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Entrevista: A palavra usurpada

      

Qual sua relação com a obra de Clarice?
Claudia Nina - Eu estudo a obra de Clarice Lispector desde o mestrado em Teoria Literária, quando escrevi uma dissertação sobre ïA hora da estrela`. A partir daí não parei mais. Existe uma possibilidade infinita de investigações da obra da autora - haja vista a sua grande fortuna crítica - e é instigante buscar caminhos ainda não plenamente percorridos.

Como surgiu o livro?
Claudia Nina - O livro ïA palavra usurpada` é a edição brasileira de ïExilic/nomadic itineraries in Clarice Lispector`s works`, que é a minha tese de doutorado defendida em 2001 na Universidade de Utrecht, na Holanda.

Quais escritos de Clarice estão destacados no livro?
Claudia Nina - Meu enfoque não é analisar a literatura de Clarice como um bloco indivisível, mas sim como uma obra marcada por rupturas internas. Faço uma divisão entre os escritos do exílio, que eu chamo de "narrativas do silêncio", e que compreendem os três romances escritos parcial ou integralmente no período em que Clarice Lispector viveu fora do país, entre Europa e Estados Unidos. São eles: ïO lustre`, ïA cidade sitiada` e ïA maçã no escuro`. De outro lado, estão os textos nomádicos, que correspondem aos escritos tardios, produzidos após os anos 70, como ïágua viva`, ïA hora da estrela` e ïUm sopro de vida`.

Há ainda duas obras pontuais que não pertencem necessariamente a nenhum dos grupos, mas se ligam a eles como ponte, que são ïPerto do coração selvagem`, a estréia de 1944, que embrionariamente antecipa o movimento nomádico que Clarice resgataria no fim da vida, e ïPaixão segundo GH`, de 1964, que é, simbolicamente, a travessia de um deserto em direção à liberdade nomádica vista nos escritos tardios já mencionados.

De que maneira o fato dela estar morando em outro país influenciou a obra produzida nesse período?
Claudia Nina - Eu temo fazer uma análise direta e simplista entre vida e obra, mas é certo que muitos autores tiveram ganhos artísticos com o exílio, que influenciou, direta ou indiretamente, suas produções. Casos clássicos seriam Joyce, Camus, Conrad e outros. Quanto a Clarice Lispector, creio que o cenário estrangeiro e longa vivência fora do país sopraram ventos gélidos em sua obra da fase exílica, que está impregnada do "silêncio aterrador" que ela mesma experimentou, conforme se pode ver nas cartas escritas a parentes e amigos durante este período.

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