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Estagiário profissional

      
A estudante de educação física Beatrice Bittencourt, que dá aulas de natação para crianças (à esq.), e Elisa Castro, que faz história da arte, diminuíram a carga horária da faculdade para aumentar a experiência profissional

O medo do desemprego, que ronda dez em cada dez empregados, está chegando às faculdades e mudando os planos de quem está prestes a pegar o canudo. Estudantes de diferentes carreiras estão adiando a formatura para investir em estágios, engordar o currículo e ter mais chances de contratação no futuro. Isso porque o contraste entre a generosa oferta de estágios e a saturação do mercado de trabalho é enorme. De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee-Rio), de janeiro a setembro foram criados 17.638 estágios nas 6.500 empresas conveniadas com a instituição. No mesmo período, apenas 542 trainees foram efetivados.

Os estagiários são mão-de-obra qualificada com baixo custo, não oneram as empresas com tantos tributos como os empregados, explica Sueli Fernandes, gerente de recursos humanos da Fundação Mudes, instituto de recursos humanos. A baixa oferta de empregos é reflexo da recessão que vivemos. Marcelo Silva, de 24 anos, deveria se formar no mês que vem no curso de administração da Faculdade Ibmec. Adiou a entrega da monografia de fim de curso para o ano que vem e, assim, manteve o estágio em uma multinacional. Preciso aumentar minha experiência para ter mais chances de efetivação, diz. ? um impasse similar ao de Elisa Castro, estudante do 3o ano de história da arte na Uerj. Ela ensina artes plásticas a adolescentes carentes em uma ONG e também vai adiar a formatura, inscrevendo-se em menos disciplinas do que teria direito. Com mais estágios, saio da faculdade com um currículo melhor, diz Elisa, que sonha com um emprego de design de jóias. Não poderia me formar sem experiência em minha área, admite Beatrice Bittencourt, de 23 anos. Estudante de educação física da universidade particular carioca Estâcio de Sá, Beatrice é professora de natação em uma academia. Vai se formar com um ano de atraso, em dezembro de 2004. Assim, não saio crua da universidade, justifica.

Entre os desempregados no Brasil,44% são jovens de 16 a 24 anos
As estatísticas assustam. Uma pesquisa comparativa feita pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade revela que entre 1992 e 2002 a taxa de desemprego entre os jovens cresceu 49%. Na campanha eleitoral, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar benefícios fiscais para empresas que contratassem jovens. Batizado de Primeiro Emprego, o programa ainda não saiu do papel.

A estratégia de Marcelo, Elisa e Beatrice é compreensível, mas não é passaporte para o mercado. Adiar a formatura não garante nada. O melhor é que o estudante leia muito e faça cursos extras, opina Lilian Schocair, do Ciee-Rio. Estágio é aprendizagem, não é para ser eterno.

Fonte: ?poca
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