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Bach, agora também em violão

      

Lutando contra resistência do mercado em publicar obras e partituras musicais (em virtude do alto custo e da pouca quantidade de páginas que acabam promovendo a pirataria), o professor assistente do Departamento de Instrumentos e Cantos da Escola de Música da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Flávio Barbeitas, lança seu primeiro livro trazendo a transcrição, para violão, da sonata BWV 1020 de Johann Sebastian Bach. "Acho fundamental que a universidade pública cumpra o seu papel de divulgar o conhecimento fazendo publicações. Principalmente na área de música, onde se vê muito pouco em termos de material teórico, ou mesmo, das próprias partituras", afirma.

Barbeitas conta que, desde seu ingresso na UFMG em 1997, tinha interesse em promover um projeto de pesquisa voltado para publicações musicais, principalmente em relação a partituras. Nesse sentido, a escolha pela transcrição da obra de Bach para duo violões surgiu da discussão em relação ao tratamento dado à transcrição de obras musicais. Segundo ele, apesar da transcrição não ser um feito inédito, principalmente para violões, esse tipo de trabalho ainda é visto de forma inferior à original. "A obra transcrita é muito desprestigiada. Há toda uma mítica em torno da obra original. Uma verdadeira supervalorização do autor", declara.

Envolvido com essa problemática, Barbeitas resolveu deixar de lado apenas a discussão teórica e passou a tematizar a idéia da transcrição recriando a obra de Bach para violão. Um instrumento que, até então, por ser moderno, não contava com adaptações das obras relativas aos tempos de Bach. "No caso do violão, instrumento relativamente recente na música de concerto, o repertório anterior só é acessível por meio de transcrições. Esse processo recria o sentido da obra em outro ambiente, fazendo com que a obra tenha sentido quando tocada em outro instrumento", explica.

De acordo com Barbeitas a escolha pela sonata de Bach ocorreu em virtude da condição de suas obras no universo musical. "As composições de Bach são de caráter indiscutível. Para quem conhece e vive de música, o trabalho do compositor acaba sendo mesmo uma grande referência", destaca. Segundo Barbeitas, mesmo músicos que tocam saxofone, outro instrumento moderno, admiram e reconhecem a qualidade das composições de Bach. "Essa admiração faz do músico alemão um personagem importantíssimo na história da música ocidental", diz.

Transcrição da sonata BWV 1020

Barbeitas declara que a idéia de transcrever a obra permite passá-la para futuras gerações sem muitas modificações. "Embora haja a variação do tempo de duração de uma nota, o processo de transcrição permite que a obra continue inteligível, ou seja, que não perca seu verdadeiro sentido ou sua musicalidade", ressalta.

Executada em cerca de 20 minutos, a peça do músico alemã foi composta para flauta e cravo e possui três movimentos. Segundo Barbeitas, em sua maioria, as sonatas escritas para cravo e flauta estruturam-se em três ou quatro movimentos. A origem da denominação da peça remonta ao verbo "sonare", do latim, que significa soar ou emitir som. Termo contraposto ao vocábulo "cantata".

Entretanto, Barbeitas destaca que as sonatas não têm forma rígida. Em virtude disso, o professor precisou fazer algumas alterações na tonalidade para que a obra se adaptasse ao violão. "A partitura original, em sol menor, foi transcrita para lá menor", conta. Outra adaptação necessária à obra foi uma pequena mudança no valor de algumas notas em virtude das diferenças características a cada instrumento. "Na flauta, o tempo da nota varia de acordo com seu fôlego. Já no violão, não há esse ïcontrole`, o que obrigou uma adaptação musical para que a sonoridade ficasse melhor", diz.

Alvo de muita polêmica, a sonata BWV 1020 é tema de muita discussão. Segundo Barbeitas, estudiosos afirmam que a obra não é de autoria de Bach, como ao longo dos anos tem sido disseminado. "Há estudiosos que afirmam que a sonata pertence ao filho do compositor, Carl Philipp Emanuel Bach. Em meu livro faço uma ressalva em relação a isso, porém, a origem da sonata ainda é alvo de muito questionamento", declara.

Polêmicas a parte, o livro de Barbeitas será lançado em Belo Horizonte no próximo dia 24 de novembro no conservatório da UFMG. Mas já está disponível no web-site oficial da editoraUFMG, responsável pela publicação do material. O preço sugerido para o produto é de R$ 18,00.

Com a conclusão do livro, Barbeitas afirma não estar se dedicando a nenhum outro projeto similar. "Por enquanto pretendo concluir meu doutorado em letras aqui na UFMG", diz. Contudo, destaca que, futuramente, pretende dar continuidade a outros projetos que sigam essa mesma proposta de publicação musical. "Conseguir concluir um projeto desses tem um sabor pessoal muito especial", comemora. "Gostaria que essas iniciativas fossem mais difundidas. Acredito que as universidades deveriam iniciar a montagem de uma linha editorial destinada a publicação desse tipo de material. Acima de tudo, é fundamental difundir esse tipo de trabalho e desmontar essa resistência cultural, vencendo assim, a luta contra a atuação da cópia indiscriminada dessas obras", conclui.

Serviço:

Data de Lançamento: 24/11/2003

Local: Conservatório da UFMG

Preço sugerido para obra: R$18,00

Endereço eletrônico: www.editora.ufmg.br

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