text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

A palavra usurpada

      

SOBRE A OBRA

FICHA T?CNICA

Título: A palavra usurpada
Autora:
Cláudia Nina
Páginas: 184
1¦ edição
2003
Edipucrs

Leia entrevista com a autora

Da face da escrita de Clarice Lispector, ainda pouco explorada pela crítica, trata Cláudia Nina no recém-publicado ïA palavra usurpada`, que elege o exílio e o nomadismo eixos nucleares da narrativa da autora. Inicialmente uma tese de doutorado, em inglês, defendida na Universidade de Utrecht, na Holanda, em 2001, a versão publicada no Brasil revela uma inteligente e criativa analista.

Munida de ousadia na argumentação, Cláudia soube libertar seu trabalho do formalismo e dos cacoetes comuns às teses. E, dispensando possíveis associações autobiográficas, busca encontrar nas obras da escritora as principais características que constroem uma literatura de exílio e de nomadismo - comparando com outros textos e escritores nos quais tal proposta também aparece, como em Kafka.

De imediato, diga-se que ïA palavra usurpada` não considera o exílio e o nomadismo dois simples temas - e aí reside sua originalidade -, mas instâncias que estruturam a duplicidade de caminhos que a narrativa de Clarice recorta e entretece. Embora a escritora tenha experimentado o exílio voluntário, quando deixou o Brasil para seguir o marido diplomata, e embora seja fato que, ao nascer, ela trouxe consigo o exílio dos pais, Cláudia Nina tem a sabedoria de não privilegiar essas instâncias como uma biografia espelhada.

Assim, numa virada de alcance teórico, reflete sobre o exílio e o nomadismo como translação de práticas textuais e de sentido que ocorrem na geografia da linguagem e não no mapa das viagens ou nas certidões. Dialogando com a contribuição de Deleuze, Guattari e Rose Braidotti, A palavra usurpada distingue dois continentes literários.

No primeiro, o das narrativas do exílio ou do silêncio, pressupõe-se uma organização mais hierárquica que determina a lógica das relações entre os personagens e o narrado, estabelecendo-se um bloqueio entre um centro regulador e suas margens, com a adoção de uma estratégia de modelo mimético. No segundo, o das narrativas de nomadismo, esse constrangimento não aparece, uma vez que sua circulação textual presume a crise da representação e a implosão das categorias narrativas tradicionais.

No elenco formado pelas "narrativas do exílio ou do silêncio" estariam ïO lustre`, ïA cidade sitiada` e ïA maçã no escuro`. Já no circuito dos textos nômades inscrevem-se ïágua viva`, ïA hora da estrela` e ïUm sopro de vida`, narrativas da década de 1970. Nelas, as personagens apresentam uma subjetividade histórica e a textualização se produz fora do eixo da analogia entre o mundo narrado e a realidade. A palavra usurpada ainda estende essas considerações aos romances ïPerto do coração selvagem` e ïA paixão segundo G.H`., fazendo-nos conviver com os achados e os perdidos de uma ficção admirável.

Lucia Helena, professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal Fluminense e autora do livro "Nem musa, nem medusa: itinerários da escrita em Clarice Lispector", publicado pela editora da Eduff

SOBRE A AUTORA

Cláudia Mendes Nina é doutora em Letras pela Universidade de Utrecht, na Holanda. ? colaboradora do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) e escreve artigos e ensaios para revistas do Brasil e do exterior.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.