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Pesquisa mostra que 40% dos prefeitos têm curso superior

      
O pessoal diz que sou semi-analfabeto mas é por educação. Sou analfabeto, mesmo, brinca Clóvis Aparecido Nogueira, prefeito da mineira São Lourenço. Mais conhecido na cidade pelo apelido de Nega Véia, Nogueira é uma das raras exceções dentro do universo de 5.560 prefeitos coberto pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais 2001, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento indica que quase metade dos prefeitos brasileiros tem curso superior e apenas 25 são classificados como sem instrução (sem estudo formal).

Estudei até a sétima: a sétima bomba. Fiquei dos 7 aos 14 anos na primeira série, diverte-se Nogueira. Mas finalmente, concluiu a quarta série em 2000, por meio de um curso supletivo. O perfil dos chefes do Executivo municipal eleitos em 2000 é apenas um dos aspectos abordados pela pesquisa do IBGE, que também reúne números relativos às áreas de legislação, habitação, segurança e cultura, todos fornecidos pelos próprios municípios.

De um modo geral, os números evidenciam a distância - principalmente em termos educacionais - entre os prefeitos e a população em geral. Enquanto o percentual de brasileiros sem instrução ou com menos de um ano de estudo era de 12,6 % em 2001, no universo dos prefeitos a taxa era de 0,4%. A maior parte dos prefeitos - 40% - tem curso superior completo e outros 7% não concluíram a graduação. Com relação à faixa etária, 69% têm entre 41 e 60 anos. Na média, os prefeitos brasileiros têm 48,7 anos de idade.

Para o cientista político Cesar Romero Jacob, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a alta escolaridade dos prefeitos reflete uma maior penetração do ensino de terceiro grau em direção ao interior do país: Pode ser uma indicação de que os cursos superiores estão se espalhando para as cidades médias, já que as pequenas cidades, continuam sem faculdades.

Apesar da ampla participação das mulheres no mercado de trabalho, o percentual de prefeitas estava restrito a 6% em 2001. A presença feminina é mais forte nas cidades com população superior a 500 mil habitantes mas inferior a um milhão. Nesses municípios, a porcentagem de prefeitas alcança 15,8%. Curiosamente, há mais mulheres - em termos percentuais - no comando de municípios das regiões Norte (Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins) e Nordeste (exceto Bahia e Goiás) do que no Sul e no Sudeste. No Nordeste, é possível explicar essa participação maior das mulheres pela migração dos homens para o Sudeste e o Norte, sustenta Jacob, da PUC-Rio. Já na Região Norte, o total de prefeitas era de 36, o segundo menor em termos regionais, depois do Centro-Oeste (32). Mas o número de municípios (449) é o menor do país, o que contribui para elevar a participação em termos percentuais das mulheres.

Entre as informações mais curiosas levantadas pelo IBGE, está o fato de os prefeitos sem instrução terem o maior índice de reeleição: 60%. Entre aqueles com curso superior completo, o percentual era de 41%, contra 45% dos prefeitos que não concluíram o primeiro grau. Em 2006, vou disputar a eleição para deputado estadual, avisa Nogueira, de São Lourenço. O ex-carroceiro e ex-dono de forró foi reeleito em 2000.

Fonte: Valor Econômico
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