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Educar com olhos no futuro

      
Dos brasileiros de 18 a 24 anos só 9% estão na faculdade. De 1998 a 2002 o Brasil mais que dobrou o número de cursos de graduação, numa expansão que bateu em exatos 107%. Foi um salto espetacular, partindo de 6.950 cursos em 1988 e totalizando 14.399 até outubro de 2002, data-limite da coleta de dados para o último Censo de Educação Superior. Essa expansão dos cursos superiores deveu-se principalmente às instituições particulares, que agora contam com 63,5% dos cursos (um aumento de 3.980 para 9.147) e 70% das matrículas. Para dimensionar o ritmo, basta ver o aumento do número de alunos nas redes pública e privada: 31% contra 84%.

Bastou a divulgação das estatísticas para pipocarem críticas e palpites, boa parte em tom depreciativo e categórico, resumindo-se a um comentário: A qualidade não acompanhou a quantidade. Interessante notar que poucos se dão ao trabalho de fundamentar a análise da qualidade, num momento em que várias correntes se dedicam com entusiasmo a desmerecer o Provão, sem deixar muito claro o que pretendem colocar em seu lugar.

Leigos na matéria podem até cultivar opiniões baseadas em constatações empíricas e expressá-las em conversas amenas ou indignadas. Mas de especialistas é justo que a sociedade espere análise serena, despida de interesses corporativos e dogmatismos, seguida de propostas consistentes para aprimorar o sistema de ensino, sem necessariamente destruir o pouco que foi feito e que deve ser creditado majoritariamente não a governos anteriores, mas a essa mesma sociedade, que tantas vezes contribuiu com pesados sacrifícios para os avanços.

Ninguém, com uma dose mínima de bom senso, acreditaria que a expansão do ensino superior se deu sem problemas, distorções e até abusos. Mas a experiência ensina que, antes de colocar todo o processo numa vala comum, é recomendável examinar cada instituição criteriosamente e de forma isenta, com o objetivo de manter e aprimorar os cursos que tenham condições de atender às necessidades do aluno e do País.

Convém ainda lembrar que, mesmo com o expressivo aumento das vagas, apenas 9% dos brasileiros de 18 a 24 anos estão na faculdade, enquanto em países como Chile e Bolívia essa parcela supera a casa dos 20%, como compara Carlos Antunes, secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação. E mais: a quase universalização do ensino fundamental já está se refletindo no aumento de matrículas do ensino médio, e com isso, dentro de dois ou três anos, a pressão dos jovens nas portas das faculdades será bem mais intensa e persistente.

Por essas razões, somadas ao crime que será matar as esperanças dos jovens e dos pais que apostam na educação como passaporte para um mundo melhor, é mais interessante pensar à frente, buscando aprimorar o sistema de ensino como um todo. Até porque, ao que tudo indica, os dois sistemas terão de conviver por um bom tempo, sob o olhar vigilante do Estado, que precisará se mostrar competente para retirar dos dois sistemas o que cada um tem de melhor e conjugá-los. Só assim será possível agilizar o resgate dos milhões de jovens, hoje condenados à exclusão por falta de conhecimentos que lhe permitam construir um país mais justo e menos desigual.
Luiz Gonzaga Bertelli - Presidente-executivo do CIEE.

Fonte: Gazeta Mercantil
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