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A universidade do século XXI

      
Assim como os fenômenos educacionais, também a universidade não pode ser compreendida em si mesma. Constitui um setor da prática social humana, cujo espaço e características só se definem em razão do contexto geral no qual se inclui. Suas medidas só adquirem significado se referidas à totalidade na qual foram produzidas e serão sempre o resultado do embate das tendências e forças sociais num determinado estágio do desenvolvimento científico e tecnológico.

Ninguém pode deixar de admitir que a instituição universidade, no momento atual, confronta-se com uma situação complexa: são-lhe feitas exigências cada vez maiores por parte da sociedade, ao mesmo tempo que se tornam cada vez mais restritivas suas políticas de financiamento. Amplamente desafiada, pela sociedade e pelo Estado, seus problemas parecem ser muito mais de natureza estrutural que de natureza conjuntural. Sobre este assunto muito bem se expressa o ministro da Educação Cristovam Buarque, ... a universidade se encontra em meio a uma revolução tecnológica, num mundo dividido, precisando fazer sua própria revolução.

Atualmente também no Brasil e, de forma bastante peculiar, as universidades públicas estão imersa em graves contradições e infindáveis desafios. Sem risco de ameaça à sua autonomia deverá enfrentar, com sabedoria, sua crise de financiamento; sem banalizar o real conceito de universidade, precisará garantir a democratização de acesso das populações, hoje excluídas, ao sistema de ensino superior; sem descaracterizar o sentido de universidade como guardiã da ciência e da arte, autônoma e desatrelada das demandas imediatas e utilitarista de mercado, não poderá deixar de reconhecer que a educação superior hoje necessitará ter uma atividade de múltiplas funções. ? preciso pois, garantir a qualidade acadêmica com políticas de avaliação institucional diferentes daquelas de natureza regulatória implantadas até então. A universidade, contudo, tem se constituído um fenômeno de singular longevidade. Existente desde o século XII, enquanto instituição social, tem provado ser capaz de responder aos desafios do seu tempo. Hoje, sob forte pressão, precisa estar preparada para enfrentar os dilemas do novo século.

Como reinventar a universidade do século XXI a partir do reconhecimento histórico de sua grandiosa importância para o processo civilizatório? De que forma a universidade poderá influenciar na definição de um projeto de nação? Qual deve ser sua proposta de contrato social com a sociedade? Quais as novas formas de protagonismo da universidade? Como repensar sua concepção e seus modelos? Essas são as principais questões que permeiam a agenda de debates sobre o por que e como reformar a universidade, colocadas pela cúpula da educação superior brasileira na busca de fundamentos que possam orientar e reconfigurar as universidades para o século XXI.

A expectativa é encontrar idéias e propostas capazes de assegurar a inserção da universidade na construção de um futuro mais ameno, no qual o conhecimento possa estar, efetivamente, a serviço da elevação da qualidade de vida de todas as populações e possa assegurar a inclusão social.

Para tanto é fundamental uma ação inteligentemente proposta pelos governos em articulação com o Legislativo, a comunidade universitária e a sociedade, por meio de suas entidades representativas. Precisamos resgatar a dívida da Nova República com a educação superior para torná-la um modelo do tamanho do Brasil.

Francisco de Assis Moura Araripe é reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece)

Fonte: O Povo
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