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Notícias

Portinari na passarela

      
O pintor Cândido Portinari, o Candinho, adorava suspensórios, gravatas e abotoaduras. A mesma originalidade da pintura recaía no figurino pessoal em coletes-fantasia de cores luminosas. Essas e outras referências da obras do artista - que celebraria em 2003 seu centenário -, inspiraram a coleção de 31 criações de alunos do curso de Design de Moda, da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). No desfile, Customizarte, eles apresentam hoje, às 20h30, um trabalho que remete a telas como Raízes, Baile na Roça, Meninos Soltando Pipas e Café.

Como atração à parte, sobem na passarela professores da faculdade, de várias áreas, e não modelos profissionais. A proposta interdisciplinar feita com alunos do 2º período de Design objetiva o estímulo à criatividade, repasse de conhecimentos e valorização da troca com o ser humano, agregando valores ao produto roupa, explica a coordenadora Meire Santos.

Por isso, o projeto mesclou customização (interferências na modelagem, aplicação de acessórios e detalhes) de roupas usadas com a obra de Portinari e visitas a instituições filantrópicas. Meire Santos diz que o resultado, surpreendeu e superou as expectativas iniciais. Grande parte dos alunos ensinou pessoas de baixa renda a customizar peças doadas, até com intuito de venda, a exemplo do que está fazendo a Associação Servos de Deus em Trindade.

Pipas na criação de Suely Calafiori Leitura moderna
A estudante Odaléa Bueno, 29 anos, sentiu-se fisgada pela tela Baile na Roça, de 1924. Me identifiquei com a alegria, o momento festivo. A partir daí, ela desconstruiu um vestido de liganete com estampa floral, sobrepondo uma musseline preta, remodelando a peça quase que totalmente. Fui fazendo interferências, aplicação de flores delicadas. No final, a peça se transformou em um vestido de festa, com uma leitura atual, onde a cor preta predomina.

Meninos Soltando Pipa, de 1943, foi o quadro que captou o olhar da estudante Suely Calafiori, 36 anos. Fui atraída pelo bucolismo. Portinari expressa uma criança pobre, porém cheia de sonhos, destaca ela, que estilizou esse universo em rabiolas em musseline azul. Sem medo de ousar, Suely deu interpretação moderna às duas peças escolhidas: uma blusa e uma calça estilo corsário preta, em lycra.

Suely aplicou também pãtês. Retalhos de lycra amarelo e laranja em fuxico dão forma à pipa, na blusa que perdeu uma das mangas. Por fim, sobrepõs as rabiolas na saia estilo balonê. O projeto prova que se pode usar mais referências brasileiras nas coleções de moda. Não só o folclore. Foram feitas pesquisas de comportamento das décadas de 30 e 40, um aprendizado em várias dimensões.

Formas voluptuosas
O ambiente rural das fazendas do Brasil Colonial dá vida ao quadro Café, de 1935. Nele, Portinari explora ao máximo as dimensões amplas de mãos e pés dos escravos. São traços que retratam a ligação do homem com a natureza, frisa a estudante Isabel Rocha, 27 anos, que buscou reproduzir essas formas voluptuosas em duas peças: calça e blusa. Na primeira, usou a técnica de tie-die (descoloração), até chegar a um tom marrom. Trabalhou ainda com elástico para conseguir o efeito da roupa dos escravos. Na blusa, optou por granulações que remetem ao café.

Além do exercício da criatividade, o projeto Customizarte despertou na estudante Cristina Pinheiro, 35 anos, a paixão por um conhecimento mais profundo da obra do artista. Ela escolheu a tela Raízes, de 1940. As pinceladas abstratas do quadro ganham vida num vestido laranja, para noite, conceitual, rebordado em lantejoulas com uma enorme cauda em tule de várias cores.

Me fez lembrar a infância, uma época em que somos mais livres, discorre Cristina Pinheiro, que depois de participar do projeto já leu oito livros sobre o artista. Parte das estudantes diz que continuará, de forma voluntária, a realizar customização de roupas em entidades filantrópicas.

DESFILE
Customizarte
Promoção: Alunos do curso de Design da Universidade Salgado de Oliveira
Data: Hoje, às 20h30, no Terraço da Universidade
Local: Rua 105-B, nº 185, Setor Sul,
Fone: 238-3071
Entrada franca

Fonte: O Popular
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