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Abaixo a diferença

      
As diferenças entre homens e mulheres têm dois anos para acabar. Pelo menos nas salas de aula do ensino fundamental e médio de 160 países. O compromisso, fechado em 2000 no Fórum Mundial sobre Educação, tenta corrigir as disparidades entre gêneros. Segundo a Unesco, o órgão das Nações Unidas para a Educação, na hora de ir para a sala de aula, os meninos levam vantagem. Em praticamente todo o mundo existem mais homens que mulheres matriculados nas escolas. Em alguns países da América Latina, entre eles o Brasil, o cenário é diferente. Não porque o ensino brasileiro é mais democrático que os outros, mas porque a pobreza tira os meninos da escola para buscar sobrevivência.

Pedro, de 15 anos, ajuda a engrossar a estatística que coloca o Brasil no lugar oposto ao resto do mundo. Estudou até a 2ªsérie do ensino fundamental mas abandonou a escola para trabalhar no corte de cana, em Coimbra, distrito de Maceió. Como Pedro, outros garotos largam a escola antes de ir para o ensino médio.

O relatório da Unesco, lançado mundialmente hoje, mostra a inversão do fluxo de meninos e meninas nas escolas brasileiras. Entre a 1ªe a 4ªséries do ensino fundamental, são 7% mais meninos. A partir da 5ªsérie até o ensino médio, o quadro muda e as mulheres passam a representar um grupo 10% maior. Na universidade, a diferença cresce ainda mais. São 29% mais mulheres que homens. As disparidades no Brasil estão ligadas à baixa performance dos meninos, que têm maiores taxas de repetência e maior probabilidade de abandonar a escola, geralmente para se sustentar, cita o relatório.

Igualdade
Em 2000, a Unesco fechou como meta no Fórum Mundial sobre Educação, que ocorreu em Dacar, no Senegal, a correção da disparidade de gêneros nas turmas de educação básica. A primeira etapa, a ser cumprida por 160 países, termina em 2005. A segunda deverá ocorrer até 2015, quando deve haver a mesma quantidade de homens e mulheres nas salas de aula do ensino médio e superior.

Os principais desafios para a maioria dos países é enfrentar o trabalho infantil. Segundo o relatório, uma das razões mais comuns para que crianças não freqüentem a escola é o fato de as famílias exigirem que elas trabalhem. ? muito caro ser pobre: estudos e mais estudos mostram que a pobreza é o maior obstâculo para educação formal, diz o documento.

Além disso, é necessário buscar a oferta universal de ensino gratuito e de qualidade. Em 101 países, são cobradas taxas escolares para o nível primário. Em seis países africanos, por exemplo, a Unesco verificou que os pais arcam com quase um terço dos custos anuais do ensino primário. A renda familiar acaba por se tornar um forte determinante das matrículas. Na Etiópia, quando os recursos da família são aumentados em uma unidade, as chances de um menino passar a freqüentar a escola aumentam em 16% e a das meninas, em 41%.

Ações mudam realidade
O Fórum das Mulheres Educadoras Africanas estabeleceu na última década centros de excelência em vários países com uma abordagem integrada para dar qualidade à educação de meninas. Os professores são treinados para que sejam sensíveis às diferenças e ao preconceito. Ações como essa ajudaram a mudar um pouco as disparidades entre os gêneros nas salas de aula e deixar a áfrica mais próxima de cumprir a meta estipulada pela Unesco de, em 2005, igualar a matrícula entre meninos e meninas nas escolas.

Em 2000, dois terços dos 860 milhões de analfabetos do mundo eram mulheres. Uma resposta automática à diferença de matrículas entre meninos e meninas nas escolas. Naquela época, quando foi realizado o Fórum Mundial sobre Educação, 57% das crianças que não freqüentavam a escola eram do sexo feminino. De lá para cá, vários países entraram na luta de combate à desigualdade de gêneros.

Nova legislação
Na Costa Rica, o governo definiu o Ato de Promoção da Igualdade das Mulheres. A lei exigiu de todas as instituições de ensino do países o oferecimento de oportunidades iguais para ambos os sexos. Mudanças de legislação, levem à igualdade entre gêneros.

Refeições e lanches nas escolas podem ser um fator decisivo na hora de manter a criança em sala de aula. Um estudo feito na índia revelou que a participação feminina nas instituições de ensino era aproximadamente 15% maior quando a escola local oferecia uma refeição ao meio-dia. Além de aumentar a capacidade de concentração e aprendizado, a alimentação era, e é, um alívio para as família que nem sempre têm comida em casa.

Sono demais para estudar
Aos 15 anos, Pedro lê e escreve muito mal. Culpa do cansaço que insistia em chegar todas as tardes quando ele, com apenas 10 anos, estava na sala de aula de uma pequena escola em Coimbra, próxima a Maceió. Além do sono de quem acordava todos os dias às 5h, ele ainda tinha de esquecer a dor das mãos sempre machucadas pelo facão do corte de cana. Como não tinha chance de escolha, o menino largou a escola. Não era possível abrir mão dos R$30 ganhos toda semana pelo corte diário de uma tonelada de cana.

O dinheiro ajudou a manter as irmãs caçulas na escola e longe do trabalho infantil. Elas vão ter um futuro melhor, se Deus quiser, abençoa o garoto, que ia para a lida todos os dias com o pai e o irmão mais velho. Mas a luta de Pedro não foi suficiente para manter a família de oito filhos na terra natal.

Há cerca de um mês, todos vieram para o Distrito Federal. Aqui, meu trabalho é bem melhor, faço artesanato e nem me corto, alegra-se o morador da Ceilândia. Pedro ajuda o tio na Praça dos Artesãos do Setor Comercial Sul de Brasília. Constrói e vende pulseiras de plástico com tachinhas. Ainda não vai à escola. Não sei quando vai dar, quem sabe no ano que vem volto para ler o bê-á-bá outra vez.

Fonte: Correio Braziliense
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