de Reconstrução dos conteúdos vividos na vida escolar. O projeto foi colocado em prática há três anos, e, a partir de então, acreditam os professores, os alunos do Ensino Médio passaram a sonhar com uma oportunidade no vestibular.

Todo o trabalho de preparo dos alunos é feito por professores voluntários da própria instituição de ensino e outros da cidade, que, convidados a colaborar, toparam o desafio. A Escola Estadual Cristiano de Souza aprovou, através de seu colegiado, o empréstimo de duas salas para as aulas noturnas de duas turmas de 50 alu nos. Eles estudam de segunda a sexta-feira, das 19 horas às 22h50.

Em três anos, mais de 300 alunos já passaram pelas salas de aula do projeto e dezenas deles entraram para cursos superiores existentes na cidade. ? tudo um imenso desafio, mas, quando os dois lados se empenham, acaba dando certo, acredita a professora Alayde Maria de Souza Sena, uma das idealizadoras do projeto. De acordo com ela, no começo foi mais difícil porque praticamente todos os professores voluntários eram pessoas muito ocupadas, que davam aulas em outros colégios e tinham pouquíssimo tempo para se dedicar às aulas. Era um desafio ajustar os horários deles, lembra.

Depois do primeiro ano de aulas e com o ingresso na universidade dos primeiros alu nos aprovados, surgiu uma nova alternativa. Os próprios ex-alunos do curso preparatório do vestibular, já universitários, se ofereceram para ajudar no projeto, reservando algumas horas para ensinar quem está na linha de frente dessa empreitada. Hoje, temos alunos fazendo Engenharia Agrícola, Educação Física e Química, que voltam à escola duas, três vezes por semana, à noite, para dar aulas de matérias com as quais eles têm afinidade para quem se prepara para o vestibular, conta Alayde.

A diretora da escola, Angela Maria de Resende, acha que todos ganharam com a experiência. Lavras é uma cidade universitária, onde se respira esse clima de estudo, de vestibular, de curso superior. E estudante daqui, que por dificuldades financeiras não enxerga essa possibilidade para ele, fica meio que fora dessa engrenagem, se sente excluído. O fato de vermos os alunos da nossa escola, que é uma instituição de periferia, de um bairro populoso e pobre, ago ra poderem também sonhar com a universidade foi algo que nos trouxe uma alegria indescritível. Hoje, eles também se sentem no direito de sonhar com o futuro, diz.

Ex-aluno retorna e ensina a quem precisa
Edimar Fornazani Garcia, 24 anos, é um dos ex-alunos da Escola Estadual Cristiano Machado que encarou o desafio e hoje ocupa sua cadeira no 4º período do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Com bom aproveitamento das aulas na faculdade, Garcia incluiu na sua agenda de compromissos diários o tempo em que se dedica aos alunos da Escola Cristiano de Souza, que, como ele, sonham com uma vaga no Ensino Superior.

O universitário dá aulas de física para duas turmas de 50 alunos da escola e diz que se sente muito bem podendo ajudar. Meu caso é especial porque passei pela mesma ansiedade deles. Há uma identificação de causa, então, pro curo me dedicar ao máximo, fazendo tudo que posso para passar a eles o domínio na matéria que ensino, diz. Edimar Garcia conta que além de alunos do Bairro Nova Lavras, onde está situada a Escola Cristiano Machado, há aqueles que vêm de outros bairros distantes atrás das aulas do curso preparatório para o vestibular.

São jovens muito empenhados, que se dedicam com afinco ao estudo e têm tudo para ser ótimos profissionais. Só precisam mesmo de uma oportunidade, lembra. A procura pelo curso por alunos de outras partes da cidade, na avaliação de Edimar Garcia, deve-se à credibilidade que vem alcançando entre a comunidade estudantil a cada semestre. Em todo vestibular entra uma leva de alunos, abrimos novas vagas e a procura aumenta, revela. Edimar aponta que quando terminou o Ensino Médio ainda não havia o curso preparatório na sua escola e ele ficou três anos tentando vestibular. Cheguei a passar na primeira etapa na UFMG, a ser bem colocado aqui na Ufla, mas não dava para entrar. O cursinho foi decisivo para mim. Não aguentava mais estudar sozinho e não tinha um aproveitamento tão bom. Depois que fiz o curso aqui, entrei de primeira, lembra.

A gratificação por estar ajudando outros jovens a passar pela alegria que ele já experimentou move o ex-aluno da escola. Ele garante que não pretende deixar de atuar como voluntário do curso nem quando se formar. Enquanto estiver por aqui, vou continuar dando aulas para os vestibulandos, diz.

Fonte: Hoje em Dia
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