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Carreira de médico é a que mais atrai nas estaduais paulistas

      
Intuitivamente, o vestibulando percebe que uma boa parte de seus colegas de cursinho ou de colégio quer ser médico. Com a divulgação do número de inscritos nos vestibulares das estaduais paulistas na semana passada, a intuição foi confirmada.

Na Unicamp, o caso mais gritante, de todos os candidatos, 22,7% são de medicina. Além do curso da própria universidade, que teve o maior número de inscritos, o vestibular conta ainda com o da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), o segundo mais procurado.

Apesar de haver 85 carreiras disponíveis na Fuvest, 9,4% dos candidatos são de medicina. Na Unesp, instituição em que há 155 cursos, 10,1% dos inscritos estão em apenas um deles: medicina.

O principal fator que impulsiona essa grande procura pela carreira, segundo especialistas, é o status da profissão na sociedade brasileira. Além de ter sua imagem positiva reforçada pelos meios de comunicação (os médicos bem-sucedidos e ricos das novelas, por exemplo), o prestígio tem origens históricas.

Ainda no período colonial, a elite mandava os seus filhos para a Europa para estudarem direito ou medicina ou para virarem padre, disse a socióloga da Unesp Dulce Whitaker, autora do livro Escolha da Carreira e Globalização. Até hoje, as duas carreiras ainda são as mais procuradas na maioria das universidades públicas.

Segundo o pedagogo e orientador vocacional Silvio Bock, a própria família, mesmo que indiretamente, acaba contribuindo para a manutenção do alto prestígio dos médicos. Muita gente que quer medicina diz ter fechado essa escolha muito cedo, até com seis anos de idade. Quando se é pequeno, a criança diz que quer ser astronauta e ninguém leva a sério. Depois, ela diz que vai ser cantora, e todos dão risada. Quando ela diz que vai ser médica, entretanto, todo mundo diz Oh! e apóia. Isso vai formando a identidade da pessoa, disse ele, que escreveu o livro Orientação Profissional - A Abordagem Sócio-Histórica.

Para a psicóloga Rosane Levenfus, co-autora do livro Orientação Vocacional Ocupacional, outro fator está ligado à auto-estima de alguns estudantes e ao fato de o curso ser o mais difícil para conseguir uma vaga. Aquela pessoa que sempre foi um pouco deixada de lado na escola pode acabar optando por medicina para mostrar do que é capaz, disse.

Outro motivo seria a insegurança de não ser aprovado em outro curso. Como todos sabem que é preciso uma nota muito alta para passar em medicina, a pressão acaba sendo menor. Tem gente que pensa que ser reprovado em medicina pode, mas ser reprovado em outro curso é burrice. Somando todos esses fatores com as pessoas que estão fazendo uma escolha consciente, que conhecem os problemas da carreira, a procura fica muito grande, disse.

Alta concorrência aumenta nota para vagas em disputa
O poder de atração da medicina sobre os candidatos traz efeitos para eles próprios e para as universidades que oferecem o curso. Como a concorrência é grande e os candidatos em geral são bem preparados, a nota necessária para conseguir entrar na graduação normalmente é alta, o que tornam comuns os candidatos veteranos na carreira.

Todos os anos, medicina é a que tem a nota de corte mais alta da Fuvest. No ano passado, para conseguir passar para a segunda fase, o candidato teve de fazer 75% dos pontos da prova. Os vestibulandos de relações internacionais, o curso com a segunda nota mais alta, precisaram fazer 68% do total dos pontos.

Segundo Fernando Dagnoni Prado, diretor acadêmico da Vunesp, a nota necessária para entrar em medicina na Unesp fica entre 82% e 90% da prova. Isso só é bom para quem tem vocação para as outras carreiras, porque fica mais fácil ingressar. Um candidato que tira nota 78 é um ótimo estudante, que poderia ser bem aproveitado em outra carreira, mas não fica com uma vaga. Isso é ruim para a universidade, que perde bons talentos.

Para o coordenador do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, as universidades tentam evitar a concentração divulgando os cursos. Nós fazemos um esforço para anunciar os cursos que temos, damos espaço igual para todos eles. Mas também não podemos impor aos candidatos uma opção.

Estudante desiste de querer engenharia para tentar ser médico
Depois de fazer três anos de engenharia, o vestibulando Marcelo Marques Vieira, 23, resolveu desistir do curso. Agora, ele tentará pelo segundo ano ingressar em medicina para trabalhar com genética. Sempre tive afinidade com biologia, mas fui mal informado sobre engenharia.

O contato com os pacientes definiu a sua preferência em relação a outros cursos, como biologia. Acho que não conseguiria ficar em um laboratório o dia inteiro.

Fonte: Folha de S.Paulo
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